Uma cidade resistiu a dois ataques romanos graças a muralhas e torres e hoje permanece cercada pela estepe desértica do norte do Iraque

21.10.2026

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Uma cidade resistiu a dois ataques romanos graças a muralhas e torres e hoje permanece cercada pela estepe desértica do norte do Iraque
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5 minutos de leitura 06.09.2026 12:18 comentários
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Uma cidade resistiu a dois ataques romanos graças a muralhas e torres e hoje permanece cercada pela estepe desértica do norte do Iraque

Fortificações monumentais e templos mostram como uma cidade entre Roma e os partas construiu poder, riqueza e uma identidade arquitetônica própria

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Uma cidade resistiu a dois ataques romanos graças a muralhas e torres e hoje permanece cercada pela estepe desértica do norte do Iraque
Hatra preserva muralhas, torres e templos que revelam a força de uma cidade capaz de prosperar entre Roma e o Império Parta

A cerca de 110 quilômetros a sudoeste de Mossul, Hatra preserva as ruínas de uma das cidades fortificadas mais importantes da antiga Mesopotâmia. Situada entre as esferas de influência dos impérios Romano e Parta, tornou-se centro comercial e religioso e conseguiu repelir forças romanas em 116 e 198 d.C. Suas muralhas, torres, fossos e templos ainda se destacam em uma paisagem aberta e semiárida do norte do atual Iraque.

Como Hatra prosperou entre dois grandes impérios?

A posição geográfica ajudou a transformar Hatra em um ponto estratégico. Rotas militares e comerciais ligavam o Império Romano, a oeste, ao Império Parta, a leste, enquanto os rios Tigre e Eufrates conectavam a Mesopotâmia a outras regiões. A UNESCO considera que essa localização favoreceu o desenvolvimento da cidade como importante centro religioso e mercantil.

O crescimento foi especialmente significativo entre os séculos I e II d.C. Sob forte influência parta, Hatra desenvolveu uma organização política própria e tornou-se capital de um reino árabe. Seu poder não dependia apenas do comércio: numerosos santuários atraíam população e atividade econômica para dentro de suas fortificações.

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O que tornava as defesas da cidade tão difíceis de atravessar?

Hatra possuía um sistema defensivo em camadas. A UNESCO descreve uma muralha externa formada por um aterro com cerca de nove quilômetros de circunferência e uma muralha interna de pedra delimitando a principal área urbana, com aproximadamente dois quilômetros de diâmetro.

A muralha interna era reforçada por 171 torres grandes e pequenas, além de estruturas fortificadas. Do lado externo havia ainda um fosso com aproximadamente quatro a cinco metros de profundidade e entre oito e 14 metros de largura, aumentando a dificuldade para tropas que tentassem aproximar máquinas de cerco das paredes.

  • Duas linhas principais de defesa cercavam a cidade.
  • A muralha interna era construída em pedra.
  • Cento e setenta e uma torres reforçavam o perímetro.
  • Um fosso protegia parte externa das fortificações.
  • Portões fortificados controlavam os principais acessos.

Este registro UNESCO/NHK apresenta as ruínas, muralhas e templos preservados de Hatra.

Como Hatra conseguiu resistir aos exércitos de Roma?

A primeira grande tentativa registrada pela UNESCO ocorreu em 116 d.C., durante a campanha oriental do imperador Trajano. Mesmo com o poder militar romano na Mesopotâmia, as defesas de Hatra impediram a tomada da cidade. A combinação entre muralhas, torres e condições locais tornou o cerco particularmente difícil.

Em 198 d.C., forças comandadas por Septímio Severo voltaram a atacar. O resultado novamente favoreceu os defensores, consolidando a reputação de Hatra como cidade praticamente inexpugnável para os romanos. Essa resistência foi importante porque ocorreu justamente numa região disputada por grandes potências imperiais.

O que havia dentro das muralhas além das estruturas militares?

No centro urbano existia um enorme recinto religioso retangular, ou temenos, dividido em pátios e áreas de santuário. Dentro dele havia diversos templos, salões e estruturas com grandes iwans, espaços abertos cobertos por abóbadas de berço associados à tradição arquitetônica parta.

A decoração mostra como Hatra absorvia influências diferentes. Arquitetura helenística e romana aparecia ao lado de soluções construtivas e elementos ornamentais orientais, enquanto seus cultos reuniam tradições mesopotâmicas, aramaicas, árabes e greco-romanas. Essa mistura é uma das características mais marcantes das ruínas.

O sistema defensivo de Hatra combinava muralhas, 171 torres, fosso e acessos fortificados que dificultavam ataques diretos à cidade
O sistema defensivo de Hatra combinava muralhas, 171 torres, fosso e acessos fortificados que dificultavam ataques diretos à cidade

Por que Hatra parece hoje uma cidade isolada no deserto?

A impressão corresponde em parte à paisagem real, mas é mais preciso falar em estepe desértica ou ambiente semiárido. A UNESCO descreve o sítio como localizado em uma área aberta de semideserto entre o Tigre e o Eufrates, e não como uma cidade que foi posteriormente engolida por dunas.

A descrição oficial de Hatra pela UNESCO destaca justamente a preservação das fortificações nessa paisagem. O isolamento visual atual ajuda a tornar evidente o desenho circular da cidade e a escala de suas defesas, embora o local estivesse originalmente integrado a importantes redes regionais.

ElementoDado registrado
Primeiro ataque romano116 d.C., sob Trajano.
Segundo ataque romano198 d.C., sob Septímio Severo.
Torres defensivas171 torres grandes e pequenas.
Patrimônio MundialInscrito pela UNESCO em 1985.

Por que essas ruínas são tão importantes para compreender a região?

Hatra preserva evidências de um mundo em que fronteiras imperiais não impediam trocas culturais. Apesar de sua posição entre Roma e os partas, a cidade criou uma identidade própria, combinando técnicas defensivas, religião e arquitetura de diferentes tradições.

As ruínas também mostram que o norte da Mesopotâmia não era apenas uma zona intermediária entre impérios. Havia centros regionais capazes de enriquecer, governar seu território e resistir militarmente a uma das maiores potências da Antiguidade, deixando monumentos que continuam reconhecíveis quase dois milênios depois.

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