Uma cidade foi construída a 2.000 metros nos Andes em terreno tão íngreme que suas ruas deram lugar a uma enorme escadaria central
A cidade chegou a ter 15 mil moradores antes de ser praticamente abandonada nos anos 1970

O que você vai ver
- Por que uma empresa de mineração decidiu construir uma cidade inteira nos Andes.
- Por que o terreno tornava inviável circular de carro ou outro veículo com rodas.
- Como a escadaria central organizava o traçado urbano da cidade.
- Quantas pessoas chegaram a viver nessa cidade e o que aconteceu com ela depois.
- Por que a Unesco reconheceu Sewell como patrimônio mundial em 2006.
Uma cidade foi construída a cerca de 2.000 metros de altitude nos Andes chilenos num terreno tão íngreme que carros e outros veículos com rodas simplesmente não conseguiam circular, obrigando a própria planta urbana a se organizar ao redor de uma enorme escadaria central.
Por que uma empresa de mineração decidiu construir uma cidade inteira nos Andes?
A cidade de Sewell foi erguida em 1905 pela empresa de mineração Braden Copper, na comuna de Machalí, na província de Cachapoal, para alojar durante todo o ano trabalhadores da mina El Teniente, que se tornaria a maior mina de cobre subterrânea do mundo.
Diferente de acampamentos temporários comuns em operações de mineração, a Braden Copper optou por construir uma cidade permanente, com moradias, serviços e espaços públicos, decisão que respondia à necessidade de manter uma força de trabalho estável durante todo o ano numa região de acesso remoto e clima extremo nos Andes chilenos.

Por que o terreno tornava inviável circular de carro ou outro veículo com rodas?
A inclinação acentuada do terreno onde a cidade foi erguida, entre 2.000 e 2.250 metros de altitude, tornava praticamente impossível a circulação de veículos com rodas pelas ruas convencionais, obstáculo que levou os construtores a adotar escadarias verticais como principal forma de deslocamento entre os diferentes níveis da cidade.
Essa limitação geográfica, que em qualquer outra cidade representaria um problema de engenharia a ser contornado, acabou definindo a própria identidade arquitetônica de Sewell, que se tornou conhecida justamente por abandonar completamente o modelo tradicional de ruas para veículos em favor de um sistema interno de escadas e passarelas.
Como a escadaria central organizava o traçado urbano da cidade?
A grande escadaria central de Sewell nasce a partir da estação ferroviária e sobe pela encosta, organizando ao longo de seu trajeto praças formais de formato irregular, decoradas com árvores e plantas ornamentais, que funcionavam como os principais espaços públicos de convivência da cidade mineradora.
A partir dessa escadaria principal, caminhos secundários seguiam pelas curvas de nível do terreno, conectando praças menores e escadarias auxiliares que ligavam os diferentes níveis da cidade entre si, sistema que substituía por completo a função que ruas convencionais exerceriam numa cidade construída em terreno plano.
Quantas pessoas chegaram a viver nessa cidade e o que aconteceu com ela depois?
No auge de sua ocupação, Sewell chegou a abrigar cerca de 15 mil habitantes, população expressiva para uma cidade erguida inteiramente em função de uma única atividade econômica, a mineração de cobre, e sustentada por uma infraestrutura urbana adaptada às condições extremas de altitude e inclinação do terreno andino.
A cidade foi progressivamente abandonada ao longo da década de 1970, à medida que avanços tecnológicos na extração de cobre reduziram a necessidade de manter um contingente tão grande de trabalhadores morando permanentemente no próprio local da mina, deixando Sewell como um sítio praticamente desabitado, mas com sua estrutura urbana original ainda preservada.

Por que a Unesco reconheceu Sewell como patrimônio mundial em 2006?
A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura declarou Sewell patrimônio mundial em 2006, reconhecimento que considerou tanto a singularidade arquitetônica da cidade, construída inteiramente em torno de escadarias em vez de ruas convencionais, quanto sua importância histórica como testemunho da organização urbana ligada à mineração industrial no início do século XX.
Esse reconhecimento também valorizou a preservação relativamente intacta das construções de madeira coloridas que caracterizam a cidade, erguidas seguindo modelos arquitetônicos americanos e pintadas em tons vivos de verde, amarelo, vermelho e azul, conjunto que hoje permite visitar Sewell como um registro praticamente intacto de como era viver e trabalhar numa cidade mineradora andina há mais de um século.
Este artigo dá continuidade ao relato sobre a ilha remota que escondia uma nova espécie de pinguim por mais de um século. Mais detalhes sobre a cidade estão disponíveis na página oficial da Unesco sobre Sewell.
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