Um vulcão na Rússia produziu ao menos 60 grandes erupções em 10 mil anos e ainda constrói uma cúpula de lava no topo
Satélites acompanham domos em crescimento, anomalias térmicas e explosões em um dos vulcões mais ativos de Kamchatka
Na península de Kamchatka, no extremo leste da Rússia, o Shiveluch está entre os vulcões mais ativos de todo o arco vulcânico regional. Estudos geológicos indicam pelo menos 60 grandes erupções durante os últimos 10 mil anos. Mesmo após episódios explosivos capazes de destruir partes de seus domos, magma viscoso continua chegando à superfície e reconstruindo essas estruturas, enquanto satélites acompanham anomalias térmicas, extrusão de lava e grandes plumas de cinzas.
Por que o Shiveluch registra tantas grandes erupções?
O vulcão faz parte do arco de Kamchatka, uma das regiões vulcanicamente mais ativas do planeta. O maciço é predominantemente andesítico e possui cerca de 1.300 quilômetros cúbicos de material vulcânico, segundo o Smithsonian Global Volcanism Program. Sua estrutura inclui uma grande caldeira aberta para o sul e diferentes gerações de domos de lava.
Camadas de cinzas preservadas nos depósitos de Kamchatka permitem reconstruir sua atividade ao longo do Holoceno. Esse registro mostra ao menos 60 grandes erupções nos últimos 10 mil anos, número excepcionalmente alto e que ajuda a transformar essas camadas vulcânicas em importantes marcadores cronológicos para estudos geológicos da região.
Leia também: O maior polvo do planeta nasce de um ovo do tamanho de um grão de arroz e pode terminar com braços de 4 metros
Como uma cúpula de lava consegue crescer no Shiveluch?
A lava expelida pelo vulcão pode ser suficientemente viscosa para não escorrer rapidamente por longas distâncias. Em vez disso, acumula-se perto dos pontos de emissão, formando domos ou cúpulas que crescem à medida que novo magma é empurrado para fora. Essa construção pode continuar por semanas, meses ou períodos ainda maiores.
Em agosto de 2026, o KVERT registrou continuidade da extrusão de lava nos domos do Young Sheveluch. Entre 6 e 10 de agosto, observadores identificaram crescimento na parte norte do principal domo, além de uma anomalia térmica visível por satélite na maioria dos dias.
- A lava viscosa se acumula perto da abertura eruptiva.
- Novas extrusões aumentam gradualmente o volume do domo.
- Colapsos podem remover partes da estrutura.
- Explosões podem lançar cinzas a vários quilômetros de altitude.
- Satélites detectam calor e acompanham mudanças mesmo em áreas remotas.
Este vídeo analisa a grande erupção de 2023 e os fluxos piroclásticos produzidos pelo vulcão.
Por que uma cúpula de lava pode tornar o Shiveluch perigoso?
O crescimento de um domo não é necessariamente um processo estável. Partes de sua estrutura podem ficar excessivamente inclinadas ou mecanicamente frágeis e desabar. Quando material extremamente quente colapsa, pode gerar correntes piroclásticas compostas por fragmentos de rocha, gases e cinzas deslocando-se rapidamente pelas encostas.
A história do Shiveluch registra repetidos colapsos desse tipo. Um grande evento em 1964 produziu uma avalanche de detritos, enquanto em abril de 2023 explosões destruíram parte importante do complexo de domos novamente. Os depósitos dessas avalanches cobrem extensas áreas dentro da caldeira.
Como os satélites acompanham um vulcão tão remoto?
Kamchatka possui grandes áreas pouco povoadas, mas está próxima de importantes rotas de aviação internacional. Por isso, observações por satélite são essenciais para detectar plumas de cinzas, pontos quentes e mudanças nos domos que poderiam representar risco para aeronaves cruzando o Pacífico Norte.
Imagens térmicas permitem reconhecer lava recém-extrudida mesmo quando a atividade superficial parece limitada. Em julho de 2026, por exemplo, explosões produziram plumas de cinzas que chegaram a aproximadamente 10,5 quilômetros de altitude, fazendo o código de alerta para aviação subir temporariamente ao nível vermelho.

O que os números mostram sobre o Shiveluch?
O perfil oficial do Smithsonian Global Volcanism Program descreve o Shiveluch como uma das maiores e mais ativas estruturas vulcânicas de Kamchatka. A caldeira que corta sua parte superior possui aproximadamente nove quilômetros de largura, enquanto diferentes domos foram construídos dentro e fora dessa depressão ao longo do tempo.
As medições recentes mostram que o vulcão permanece em uma combinação de atividade explosiva e extrusiva. Entre 19 e 26 de agosto de 2026, o KVERT continuava registrando saída de lava nos domos e anomalias térmicas detectadas por satélites, mantendo o código de aviação em laranja.
| Característica | Dado registrado |
|---|---|
| Grandes erupções | Ao menos 60 nos últimos 10 mil anos. |
| Caldeira | Cerca de 9 km de largura. |
| Volume do maciço | Aproximadamente 1.300 km³. |
| Atividade em agosto de 2026 | Extrusão de lava e crescimento do domo. |
Por que o Shiveluch continua importante para a vulcanologia?
A combinação de erupções frequentes, domos em crescimento, colapsos e extensos depósitos de cinzas oferece aos pesquisadores uma oportunidade rara de acompanhar diferentes fases de um grande sistema vulcânico. Cada nova erupção também ajuda a interpretar camadas antigas preservadas em Kamchatka.
O Shiveluch mostra que um vulcão não precisa produzir continuamente grandes rios de lava para modificar sua própria forma. Ele pode crescer lentamente pela extrusão de domos e depois perder parte dessa construção em explosões ou colapsos, repetindo esse ciclo ao longo de milhares de anos.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)