Um templo cambojano parece ter sido desmontado pela floresta porque raízes gigantes atravessam portas e muros que ficaram séculos cercados por árvores
O antigo mosteiro de Angkor conserva enormes árvores integradas às ruínas e exige cuidados para equilibrar patrimônio arqueológico e vegetação
Em Angkor, no Camboja, enormes raízes descem sobre galerias, atravessam frestas e envolvem paredes de um antigo mosteiro budista. Ta Prohm foi dedicado em 1186 pelo rei Jayavarman VII e originalmente se chamava Rajavihara, o “mosteiro real”. Séculos de crescimento vegetal modificaram parte de sua arquitetura, mas algumas árvores foram deliberadamente preservadas durante a conservação moderna, transformando a união entre floresta e pedra em uma característica do monumento.
Por que Ta Prohm acabou cercado por árvores gigantes?
O complexo foi construído no final do século XII durante um grande programa arquitetônico de Jayavarman VII. Depois que Angkor perdeu importância como centro político, diferentes monumentos receberam menos manutenção e a vegetação tropical avançou progressivamente sobre construções, pátios e caminhos.
Árvores de grande porte conseguiram se estabelecer entre blocos e sobre estruturas. Em Ta Prohm, exemplares conhecidos localmente como spong, incluindo grandes Tetrameles nudiflora, tornaram-se especialmente marcantes. Suas raízes superficiais podem descer pelas fachadas e envolver grandes áreas da alvenaria.
Como as raízes conseguem atravessar muros e portas de pedra?
Uma raiz jovem pode penetrar em juntas e espaços já existentes entre os blocos. Conforme a árvore aumenta de tamanho, as raízes engrossam e passam a exercer pressão sobre pedras que não foram unidas com estruturas modernas de concreto ou aço.
A água, as variações ambientais e o desgaste natural também atuam sobre o monumento. Por isso, não é correto atribuir todo desmoronamento exclusivamente às árvores. Em alguns pontos, raízes deslocam blocos; em outros, estão tão integradas à estrutura que removê-las poderia produzir novos problemas de estabilidade.
- Raízes penetram juntas e fissuras preexistentes;
- O crescimento pode deslocar blocos gradualmente;
- Umidade e intemperismo também degradam a pedra;
- Algumas árvores hoje ajudam a sustentar partes instáveis.
Este vídeo percorre o templo e mostra a escala das raízes sobre suas galerias e paredes.
Por que Ta Prohm não foi completamente limpo da floresta?
Quando os trabalhos modernos de conservação começaram em Angkor, especialistas removeram vegetação menor, abriram caminhos e estabilizaram estruturas perigosas. Entretanto, algumas das grandes árvores foram mantidas para conservar a aparência pela qual o sítio havia se tornado conhecido.
Essa decisão nunca significou simplesmente abandonar o monumento. Atualmente, árvores e estruturas são monitoradas, e intervenções procuram preservar o equilíbrio entre patrimônio construído e ambiente natural. Algumas galerias recebem reforços, enquanto árvores consideradas perigosas podem exigir poda ou outras medidas.
O templo realmente permaneceu intocado durante séculos?
Não. A imagem de uma ruína completamente abandonada desde a época medieval simplifica demais sua história. Ta Prohm passou por limpeza, consolidação e restauração, especialmente a partir do século XX, e continua recebendo intervenções destinadas a evitar desabamentos e proteger visitantes.
A APSARA National Authority explica que o templo foi mantido apenas “mais ou menos” na condição em que foi encontrado no século XIX. Obras posteriores foram necessárias justamente porque a vegetação espetacular também pode comprometer paredes, coberturas e fundações.

O que os números revelam sobre esse monumento de Angkor?
Ta Prohm faz parte de Angkor, conjunto inscrito como Patrimônio Mundial pela UNESCO em 1992. O templo possui sucessivas galerias, torres de esquina, portais monumentais e edifícios distribuídos dentro de grandes recintos, refletindo a escala das fundações religiosas patrocinadas por Jayavarman VII.
A dedicação ocorreu em 1186 e o complexo funcionou como mosteiro budista Mahayana. Inscrições associadas ao monumento registram uma instituição de grandes dimensões, mostrando que o lugar originalmente era muito diferente da imagem atual de corredores silenciosos dominados pela vegetação.
| Característica | Registro |
|---|---|
| Nome original | Rajavihara |
| Dedicação | 1186 |
| Fundador | Jayavarman VII |
| Função original | Mosteiro budista Mahayana |
Por que conservar Ta Prohm é diferente de restaurar uma ruína comum?
Retirar uma árvore pode eliminar pressão sobre determinada parede, mas também remover raízes que passaram décadas apoiando pedras instáveis. Mantê-la, por outro lado, exige avaliar seu crescimento, estado de saúde, peso, resistência a tempestades e efeito sobre fundações.
Por isso, Ta Prohm representa um problema incomum de conservação: proteger somente a arquitetura poderia destruir parte da paisagem histórica moderna do lugar, enquanto deixar a floresta crescer sem controle ameaçaria o próprio monumento. Preservar o templo significa administrar continuamente essa relação entre estruturas medievais e organismos vivos.
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