Um submarino afundado em 1917 continua liberando TNT no mar mais de um século depois e pesquisadores mediram o vazamento
Estudo encontrou explosivos em mexilhões, sedimentos e na água ao redor de um submarino alemão naufragado em 1917 e alerta para os riscos ambientais
Um submarino alemão que afundou durante a Primeira Guerra Mundial continua contaminando o fundo do mar. Pesquisadores detectaram TNT e compostos derivados na água, nos sedimentos e em organismos que vivem ao redor do UC-30, naufragado em 1917. O estudo publicado em 2026 mostrou que munições antigas podem provocar efeitos biológicos mesmo depois de mais de um século submersas.
Como um submarino de 1917 se transformou em uma fonte de contaminação?
Em 19 de abril de 1917, o submarino alemão UC-30 navegava próximo à costa dinamarquesa após abandonar uma missão devido a problemas mecânicos. Durante o retorno, atingiu uma mina britânica e afundou no Mar do Norte, provocando a morte dos 27 tripulantes.
A embarcação transportava 18 minas e seis torpedos. Seus destroços permaneceram desconhecidos durante décadas, até serem localizados pelo mergulhador dinamarquês Gert Normann Andersen em 2016. A descoberta revelou não apenas um patrimônio histórico submerso, mas também uma possível fonte de substâncias tóxicas.
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O que os pesquisadores encontraram ao investigar o vazamento de TNT?
Mergulhadores da Marinha dinamarquesa coletaram amostras de água, sedimentos e organismos encontrados nas proximidades do submarino. As análises identificaram TNT e produtos de sua transformação química, confirmando que compostos provenientes das munições estavam entrando no ambiente marinho.
Os cientistas também instalaram gaiolas contendo mexilhões saudáveis para investigar os efeitos da exposição prolongada. Esses animais filtram grandes volumes de água e podem acumular contaminantes, funcionando como indicadores da qualidade ambiental.
A investigação reuniu cinco evidências importantes:
- O UC-30 transportava 18 minas e seis torpedos;
- Os destroços foram redescobertos em 2016;
- Amostras de água apresentaram compostos explosivos;
- Mexilhões acumularam TNT e derivados em seus tecidos;
- Alterações celulares indicaram efeitos associados à exposição.
O vídeo divulgado pelo Sea War Museum Jutland mostra imagens reais dos destroços do UC-30, registradas durante a investigação que confirmou a identidade do submarino em 2016.
Por que o TNT continua escapando das munições depois de tanto tempo?
O TNT, abreviação de trinitrotolueno, é um composto explosivo utilizado amplamente em armamentos militares. Durante décadas, os invólucros metálicos protegeram parcialmente seu conteúdo do contato com a água salgada, mas a corrosão enfraqueceu progressivamente essas barreiras.
Quando a água alcança o explosivo, pequenas quantidades podem se dissolver e circular pelo ambiente. Parte do TNT também se transforma em substâncias como 2-ADNT e 4-ADNT, que permanecem detectáveis e ajudam a identificar a origem da contaminação.
Como os cientistas mediram os efeitos químicos do naufrágio?
O estudo publicado na revista Marine Pollution Bulletin, em abril de 2026, foi liderado por Romina Marietta Schuster, do Instituto Alfred Wegener, com participação de pesquisadores da Universidade de Aarhus e de outras instituições europeias.
A equipe examinou três naufrágios militares no Mar do Norte, incluindo o UC-30. Mexilhões da espécie Mytilus edulis foram mantidos em gaiolas próximas aos destroços durante várias semanas. Depois, os pesquisadores avaliaram substâncias acumuladas nos tecidos e alterações em enzimas relacionadas à defesa celular.

Quais resultados mostraram que a contaminação afeta os organismos marinhos?
No UC-30, os mexilhões apresentaram concentrações particularmente elevadas de TNT e metabólitos quando comparados com animais expostos em outros locais investigados. As análises também revelaram diferenças na atividade de enzimas envolvidas na proteção contra substâncias tóxicas.
Os pesquisadores observaram sinais de estresse oxidativo e alterações em estruturas celulares das glândulas digestivas. Entretanto, esses resultados não demonstram mortalidade generalizada nem permitem calcular diretamente o risco para toda a cadeia alimentar.
| Material investigado | O que foi identificado |
|---|---|
| Água próxima ao naufrágio | TNT e compostos derivados em baixas concentrações |
| Sedimentos marinhos | Resíduos associados às munições |
| Tecidos de mexilhões | Acúmulo de TNT, 2-ADNT e 4-ADNT |
| Indicadores celulares | Alterações enzimáticas e sinais de estresse oxidativo |
Por que milhares de naufrágios ainda representam um problema ambiental?
Um levantamento realizado para autoridades dinamarquesas identificou 10.127 naufrágios nas águas do país. Aproximadamente 15% pertencem aos períodos próximos às duas guerras mundiais. Muitos podem conter combustíveis, munições e outras substâncias capazes de alcançar o ambiente conforme as estruturas se deterioram.
A remoção dos explosivos, entretanto, envolve riscos e custos elevados. Detonações subaquáticas podem dispersar contaminantes, enquanto operações de recuperação exigem equipamentos especializados. Projetos europeus investigam robôs submarinos para localizar, monitorar e eventualmente retirar munições. No caso do UC-30, os cientistas consideram provável que a contaminação seja relativamente localizada, mas alertam que o vazamento pode aumentar com a corrosão.
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