Um réptil marinho morreu há cerca de 180 milhões de anos carregando até oito filhotes, e os pequenos ossos ficaram escondidos dentro do fóssil até serem reconhecidos
Fóssil encontrado em Yorkshire preservou entre seis e oito embriões dentro da região das costelas de um ictiossauro
Um bloco de rocha encontrado perto de Whitby, em Yorkshire, guardava algo muito mais raro do que parecia à primeira vista. Dentro da região das costelas de um ictiossauro grávido, pesquisadores identificaram restos de pelo menos seis e provavelmente oito embriões preservados desde o Jurássico Inferior, há cerca de 180 milhões de anos.
Como os cientistas reconheceram o ictiossauro grávido dentro da rocha?
O exemplar foi coletado por volta de 2010 na costa de North Yorkshire e acabou nas mãos do colecionador Martin Rigby. O bloco calcário havia sido cortado e polido, revelando grandes costelas do animal adulto, pequenas vértebras alinhadas e diversos ossos diminutos que inicialmente precisavam ser interpretados.
Os paleontólogos Mike Boyd e Dean Lomax estudaram o material e concluíram que os pequenos esqueletos pertenciam a embriões. O artigo científico descreveu entre seis e oito indivíduos preservados dentro de um fragmento da caixa torácica do adulto, tornando o fóssil o primeiro registro conhecido de embriões de ictiossauro encontrado em Yorkshire.
O que havia dentro do fóssil encontrado perto de Whitby?
Os embriões não estavam completos como pequenos esqueletos perfeitamente articulados. Cada um era representado principalmente por sequências de centros vertebrais, algumas delas acompanhadas de costelas, além de outros ossos isolados cuja identificação anatômica não pôde ser determinada com certeza.
Entre os elementos observados pelos pesquisadores estavam:
- Grandes costelas pertencentes ao animal adulto.
- Pequenas sequências de vértebras embrionárias.
- Costelas associadas a alguns dos embriões.
- Ossos isolados, incluindo possíveis fragmentos cranianos.
- Restos correspondentes a pelo menos seis e provavelmente oito filhotes.

Como os pesquisadores confirmaram que era um ictiossauro grávido?
Uma hipótese considerada pelos cientistas foi a de que aqueles pequenos ossos poderiam representar conteúdo do estômago. Essa possibilidade, entretanto, apresentou problemas importantes: seria improvável que o animal tivesse ingerido simultaneamente seis a oito ictiossauros recém-nascidos ou abortados, e os restos não mostravam sinais esperados de erosão provocada pela digestão.
Além disso, os ossos diminutos não estavam associados aos tipos de alimento encontrados com frequência no conteúdo estomacal de ictiossauros do Jurássico Inferior, como restos de belemnites. A posição dentro da caixa torácica e o conjunto das evidências levaram os autores a interpretar o material como embriões preservados durante uma gestação.
De quando é o fóssil e onde exatamente ele foi encontrado?
O espécime pertence ao estágio Toarciano do Jurássico Inferior e tem aproximadamente 180 milhões de anos, portanto é mais recente do que os “cerca de 200 milhões” sugeridos inicialmente. O artigo científico informa que a rocha veio da Whitby Mudstone Formation, na região costeira próxima de Whitby, em North Yorkshire.
| Característica | Registro do exemplar |
|---|---|
| Idade | Cerca de 180 milhões de anos |
| Período | Jurássico Inferior, Toarciano |
| Embriões | Pelo menos 6, provavelmente 8 |
| Região | Costa de North Yorkshire |
O material posteriormente foi adquirido pelo Yorkshire Museum, onde passou a integrar a coleção e uma exposição dedicada ao Jurássico da região. O achado é especialmente importante porque fósseis de ictiossauros são comuns no Reino Unido, mas exemplares preservando embriões são muito mais raros.
O que o ictiossauro grávido revela sobre a reprodução desses répteis?
Os ictiossauros eram répteis totalmente adaptados ao ambiente marinho e davam à luz filhotes vivos, em vez de retornar à terra para colocar ovos. Outros fósseis encontrados em diferentes partes do mundo já haviam demonstrado essa reprodução vivípara muito antes do exemplar de Yorkshire ser estudado.
Segundo a Universidade de Manchester, oito espécies diferentes de ictiossauros já foram documentadas com embriões. O gênero Stenopterygius concentra muitos desses registros, inclusive exemplares alemães contendo de um a onze embriões. O fóssil britânico pode pertencer ao mesmo gênero, mas não preserva características suficientes para uma identificação segura.
Por que esses pequenos ossos demoraram tanto para chamar atenção?
Fósseis desse tipo podem ser difíceis de interpretar porque embriões possuem ossos minúsculos e delicados, que podem parecer fragmentos desconexos dentro da rocha. No exemplar de Yorkshire, foi necessário reconhecer padrões anatômicos, especialmente as sequências de pequenas vértebras, antes de compreender que vários indivíduos estavam presentes dentro da região corporal do adulto.
O ictiossauro grávido preservou, portanto, muito mais do que a morte de um único réptil marinho. A rocha registrou uma etapa do ciclo reprodutivo desses animais e conservou evidências de uma gestação ocorrida em um mar jurássico há aproximadamente 180 milhões de anos.
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