Um raro meteorito encontrado no Saara pode ser um fragmento de um mundo perdido do tamanho da Lua, destruído enquanto os planetas do Sistema Solar ainda estavam se formando
Uma pequena rocha encontrada no deserto do Saara reacendeu debates sobre a formação do Sistema Solar
Uma pequena rocha encontrada no deserto do Saara reacendeu debates sobre a formação do Sistema Solar.
Com tamanho aproximado ao de um punho, o meteorito Northwest Africa 12774 intriga por sua composição rara e por indícios de que seria fragmento de um antigo corpo quase tão grande quanto a Lua.
Por que o meteorito Northwest Africa 12774 é considerado tão especial?
O meteorito Northwest Africa 12774 pertence ao grupo raríssimo dos angritos, rochas vulcânicas muito antigas e pouco representadas entre os meteoritos conhecidos. As análises indicam que ele se solidificou poucos milhões de anos após o nascimento do Sol, há mais de 4,5 bilhões de anos.
Sua baixa quantidade de sílica, em contraste com rochas da Terra e de Marte, sugere um corpo de origem com história química distinta. Assim, o meteorito funciona como um “arquivo geológico” de um protoplaneta que não sobreviveu à fase caótica de formação dos mundos rochosos.
#PPOD: Rare Meteorite 🪨
— The SETI Institute (@SETIInstitute) June 11, 2026
This #meteorite was found in 2019 in northwest Africa and is officially named NWA 12774. Classified as an angrite, this relatively rare type of meteorite is made from material that formed just a few million years after the solar system began. Usually,… pic.twitter.com/44VrKpxGDT
O que os minerais do meteorito revelam sobre sua origem?
Cientistas estudaram cristais de clinopiroxênio, mineral que registra condições de pressão e temperatura durante a cristalização do magma. A alta concentração de alumínio nesses cristais indica que eles se formaram sob pressões muito superiores às de pequenos asteroides comuns.
Com um novo “barômetro” mineralógico, a equipe estimou pressões em torno de 17,5 kilobares, mais de dezessete vezes a pressão no ponto mais profundo dos oceanos terrestres. Isso aponta para um corpo-mãe com gravidade forte e dimensões comparáveis às de um pequeno planeta.
Esse meteorito é realmente fragmento de um mundo quase do tamanho da Lua?
Transformar pressão em tamanho exige estimar a profundidade em que o magma cristalizou. Se a formação tivesse ocorrido em grandes profundidades, um corpo com cerca de 1.000 quilômetros de raio já explicaria as pressões calculadas pelos pesquisadores.
No entanto, as bordas bem preservadas dos cristais sugerem cristalização relativamente rasa, incompatível com longas permanências em regiões muito quentes. Nesse cenário, o corpo de origem precisaria ser ainda maior, com raio superior a 1.800 quilômetros, aproximando-se da escala lunar.
A Shattered Lost World: Rare Meteorite Reveals a Giant Protoplanet That Once Roamed the Early Solar System
— Black Hole (@konstructivizm) June 3, 2026
Imagine a mysterious planet, possibly as large as Mars or at least the size of our Moon, silently orbiting the young Sun about 4.5 billion years ago—right after the solar… pic.twitter.com/JMfANzaeJA
Como o protoplaneta de origem pode ter se formado e desaparecido?
A composição pobre em sílica, da região interna às camadas externas, indica que esse protoplaneta se formou a partir de um “lote” de matéria distinto do que originou Terra e Marte. Isso reforça a ideia de grande diversidade de mundos nos primeiros milhões de anos do Sistema Solar.
Para resumir a provável trajetória desse mundo perdido, pesquisadores propõem uma sequência evolutiva em etapas principais, da formação inicial à chegada do fragmento à Terra:
Formação inicial: crescimento a partir de poeira e agregados na região interna do Sistema Solar;
Diferenciação: separação de camadas internas e atividade vulcânica intensa;
Colisão catastrófica: impacto com outro grande corpo, levando à fragmentação;
Dispersão de fragmentos: incorporação parcial a outros planetas em formação;
Queda na Terra: pequenos restos preservados como meteoritos, como o Northwest Africa 12774.
Que perguntas futuras esse meteorito ajuda a investigar?
O cenário de um “mundo perdido” ainda depende de confirmação independente, pois se apoia em um único meteorito e em uma técnica recente. Outras amostras de angritos, guardadas em coleções científicas, serão fundamentais para testar se pressões semelhantes aparecem em diferentes exemplares.
Pesquisas futuras devem focar na reaplicação do barômetro mineralógico a meteoritos antigos, em simulações de protoplanetas pobres em sílica e na comparação química entre diferentes grupos de rochas espaciais.
Se as evidências convergirem, o Northwest Africa 12774 poderá consolidar-se como rara amostra física de um protoplaneta extinto.
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