Um planeta coberto por lava reflete três quartos da luz da própria estrela e pode estar escondendo nuvens minerais sobre um oceano derretido
Observações do James Webb revelaram um planeta extremamente quente que reflete cerca de 75% da luz estelar e pode manter nuvens minerais sobre magma
Um planeta rochoso localizado a aproximadamente 280 anos-luz da Terra está desafiando as previsões sobre atmosferas em mundos extremamente quentes. Observações do Telescópio Espacial James Webb indicam que TOI-561 b reflete cerca de 75% da luz recebida de sua estrela, possivelmente graças a nuvens formadas por minerais vaporizados. A descoberta, apresentada em outubro de 2026, sugere que uma atmosfera espessa pode sobreviver sobre um oceano de magma, mesmo sob radiação intensa.
Como o planeta TOI-561 b surpreendeu os pesquisadores do James Webb?
TOI-561 b orbita uma estrela na constelação de Sextante, completando uma volta em menos de 11 horas. A proximidade é tão extrema que a superfície provavelmente apresenta temperaturas suficientes para manter rochas derretidas. Por isso, modelos anteriores indicavam que o planeta deveria ter perdido grande parte de sua atmosfera.
Entretanto, medições publicadas em 2025 mostraram que o lado iluminado emitia menos radiação infravermelha do que o esperado para uma rocha escura e desprotegida. Os cientistas passaram a investigar duas explicações: parte do calor poderia alcançar o hemisfério noturno ou uma camada refletora poderia impedir que a radiação estelar aquecesse intensamente o planeta.
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Como as nuvens minerais de TOI-561 b poderiam refletir tanta luz?
Em temperaturas extremas, compostos presentes nas rochas podem vaporizar e alcançar regiões superiores da atmosfera. Quando esse vapor encontra condições favoráveis, os minerais podem se condensar, produzindo partículas que espalham e refletem parte da luz estelar.
Os modelos investigaram cinco mecanismos relacionados:
- Vaporização de minerais próximos à superfície derretida;
- Transporte de compostos pelas correntes atmosféricas;
- Condensação de partículas de dióxido de silício;
- Formação de nuvens com silicatos de magnésio;
- Reflexão da radiação antes que ela aqueça o planeta.
Essas nuvens funcionariam como um enorme escudo refletor, mas sua composição ainda não foi identificada diretamente. As observações mostram uma refletividade elevada; as partículas de silicato são a explicação física favorecida pelas simulações.

Por que o oceano de magma de TOI-561 b poderia manter uma atmosfera espessa?
Planetas extremamente próximos de suas estrelas recebem radiação capaz de aquecer e acelerar o escape de gases. No entanto, um oceano de rochas fundidas pode armazenar substâncias voláteis e liberá-las continuamente, funcionando como uma fonte de reposição atmosférica.
Os pesquisadores consideram a possibilidade de existir uma troca entre o magma e a atmosfera. Parte dos gases poderia escapar do interior, enquanto outra parcela seria absorvida novamente pelo material fundido. Esse equilíbrio hipotético ajudaria a explicar a permanência atmosférica, mas ainda faltam medições para determinar sua eficiência e composição química.
Qual estudo científico identificou a atmosfera altamente refletora de TOI-561 b?
O estudo publicado na revista The Astronomical Journal, em setembro de 2026, foi liderado por Samuel Boucher e Lisa Dang, com participação de Alex McGinty, Raymond Pierrehumbert e outros pesquisadores internacionais. A equipe combinou medições do instrumento NIRSpec com simulações tridimensionais da circulação atmosférica.
Ao acompanhar a chamada curva de fase, os cientistas mediram como a radiação térmica observada mudava durante a órbita. O lado noturno revelou-se insuficientemente quente para explicar toda a energia ausente no hemisfério iluminado. Isso fortaleceu a hipótese de que grande parte da luz estelar é refletida antes de aquecer o planeta.
Quais números demonstram a refletividade extraordinária de TOI-561 b?
O James Webb acompanhou o sistema durante aproximadamente 37 horas, registrando quase quatro órbitas completas. Os dados indicaram um albedo de Bond de aproximadamente 0,74, grandeza que representa a fração da energia estelar refletida pelo planeta.
As estimativas também apontaram uma temperatura de brilho próxima de 1.775 °C no lado iluminado e cerca de 816 °C no hemisfério noturno. São valores inferidos da radiação observada, não medições diretas da temperatura da superfície. Apesar da reflexão intensa, TOI-561 b continua extremamente quente.
| Indicador astronômico | Resultado estimado |
|---|---|
| Distância da Terra | Aproximadamente 280 anos-luz |
| Período orbital | Menos de 11 horas |
| Observação contínua do James Webb | 37 horas |
| Albedo de Bond | 0,74 ± 0,10 |
| Temperaturas de brilho estimadas | 1.775 °C durante o dia e 816 °C à noite |
Por que a atmosfera de TOI-561 b pode mudar os modelos de planetas rochosos?
A descoberta sugere que mundos submetidos a radiação extrema podem manter atmosferas substanciais por períodos prolongados. Isso amplia as possibilidades de investigar a composição de planetas rochosos muito próximos de suas estrelas, especialmente aqueles com superfícies parcialmente ou totalmente derretidas.
Entretanto, os pesquisadores ainda não confirmaram diretamente a presença de nuvens de silicatos nem a composição da atmosfera. Entre as possibilidades estão gases ricos em dióxido de carbono ou dióxido de enxofre. Novas observações em comprimentos de onda maiores poderão distinguir esses cenários e esclarecer se o oceano de magma realmente mantém um ciclo contínuo de reposição gasosa.
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