Um pequeno parente dos coelhos passa o inverno entre pedras usando pilhas de plantas secas como despensa
O pika coleta e seca vegetação durante o verão para permanecer ativo sob a neve e atravessar o inverno sem entrar em hibernação
Nas montanhas do oeste da América do Norte, o pika-americano (Ochotona princeps) passa grande parte da vida entre campos de pedras e fendas frias. Apesar de pertencer à mesma ordem de coelhos e lebres, é bem menor que a maioria deles. Como não hiberna, aproveita os meses quentes para colher gramíneas, flores, folhas e pequenos ramos, secando e armazenando essa vegetação em pilhas que funcionarão como alimento quando a neve cobrir a paisagem.
Por que o pika-americano prefere viver entre pedras?
O habitat típico são encostas de talude formadas por blocos e fragmentos de rocha em regiões montanhosas. As inúmeras cavidades entre essas pedras oferecem esconderijos contra predadores e criam um microclima mais estável que a superfície exposta.
Essas fendas também funcionam como refúgio térmico. O animal possui pelagem densa e metabolismo elevado, adaptações úteis para o frio, mas que aumentam sua sensibilidade ao calor. Em dias quentes, permanecer sob as pedras ajuda a evitar temperaturas perigosamente altas.
Como o pika-americano prepara comida para o inverno?
Durante a estação de crescimento, o animal sai repetidamente das rochas, corta vegetação com os dentes e carrega pequenos feixes na boca. Parte desse material fica exposta temporariamente ao ar e ao sol, perdendo umidade antes de ser levada para áreas protegidas.
Essas reservas são conhecidas como haypiles, ou pilhas de feno. Algumas podem atingir volumes surpreendentes para um mamífero tão pequeno e incluem dezenas de espécies vegetais escolhidas nas proximidades do território.
- Gramíneas e ciperáceas;
- Flores e outras plantas herbáceas;
- Folhas e pequenos arbustos;
- Samambaias;
- Ramos e agulhas de coníferas em algumas áreas.
Este vídeo da National Geographic mostra um pika-americano movimentando-se entre pedras em seu habitat alpino.
Por que o pika-americano não precisa hibernar?
Ao contrário de marmotas e alguns esquilos terrestres das mesmas montanhas, o pika-americano permanece ativo durante todo o inverno. Quando a neve cobre a superfície, ele continua circulando por túneis formados entre a neve, as pedras e suas reservas de alimento.
A própria neve pode ajudar. Uma camada espessa funciona como isolamento térmico e protege o espaço sob as rochas contra temperaturas extremas. O animal consome suas reservas, mas também pode procurar vegetação disponível quando as condições permitem.
As pilhas de plantas são apenas comida armazenada?
Principalmente, mas sua utilização é mais sofisticada do que simplesmente juntar qualquer planta disponível. Pikas podem selecionar materiais com características diferentes e aproveitar mudanças químicas que ocorrem durante o armazenamento.
O National Park Service registra que as reservas incluem gramíneas, ervas, samambaias, partes de arbustos e até ramos de coníferas. Em espécies próximas, há também evidências de armazenamento de plantas inicialmente menos palatáveis, que podem ser consumidas mais tarde.

O que os números mostram sobre esse pequeno mamífero?
O pika-americano mede aproximadamente 15 a 23 centímetros e pesa geralmente entre cerca de 120 e 200 gramas, muito menos que um coelho doméstico típico. Ainda assim, precisa reunir alimento suficiente para atravessar vários meses de frio.
Em Rocky Mountain National Park, algumas pilhas armazenadas podem chegar ao volume aproximado de uma banheira. O período disponível para cortar, transportar e secar plantas costuma se concentrar em poucos meses do verão alpino.
| Característica | Registro aproximado |
|---|---|
| Comprimento | 15–23 cm |
| Peso | 120–200 g |
| Habitat típico | Taludes e campos de rochas |
| Estratégia de inverno | Permanece ativo e usa reservas |
Por que o pika-americano é tão associado às mudanças climáticas?
A mesma fisiologia que permite enfrentar frio intenso cria problemas em ambientes mais quentes. Pikas precisam limitar sua atividade superficial quando a temperatura sobe e dependem de refúgios frios entre as rochas para controlar o calor corporal.
O pika-americano mostra, portanto, uma estratégia diferente da hibernação: em vez de desligar o metabolismo durante meses, prepara antecipadamente uma despensa vegetal e continua ativo sob a neve. O sucesso desse sistema depende diretamente do equilíbrio entre verão suficientemente produtivo e inverno suficientemente frio.
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