Um pequeno baiacu passa mais de uma semana desenhando no fundo do mar um círculo geométrico de 2 metros, usando apenas as nadadeiras para construir o ninho que atrai a fêmea
Um pequeno baiacu passa mais de uma semana esculpindo um círculo geométrico de 2 metros no fundo do mar usando só as nadadeiras. Veja como e por quê

O que você vai ver
- Qual pequeno baiacu desenha um círculo de 2 metros no fundo do mar.
- Como o macho constrói os sulcos radiais do desenho.
- Por que mergulhadores levaram anos para descobrir quem fazia os círculos.
- Qual o papel da areia fina levada ao centro do desenho.
Por anos, mergulhadores encontravam círculos geométricos perfeitos no fundo do mar, ao largo do Japão, sem conseguir explicar quem os produzia. O responsável era um peixe pequeno, medindo pouco mais de 10 centímetros, que passa mais de uma semana desenhando sozinho cada obra.
Qual pequeno baiacu desenha um círculo de 2 metros no fundo do mar?
O responsável pelos círculos é um baiacu da espécie Torquigener albomaculosus, encontrado nas águas ao redor da ilha de Amami Oshima, no Japão, que constrói sozinho estruturas circulares de cerca de 2 metros de diâmetro no fundo arenoso do oceano.
O peixe, bem menor do que o próprio círculo que constrói, dedica entre uma e duas semanas exclusivamente à obra, período em que se movimenta repetidamente ao redor do mesmo ponto até formar o desenho geométrico completo.
White-spotted pufferfish (Torquigener albomaculosus) in the process of creating a large, circular nest on the seafloor to attract a mate.
— Bella (@natural77384672) June 25, 2026
Male pufferfish spend days sculpting these intricate, geometric patterns in the sand using their fins to carve ridges and grooves that protect… pic.twitter.com/A7xWrNoLrq
Como o macho constrói os sulcos radiais do desenho?
Usando apenas as próprias nadadeiras, o baiacu macho escava uma série de sulcos que se irradiam a partir do centro do círculo, como raios saindo de um ponto central, movimento repetitivo que aos poucos esculpe a areia do fundo do mar num padrão altamente simétrico.
Esse trabalho de escultura submarina não usa nenhuma ferramenta além do próprio corpo do peixe, que precisa repetir o mesmo trajeto centenas de vezes ao longo dos dias para que os sulcos fiquem uniformes o suficiente para formar o desenho circular completo.
Por que mergulhadores levaram anos para descobrir quem fazia os círculos?
Os círculos geométricos já eram registrados por mergulhadores havia anos ao redor da mesma região do Japão, mas o baiacu responsável raramente era flagrado no momento exato da construção, já que o processo acontece de forma gradual, sulco por sulco, ao longo de muitos dias.
O tamanho reduzido do peixe em comparação com a obra que produzia também dificultava a associação direta entre os dois: era difícil imaginar que um animal tão pequeno fosse capaz de esculpir sozinho, com precisão geométrica, uma estrutura tantas vezes maior que o próprio corpo.
Qual o papel da areia fina levada ao centro do desenho?
Depois de esculpir os sulcos radiais, o macho carrega grãos de areia mais fina até o centro exato do círculo, criando ali uma textura diferente do restante do desenho, ponto que se torna o local exato onde a fêmea deposita os ovos após ser atraída pela estrutura.

Por que os sulcos radiais ajudam a atrair a fêmea?
Testes posteriores com os círculos sugeriram que o padrão de sulcos radiais tem uma função hidrodinâmica: a estrutura altera o fluxo da água ao redor do centro do círculo, reduzindo a energia das correntes marinhas naquele ponto específico, o que pode ajudar a proteger os ovos depois de depositados.
Além da função prática, o próprio padrão visual do círculo parece funcionar como um sinal de qualidade para a fêmea, já que construir uma estrutura tão simétrica e elaborada exige tempo, energia e precisão, características que sinalizam a aptidão física do macho responsável pela obra.
- Espécie responsável: baiacu Torquigener albomaculosus.
- Diâmetro do círculo: cerca de 2 metros.
- Tempo de construção: mais de uma semana, só com as nadadeiras.
- Areia fina no centro marca o ponto exato da reprodução.
Assim como esse comportamento do baiacu levou anos para ser associado ao animal certo, outras descobertas científicas recentes também dependeram de métodos indiretos para revelar informações escondidas havia muito tempo, como mostra o estudo que reconstruiu um genoma humano completo a partir de um pedaço de piche mastigado há 5.700 anos.
Mais detalhes sobre os círculos construídos pelo baiacu estão disponíveis no Natural History Museum.
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