Um pepino-do-mar transparente rasteja a 2.750 metros tão devagar que o intestino pode ser visto cheio de sedimento enquanto ele procura alimento
Animal transparente registrado no Golfo do México avança lentamente sobre tentáculos enquanto recolhe matéria orgânica acumulada no fundo
No norte do Golfo do México, pesquisadores registraram um Enypniastes transparente a cerca de 2.750 metros de profundidade avançando sobre seus tentáculos a aproximadamente 2 centímetros por minuto. O corpo translúcido permite observar o trato digestivo cheio de sedimento enquanto o animal recolhe a fina camada superficial do fundo, rica em matéria orgânica que desceu lentamente das águas iluminadas.
Por que Enypniastes vive tão fundo no oceano?
Enypniastes eximia é um pepino-do-mar, portanto um equinodermo relacionado a estrelas-do-mar e ouriços. Registros mostram a espécie em águas profundas de diferentes regiões do planeta, incluindo Golfo do México, Atlântico, Nova Zelândia e Oceano Austral.
A 2.750 metros, a pressão é aproximadamente 275 vezes a pressão atmosférica ao nível do mar. Como outros pepinos-do-mar profundos, o animal não possui grandes espaços internos preenchidos por gás, característica que reduz alguns dos problemas mecânicos impostos pela pressão extrema.
Como esse animal consegue se alimentar andando tão devagar?
Quando está no fundo, o animal estende tentáculos modificados ao redor da boca e recolhe a camada superficial de sedimento. O material contém partículas orgânicas provenientes de organismos, fezes e detritos que afundaram desde regiões superiores do oceano.
A lentidão não significa ineficiência. Como o alimento está distribuído pelo sedimento, avançar enquanto varre sua superfície permite aproveitar pequenas quantidades de matéria nutritiva. O restante atravessa o sistema digestivo e posteriormente retorna ao fundo.
- Profundidade do registro no Golfo do México de 2.750 metros;
- Velocidade observada de cerca de 2 centímetros por minuto;
- Tentáculos usados para recolher sedimento;
- Matéria orgânica do fundo aproveitada como alimento.
Este vídeo mostra Enypniastes eximia alimentando-se durante uma observação de águas profundas realizada com imagens do NOAA Ocean Exploration.
O que a transparência de Enypniastes permite enxergar?
A parede corporal pode ser suficientemente translúcida para deixar o sistema digestivo claramente visível. Fotografias obtidas em expedições mostram o intestino formando curvas através do corpo, especialmente evidente depois que o animal ingeriu sedimento escuro do fundo oceânico.
Isso não significa que seja possível observar cada etapa microscópica da digestão externamente. O que as imagens revelam é principalmente o trato intestinal e o material ingerido passando por ele, oferecendo uma visão pouco comum da alimentação de um animal em seu ambiente natural.
Esse pepino-do-mar passa toda a vida rastejando?
Não. Uma característica marcante de Enypniastes eximia é justamente sua capacidade de nadar. Estruturas membranosas semelhantes a grandes abas podem ser pulsadas para levantar o animal do substrato e permitir deslocamentos pela coluna d’água.
O Smithsonian Ocean registra o exemplar observado a 2.750 metros avançando a cerca de 2 centímetros por minuto. Quando precisa mudar rapidamente de área ou escapar de uma ameaça, porém, o animal pode abandonar o fundo e nadar.

O que os números mostram sobre Enypniastes?
O registro divulgado pelo Census of Marine Life ocorreu no norte do Golfo do México e mostrou um indivíduo locomovendo-se lentamente enquanto varria sedimento rico em detritos para a boca. A observação ajudou a popularizar um comportamento difícil de acompanhar diretamente em profundidades tão grandes.
Outras expedições confirmaram que a espécie permanece grande parte do tempo associada ao fundo para se alimentar, embora também seja encontrada nadando. A combinação entre alimentação bentônica e capacidade de natação diferencia Enypniastes de muitos pepinos-do-mar menos móveis.
| Observação | Registro |
|---|---|
| Profundidade | 2.750 m |
| Velocidade | Cerca de 2 cm/min |
| Pressão aproximada | Cerca de 275 atmosferas |
| Alimentação | Matéria orgânica associada ao sedimento |
Por que esse comportamento importa para o fundo oceânico?
Pepinos-do-mar ajudam a processar sedimentos e redistribuir matéria orgânica no fundo do oceano. Ao ingerir partículas e eliminar aquilo que não aproveitam, eles participam da reciclagem de nutrientes e da transformação do carbono que chegou das camadas superiores.
Enypniastes eximia mostra ainda que mesmo o fundo escuro não é um ambiente imóvel. Material produzido perto da superfície desce como neve marinha, entra nos sedimentos e acaba sendo processado por animais que, mesmo avançando apenas alguns centímetros por minuto, fazem parte de um enorme sistema de reciclagem oceânica.
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