Um peixe atravessa o fundo usando nadadeiras como pernas e passos curtos substituem a natação quando ele caça entre pedras
Nadadeiras modificadas permitem que diferentes peixes caminhem sobre o substrato e se movam com precisão em ambientes apertados
No fundo de mares e rios, peixes bentônicos desenvolveram maneiras surpreendentes de se deslocar sem depender da natação contínua. Algumas linhagens usam nadadeiras modificadas para apoiar, impulsionar ou estabilizar o corpo sobre pedras, areia e recifes, transformando movimentos originalmente aquáticos em algo funcionalmente parecido com caminhar.
Como peixes bentônicos conseguem caminhar sobre o fundo?
O comportamento surgiu independentemente em diferentes grupos. Peixes-sapo, peixes-morcego, handfish, alguns linguados e outros habitantes do fundo apresentam formas próprias de locomoção apoiada no substrato. Em várias dessas espécies, nadadeiras peitorais e, às vezes, pélvicas tornaram-se robustas e altamente móveis.
Nos peixes-sapo da família Antennariidae, por exemplo, as nadadeiras peitorais possuem musculatura desenvolvida e articulações capazes de grande amplitude de movimento. O animal apoia partes dessas nadadeiras no substrato, transfere o peso e avança lentamente, produzindo movimentos que lembram passos.
Por que peixes bentônicos caminham em vez de simplesmente nadar?
Para um predador que vive permanentemente próximo ao fundo, nadar rapidamente nem sempre oferece vantagem. Movimentos curtos sobre o substrato permitem permanecer perto de rochas, corais, esponjas e outros elementos usados como camuflagem, aproximando o animal de possíveis presas sem abandonar sua posição bentônica.
Estudos também sugerem que andar junto ao fundo pode produzir perturbações menores na água do que determinadas formas de natação. Isso pode ser vantajoso para espécies de emboscada, embora não exista uma única explicação aplicável a todos os peixes que desenvolveram locomoção bentônica.
- Nadadeiras apoiam o corpo no substrato;
- Movimentos alternados produzem avanço lento;
- Camuflagem pode ser preservada durante o deslocamento;
- O peixe permanece próximo às áreas de alimentação;
- Diferentes espécies desenvolveram marchas distintas.
Este vídeo mostra diretamente um peixe-morcego caminhando sobre o fundo marinho.
As nadadeiras realmente funcionam como pernas?
Não são pernas verdadeiras. Nadadeiras e membros dos tetrápodes possuem histórias anatômicas diferentes, embora compartilhem uma origem evolutiva muito antiga nas estruturas pares dos vertebrados. O termo “andar” descreve o modo de locomoção, e não significa que o peixe tenha desenvolvido patas completas.
Nos peixes-sapo, as nadadeiras peitorais podem dobrar e girar de maneira incomum para um peixe. Algumas espécies alternam os apoios como numa marcha, enquanto outras utilizam um movimento conhecido como “crutching”, no qual as grandes nadadeiras peitorais sustentam e reposicionam o corpo.
O que a biomecânica revela sobre esse tipo de movimento?
Um estudo sobre locomoção bentônica em peixes demonstrou diretamente que raios modificados das nadadeiras podem exercer força contra o substrato e produzir propulsão. Isso confirmou que determinados peixes não estão apenas tocando o fundo enquanto nadam: o contato participa efetivamente do deslocamento.
Outras pesquisas mostram que a locomoção bentônica evoluiu várias vezes entre vertebrados aquáticos. Dependendo da espécie, podem participar nadadeiras peitorais, pélvicas, dorsais, anais ou raios especializados, produzindo marchas mecanicamente muito diferentes umas das outras.

Por que peixes bentônicos podem se beneficiar desse movimento em espaços apertados?
Entre pedras, fendas e estruturas complexas, nadar exige espaço para movimentar o corpo e as nadadeiras. Passos curtos permitem ajustes precisos de posição e facilitam mudanças de direção sem que o animal precise ganhar velocidade ou abandonar o contato com o substrato.
Para predadores de emboscada, isso também ajuda a manter uma estratégia baseada em discrição. Peixes-sapo, por exemplo, normalmente não perseguem presas por longas distâncias: aproximam-se lentamente ou aguardam imóveis antes de realizar um ataque extremamente rápido.
Caminhar no fundo significa que esses peixes perderam a capacidade de nadar?
Não. A maioria ainda consegue nadar, embora algumas espécies seja pouco eficiente nesse tipo de deslocamento. Peixes-sapo podem mudar rapidamente para propulsão aquática quando precisam escapar, enquanto handfish costumam nadar apenas curtas distâncias.
A evolução não substituiu simplesmente a natação por uma marcha. Ela acrescentou outra opção locomotora adequada a determinados ambientes. Em regiões apertadas e próximas ao fundo, onde precisão e camuflagem podem valer mais que velocidade, caminhar tornou-se uma solução eficiente.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)