Um osso enterrado há 30 mil anos revelou que comunidades distantes da Europa mantinham laços inesperados
Análises genéticas de restos humanos encontrados em três países europeus revelam movimentos populacionais anteriores ao auge da última glaciação.
Um fragmento ósseo de uma mulher de cerca de 30 mil anos, encontrado na caverna de Isturitz, na França, revelou ancestralidade ligada tanto à Europa Ocidental quanto ao centro e ao leste do continente. O estudo também analisou vestígios da Espanha e da Itália, indicando conexões no período gravetiano sem demonstrar contatos entre todas as comunidades.
O que o DNA encontrado em Isturitz revelou sobre o período gravetiano?
O genoma da mulher de Isturitz está associado principalmente à linhagem genética Fournol, identificada na Europa Ocidental, mas também contém um sinal relacionado à linhagem Věstonice, ligada a populações do centro e leste europeu. Um indivíduo anteriormente estudado em Ormesson, também na França, apresenta indícios semelhantes.
A pesquisa publicada na Science Advances, em outubro de 2026, sugere que a separação genética entre essas regiões era menos rígida do que indicavam alguns modelos anteriores. Isso não significa que uma única pessoa tenha viajado por toda a Europa.

Quais vestígios humanos foram examinados na pesquisa?
A equipe liderada pela Universidade de Viena obteve dados genéticos de três indivíduos gravetianos e investigou separadamente DNA humano preservado em sedimentos. Os materiais vieram de contextos distintos:
- Isturitz, França: fragmento de osso de uma mulher.
- Chufín, Espanha: dente com DNA bastante degradado.
- Ostuni, Itália: restos de um feto, Ostuni 1b.
- El Mirón, Espanha: sedimento de aproximadamente 22 mil anos.
O que cada amostra permite concluir sobre essas populações?
As descobertas têm alcances diferentes. O DNA de Isturitz informa sobre mistura de ancestralidades; o material espanhol e o italiano acrescenta pistas distintas, sem representar comunidades inteiras.
Quando ocorreram as conexões entre o leste e o oeste europeu?
Uma modelagem genética situa um possível episódio de mistura entre 32.500 e 31.500 anos atrás. A estimativa considera a hipótese de um único evento de fluxo genético. As ligações podem ter envolvido várias gerações e grupos intermediários, sem exigir deslocamento direto entre dois pontos extremos do continente.
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O comunicado da Universidade de Viena também considera Isturitz um possível ponto de encontro entre grupos. Os vestígios não permitem reconstruir trajetos, frequência dos contatos ou motivos das movimentações.
Por que poucos indivíduos impedem conclusões sobre toda a Europa?
Os genomas antigos são raros e preservados de maneira desigual. Mesmo quando evidenciam contatos entre linhagens, não descrevem automaticamente os hábitos, a língua ou a mobilidade de todas as pessoas do gravetiano.
- Três novos indivíduos não representam todo o continente.
- O dente de Chufín permite análises mais limitadas.
- Semelhança genética não identifica rotas migratórias específicas.
- DNA de sedimentos pode reunir vestígios de várias pessoas.
Os dados revelam contatos antigos e permanência regional ao longo do tempo
O material de El Mirón indica a permanência de ancestralidade relacionada à linhagem Fournol no sudoeste europeu durante o Último Máximo Glacial. A Universidade Sapienza de Roma destaca a confirmação genética do parentesco entre Ostuni 1b e sua mãe.
O quadro combina mobilidade e continuidade: grupos trocaram ancestrais, enquanto linhagens persistiram regionalmente por milênios. Novos genomas serão necessários para esclarecer a extensão desses processos, sem transformar exemplos individuais numa história uniforme da Europa pré-histórica.
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