Um novo estudo descobriu por que os crocodilos sobreviveram ao asteroide que exterminou os dinossauros há 66 milhões de anos
Pesquisadores da UCL cruzaram 245 milhões de anos de clima e descobriram que o grupo sempre migrou atrás de temperaturas quentes para escapar da extinção

O que você vai ver
- O que o novo estudo da UCL descobriu sobre a sobrevivência dos crocodilianos.
- Por que seguir climas quentes foi a estratégia que manteve o grupo vivo.
- Qual foi o limite de luz solar bloqueada testado nas simulações.
- Que exceções ao padrão apareceram ao longo da evolução do grupo.
- Por que os dinossauros não avianos não tiveram a mesma sorte.
Um novo estudo liderado por pesquisadores da University College London (UCL) analisou mais de 7.000 fósseis para explicar por que os crocodilianos sobreviveram ao impacto do asteroide que exterminou os dinossauros não avianos há 66 milhões de anos, enquanto boa parte da vida no planeta desaparecia.
O que o estudo investigou?
A equipe, liderada por Alfio Alessandro Chiarenza, reconstruiu as preferências de temperatura e precipitação de mais de 400 espécies de crocodilomorfos vivas e extintas, cruzando árvores evolutivas com mapas de distribuição atual e modelos computacionais de clima e geografia que cobrem cerca de 245 milhões de anos de história do grupo, publicados agora na revista Science Advances.

Que estratégia manteve o grupo vivo?
A conclusão central é que os crocodilomorfos sempre seguiram climas quentes ao longo da evolução: se expandiam para novas regiões quando o planeta esquentava e recuavam para os trópicos quando esfriava, mantendo um corpo relativamente pequeno, hábitos parcialmente aquáticos, dieta flexível e baixo gasto de energia por serem ectotérmicos.
Qual foi o limite testado para o impacto?
Simulações indicam que as regiões equatoriais continuaram habitáveis mesmo se o impacto de Chicxulub tivesse bloqueado 5% ou 10% da luz solar; só a partir de uma redução de 15%, considerada improvável pelos autores, essas áreas deixariam de ter clima adequado para o grupo, enquanto o aumento de CO2 na atmosfera não mudou esse cálculo.
Houve exceções ao padrão?
O próprio estudo registra desvios: há cerca de 94 milhões de anos, durante um pico de aquecimento do Cretáceo, um ramo do grupo desenvolveu tolerância a temperaturas ainda mais altas, e cerca de 34 milhões de anos atrás um grupo hoje extinto se adaptou a ambientes áridos na Austrália.

Por que os dinossauros não tiveram a mesma sorte?
Modelagens anteriores da mesma equipe mostram que o habitat disponível para os dinossauros não avianos encolheu de forma muito mais drástica depois do impacto, o que ajuda a explicar por que um grupo desapareceu enquanto o outro, mesmo perdendo parentes gigantescos como o Sarcosuchus de 12 metros, seguiu existindo até hoje.
Padrões antigos reconstruídos a partir de evidências físicas acumuladas ao longo de séculos também aparecem na reportagem sobre moedas anglo-saxãs enterradas havia mais de mil anos numa pequena colônia inglesa no Vaticano.
Mais detalhes sobre o estudo estão disponíveis na reportagem original do ScienceDaily.
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