Um meteorito atingiu Oklahoma cerca de 100 milhões de anos depois do que os geólogos acreditavam havia décadas
Cristais de zircão revelam que uma cratera de 16 quilômetros surgiu no Devoniano e não durante a antiga sequência de impactos do Ordoviciano
Uma nova investigação científica revelou que a cratera de Ames, em Oklahoma, é quase 100 milhões de anos mais jovem do que se acreditava. Cristais microscópicos de zircão indicam que o impacto de Ames ocorreu há aproximadamente 370 milhões de anos, modificando sua posição na história geológica e aproximando o evento de uma grande extinção marinha.
Por que o impacto de Ames foi associado a uma antiga chuva de meteoritos?
Escondida sob espessas camadas de sedimentos na cidade de Ames, a estrutura possui aproximadamente 16 quilômetros de diâmetro. Sua origem extraterrestre foi reconhecida após investigações geológicas realizadas na década de 1990. Durante décadas, os pesquisadores consideraram que a colisão aconteceu há cerca de 467 milhões de anos.
Essa estimativa relacionava a cratera ao Evento Meteórico do Ordoviciano, período marcado por impactos registrados em diferentes regiões. Uma hipótese científica propõe que a Terra poderia ter sido cercada temporariamente por um anel de detritos provenientes de asteroides, semelhante aos anéis de Saturno.
O que os cristais de zircão revelaram sobre o impacto de Ames?
Pesquisadores da Universidade do Texas em Austin analisaram minerais retirados de rochas modificadas pela colisão. Os resultados indicaram uma idade média de 369,7 milhões de anos, com margem de incerteza de 5,9 milhões de anos, situando o registro geológico no Devoniano Superior.
A diferença de aproximadamente 98 milhões de anos enfraquece a antiga associação com o Ordoviciano. A nova interpretação também aproxima temporalmente a estrutura de Ames da crise Frasniano-Fameniano, episódio de extinção ocorrido aproximadamente 372 milhões de anos atrás.
Os principais resultados foram:
- Idade anteriormente atribuída de aproximadamente 467 milhões de anos;
- Nova estimativa isotópica de 369,7 milhões de anos;
- Diferença cronológica próxima de 98 milhões de anos;
- Análise de cristais presentes em rochas afetadas pelo impacto;
- Possível relação temporal com uma extinção do Devoniano.

Como pequenos cristais conseguem registrar colisões ocorridas há milhões de anos?
O zircão é um mineral extremamente resistente, capaz de preservar registros químicos de acontecimentos geológicos antigos. Seus cristais incorporam urânio durante a formação, mas normalmente apresentam quantidades muito pequenas de chumbo inicial. Com o passar do tempo, o urânio sofre decaimento radioativo e produz chumbo.
A proporção entre esses elementos permite calcular idades geológicas. Impactos violentos também podem provocar recristalização, deformações microscópicas e alterações isotópicas. Entretanto, distinguir a idade original da rocha das mudanças provocadas pela colisão exige análises detalhadas, especialmente quando diferentes eventos afetaram os mesmos cristais.
Como os cientistas determinaram a nova idade do impacto de Ames?
O estudo publicado na revista Meteoritics & Planetary Science, em julho de 2026, foi liderado pela geóloga Elizabeth Catlos, da Universidade do Texas em Austin. A equipe utilizou espectrometria de massa, datação urânio-chumbo e técnicas avançadas de microscopia, incluindo análises realizadas com colaboração da NASA.
Os cientistas examinaram características estruturais dos minerais para identificar alterações relacionadas ao impacto. Também identificaram cristais muito mais antigos, com aproximadamente 1,4 bilhão de anos, pertencentes às rochas originais. A população mais jovem fornece uma restrição cronológica importante, embora não determine necessariamente o instante exato da colisão.
Quais diferenças existem entre a datação antiga e os novos resultados?
A estimativa anterior dependia principalmente de conodontes, pequenos fósseis de animais marinhos primitivos encontrados em materiais associados à cratera. Esses organismos viveram durante extensos intervalos geológicos. Seus restos poderiam ter sido incorporados posteriormente aos depósitos, produzindo uma interpretação cronológica equivocada.
A nova pesquisa utiliza informações isotópicas dos próprios minerais encontrados nas rochas afetadas. Entretanto, os autores reconhecem que aquecimentos posteriores também modificaram alguns registros minerais, tornando necessária a comparação entre diferentes métodos para reconstruir a sequência dos acontecimentos.
| Registro geológico | Idade estimada |
|---|---|
| Estimativa anterior | 467 milhões de anos |
| Zircões mais jovens | 369,7 ± 5,9 milhões de anos |
| Rocha original | 1,4 bilhão de anos |
| Crise Frasniano-Fameniano | Cerca de 372 milhões de anos |
O que a nova cronologia revela sobre as grandes extinções da Terra?
A proximidade temporal entre o impacto e a crise Frasniano-Fameniano desperta interesse porque esse episódio eliminou numerosas espécies marinhas. Entretanto, não existe demonstração de que a colisão em Ames tenha causado a extinção. Alterações climáticas, vulcanismo e redução do oxigênio oceânico também são investigados.
A descoberta ainda altera estudos sobre a frequência dos impactos terrestres. Retirar Ames do conjunto atribuído ao Ordoviciano modifica interpretações sobre aquele período e reforça a necessidade de revisar outras crateras. Novas datações poderão esclarecer se diferentes colisões realmente ocorreram próximas de grandes transformações ambientais.
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