Um lago que já foi o quarto maior do mundo perdeu quase toda a água depois que dois rios foram desviados para plantações

07.10.2026

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Um lago que já foi o quarto maior do mundo perdeu quase toda a água depois que dois rios foram desviados para plantações
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5 minutos de leitura 06.09.2026 14:38 comentários
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Um lago que já foi o quarto maior do mundo perdeu quase toda a água depois que dois rios foram desviados para plantações

O desvio do Amu Darya e do Syr Darya para irrigação transformou um enorme lago da Ásia Central em fragmentos de água cercados por sal e deserto

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Um lago que já foi o quarto maior do mundo perdeu quase toda a água depois que dois rios foram desviados para plantações
O Mar de Aral perdeu grande parte de sua superfície depois que os rios que o alimentavam foram desviados para projetos de irrigação

Durante a primeira metade do século XX, o Mar de Aral era o quarto maior lago do mundo em área e sustentava comunidades pesqueiras entre os atuais Cazaquistão e Uzbequistão. A partir da expansão soviética da agricultura irrigada, porém, grande parte da água dos rios Amu Darya e Syr Darya passou a ser desviada para plantações, sobretudo de algodão e outras culturas. Nas décadas seguintes, o lago encolheu drasticamente, fragmentou-se e deixou vastas áreas de seu antigo leito expostas.

Por que o Mar de Aral começou a desaparecer tão rapidamente?

Os dois principais rios que alimentavam o lago traziam água originada de neve e precipitação nas montanhas da Ásia Central. O Amu Darya desembocava principalmente no setor sul, enquanto o Syr Darya alimentava o norte. Durante milhares de anos, essa entrada de água compensou grande parte da evaporação intensa característica da região árida.

A situação mudou especialmente a partir da década de 1960, quando a União Soviética ampliou enormes projetos de irrigação no Cazaquistão, Uzbequistão e Turcomenistão. Água que seguiria até o lago passou a alimentar campos agrícolas. Com a entrada insuficiente para compensar a evaporação, o nível começou a cair de maneira persistente.

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Como o desvio dos rios transformou o Mar de Aral?

A irrigação permitiu aumentar a produção agrícola em áreas desérticas, mas exigiu volumes gigantescos de água. Além do algodão, arroz e outras culturas também eram irrigados. Muitos canais apresentavam perdas consideráveis, aumentando ainda mais a retirada necessária dos rios que originalmente terminavam no lago.

À medida que o nível diminuía, ilhas passaram a se conectar ao continente e antigas áreas costeiras ficaram quilômetros distantes da água. Em 1989, imagens de satélite já mostravam que as partes norte e sul estavam praticamente separadas, iniciando uma fragmentação que continuaria nas décadas seguintes.

  • O Amu Darya e o Syr Darya tiveram grande parte de seus fluxos desviada.
  • A expansão da irrigação acelerou principalmente depois de 1960.
  • A superfície do lago diminuiu drasticamente.
  • O antigo corpo d’água fragmentou-se em vários lagos menores.
  • Portos e comunidades pesqueiras ficaram longe da nova linha de costa.

Este registro em português mostra a paisagem do antigo Mar de Aral e os efeitos visíveis do recuo da água.

Quanto o Mar de Aral realmente encolheu?

Os números variam conforme o ano usado para comparação, porque algumas partes ainda recebem água e mudam sazonalmente. Dados da NASA indicam que, desde 1960, o lago chegou a perder cerca de 88% da superfície e 92% do volume de água. Em anos posteriores, algumas estimativas apontaram que restava aproximadamente um décimo de sua área original.

O desaparecimento também não ocorreu de maneira uniforme. O setor norte conservou mais água, enquanto grandes partes do sul secaram quase completamente em determinados anos. Em 2014, por exemplo, o lobo oriental do Aral Sul chegou a ficar totalmente seco.

O que aconteceu com os peixes e com as cidades que dependiam do lago?

Antes da retração, o lago sustentava uma importante indústria pesqueira e ajudava a moderar o clima regional. Conforme a água diminuiu, a salinidade aumentou e várias espécies de peixes deixaram de sobreviver em extensas áreas, provocando o colapso de boa parte da pesca comercial.

Antigos portos ficaram cercados por terreno seco, enquanto empregos associados à pesca e ao processamento de pescado desapareceram. A perda econômica foi acompanhada por mudanças ambientais profundas, mostrando que o problema não se limitava ao volume de água presente no lago.

O desvio do Amu Darya e do Syr Darya para a agricultura reduziu a entrada de água no lago e acelerou a formação do deserto de Aralkum
O desvio do Amu Darya e do Syr Darya para a agricultura reduziu a entrada de água no lago e acelerou a formação do deserto de Aralkum

O que ficou no lugar da água que desapareceu?

Grande parte do leito exposto transformou-se no deserto de Aralkum. A NASA estima que essa nova região desértica tenha alcançado aproximadamente 62 mil quilômetros quadrados. Sal e sedimentos antes cobertos pela água ficaram disponíveis para serem transportados pelo vento.

A NASA acompanha por satélite a transformação do Mar de Aral há décadas, permitindo comparar diretamente a extensão histórica do lago com os fragmentos atuais. As imagens mostram uma das mudanças ambientais induzidas por atividade humana mais visíveis do espaço.

IndicadorMudança registrada
Posição históricaQuarto maior lago do mundo antes de 1960.
Área perdidaCerca de 88% em estimativas publicadas pela NASA.
Volume perdidoCerca de 92% em estimativas históricas.
Novo desertoAralkum, com aproximadamente 62 mil km².

O desaparecimento do lago pode ser totalmente revertido?

Uma recuperação completa às dimensões anteriores à década de 1960 é extremamente difícil porque os rios continuam fundamentais para agricultura e abastecimento regional. No entanto, o setor norte demonstrou que intervenções localizadas podem produzir resultados. A barragem Kok-Aral, concluída em 2005, ajudou a reter água do Syr Darya no Aral Norte.

Depois da obra, o nível da água e a pesca apresentaram recuperação nessa parte do sistema, enquanto grande parte do Aral Sul continuou em situação muito mais crítica. O contraste mostra que o antigo lago já não funciona como um único corpo d’água e que seu futuro depende de decisões diferentes para cada uma das bacias remanescentes.

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