Um felino chamado por décadas de guepardo americano teve o DNA analisado e revelou uma vida ártica muito diferente do que o apelido sugeria
Genoma antigo mostra que o chamado "guepardo americano" era parente do puma e vivia de peixes migratórios no Ártico

O que você vai ver
- O que o DNA antigo revelou sobre o parentesco do animal.
- Por que populações do Ártico viviam de forma tão diferente.
- Como a semelhança com o guepardo é explicada agora.
- Que mutações genéticas curiosas foram encontradas no animal.
- Que teoria antiga sobre a velocidade do pronghorn é colocada em xeque.
Um felino extinto conhecido havia décadas como “guepardo americano” teve seu genoma reconstruído a partir de fósseis, e o resultado reescreve boa parte do que se sabia sobre o animal.
O que o DNA revelou sobre o parentesco?
Genomas de alta cobertura extraídos de fósseis de Miracinonyx trumani, datados entre 23 mil e 31 mil anos, mostraram que o animal não era um guepardo de verdade, mas sim uma espécie irmã do puma moderno, com as duas linhagens se separando há cerca de 2,6 milhões de anos.
The American Cheetah, Miracinonyx trumani. https://t.co/BCZA8lVLLP
— IsaacOWJ (@isaacowj) October 22, 2024
Por que a vida no Ártico era diferente?
Populações da região do Yukon, no norte do continente, ocupavam um nicho ecológico distinto das populações do sul, encontradas em locais como Wyoming e Flórida; enquanto as populações sulistas eram predadoras generalistas em campos temperados, os felinos do Yukon se especializavam em peixes migratórios, como o salmão, funcionando como consumidores de topo de cadeia numa área que se estendia cerca de 20 graus de latitude mais ao norte do que se imaginava.
Como a semelhança com guepardos é explicada?
Estudos anteriores, baseados apenas na forma esguia do corpo e nas patas dianteiras alongadas, haviam presumido um parentesco próximo com guepardos e um estilo de caça semelhante; a nova análise genética mostra que essa semelhança é fruto de evolução convergente, já que uma espécie sem relação direta com guepardos desenvolveu um corpo parecido para viver em ambientes abertos similares, sendo também capaz de agarrar presas com as patas dianteiras, como um predador mais versátil do que um simples corredor.
Que mutações curiosas foram encontradas?
Genes ligados ao ritmo circadiano apresentaram mutações que desativam sua função, característica que pode refletir adaptação aos ciclos extremos de luz do verão e do inverno árticos; o estudo também constatou que o animal, assim como todos os outros felinos analisados, carecia de um gene funcional para o receptor de sabor azedo, o primeiro registro desse tipo já feito em felinos.
There yah go everybody, Miracinonyx trumani for the La Brea project. #paleoart https://t.co/f2LkqqvOCY
— TheNaturalBorn𓅃|ChampionOfAsh (@WandErful_art) January 26, 2024
Que teoria é colocada em xeque?
A hipótese conhecida como “fantasmas de predadores do passado”, segundo a qual esse felino teria impulsionado a evolução da velocidade extrema do pronghorn americano, dependia justamente da ideia de que ele era um perseguidor veloz do tipo guepardo; com a nova evidência genética mostrando um predador mais versátil do que um simples velocista, os próprios autores do estudo argumentam que nomear espécies extintas só pela aparência pode induzir a interpretações equivocadas.
Nota de transparência: esta história já foi coberta anteriormente nesta pipeline sob o mesmo ângulo (DNA do chamado guepardo americano revela parentesco com pumas); o tema voltou a ser pautado e é tratado aqui novamente, com os mesmos fatos centrais.
Reconstruções genéticas que corrigem décadas de suposições baseadas apenas na aparência também aparecem na reportagem sobre o relógio nuclear que conseguiu se estabilizar sozinho por mais de um dia.
Mais detalhes sobre a pesquisa estão disponíveis na reportagem original do EurekAlert.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)