Um estudante do ensino fundamental construiu um material para calçada que absorve a água da chuva em vez de alagar as ruas, usando materiais que a maioria das pessoas descarta
Projeto surgiu após enchente em uma garagem e venceu prêmio científico nos Estados Unidos com solução sustentável.
Um estudante de apenas 11 anos transformou uma observação cotidiana em uma invenção capaz de mudar a forma como as cidades lidam com enchentes. Luca Durham, aluno da sexta série de Miami, desenvolveu uma mistura de concreto poroso feita com materiais recicláveis que absorve a água da chuva em vez de deixá-la escorrer para as ruas, e foi premiado por isso.
Como uma enchente na garagem virou ponto de partida para uma invenção
A ideia surgiu depois que Luca viu a água de uma tempestade transbordar da garagem de um vizinho e tomar conta da rua, atrapalhando o tráfego. A cena o fez questionar se era possível redesenhar calçadas e entradas de garagem para que absorvessem a chuva em vez de espalhá-la. A partir daí, ele passou a pesquisar o concreto poroso, material já existente no mercado, mas frequentemente criticado por problemas de durabilidade e entupimento.
Segundo comunicado publicado em setembro de 2025 pela Society for Science, o objetivo de Luca era encontrar aditivos sustentáveis capazes de melhorar a drenagem do concreto, priorizando materiais que as pessoas normalmente descartam. A proposta unia eficiência técnica com responsabilidade ambiental desde o início.

Um tapete de pedra no banheiro deu a pista mais importante
A descoberta central do projeto veio de um momento banal. Após tomar banho, Luca pisou em seu tapete de pedra e ficou impressionado com a velocidade com que o material absorvia a água. Curioso, ele pesquisou do que era feito e descobriu a terra diatomácea, substância derivada de algas fossilizadas conhecida por suas propriedades altamente absorventes.
“Era como uma esponja, e eu queria saber do que era feito. Descobri que era feito de terra diatomácea, que vem de minúsculas algas fossilizadas.”Luca Durham, conforme relatado pela Society for Science
Quais materiais foram testados na fórmula do concreto
Com a hipótese definida, Luca passou a testar combinações de diferentes materiais, escolhendo cada um com base em suas propriedades físicas específicas. A Society for Science detalhou os ingredientes avaliados ao longo dos experimentos:
- Terra diatomácea, pelo alto poder de absorção
- Conchas de ostras e conchas marinhas trituradas, cujos formatos criam aberturas internas que facilitam o fluxo de água
- Carvão vegetal, poroso e com capacidade de filtrar a água
- Brita, já usada em concreto poroso para aumentar durabilidade e drenagem
A hipótese inicial previa que a melhor combinação seria 30% de terra diatomácea com 70% de cimento e conchas. Os testes, porém, mostraram um resultado diferente: a mistura vencedora combinou 30% de terra diatomácea com 70% de cimento e brita, apresentando o melhor equilíbrio entre absorção e resistência.

Erros e acertos fizeram parte do processo científico
Nem tudo saiu como planejado. Luca relatou falhas em testes iniciais causadas por proporções incorretas entre cimento e aditivos, além de dificuldades para padronizar o tamanho dos pedaços de concha e carvão, o que comprometia a consistência dos resultados. Ainda assim, cada erro se tornou aprendizado.
“Adorei ver a ciência em ação e descobrir quais materiais faziam a maior diferença. Mas a melhor parte foi perceber que eu poderia ter criado algo que ninguém jamais tentou antes.”Luca Durham, conforme a Society for Science
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O prêmio veio, mas o inventor já pensa no próximo passo
O projeto rendeu a Luca o Prêmio Lemelson de Jovem Inventor na Feira de Ciências e Engenharia do Sul da Flórida, um dos reconhecimentos mais relevantes para jovens cientistas nos Estados Unidos. O prêmio é concedido pela Lemelson Foundation, organização dedicada a apoiar inovadores que desenvolvem soluções práticas para problemas reais.
Mas Luca não pretende parar por aqui. Ele já planeja incorporar tiras de fibra de carbono à mistura para aumentar a capacidade de suporte de peso sem comprometer a drenagem. “Meu sonho é criar um material para calçadas que seja resistente, ecológico e que ajude a evitar inundações nas ruas”, declarou. Se um aluno do ensino fundamental conseguiu chegar até aqui com um tapete de banheiro e materiais descartados, imagine o que essa invenção pode se tornar com o apoio certo.
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