Um dos mundos mais parecidos com a Terra está perto, mas a ciência ainda não consegue ler seu ar
A distância é pequena para a astronomia, mas a resposta continua difícil
A apenas 12,5 anos-luz de distância, o Teegarden b chama atenção por estar entre os candidatos mais interessantes na busca por mundos habitáveis. Esse exoplaneta orbita uma estrela fraca, descoberta apenas em 2003, e fica em uma região onde poderia existir água líquida. O problema é que a pergunta mais importante ainda não tem resposta: ele possui uma atmosfera ou é apenas uma rocha exposta ao espaço?
Por que Teegarden b parece tão parecido com a Terra?
O planeta tem massa mínima próxima à da Terra e está na chamada zona habitável, a faixa ao redor de uma estrela onde a temperatura pode permitir água líquida na superfície, dependendo de várias condições.
Ele orbita a estrela de Teegarden, uma anã vermelha muito fria e apagada na constelação de Áries. Por ser pequena e pouco luminosa, essa estrela passou despercebida por décadas, mesmo estando entre as vizinhas relativamente próximas do Sol.

Por que ainda não sabemos se ele tem atmosfera?
A grande dificuldade está na posição do planeta em relação à Terra. Teegarden b não passa na frente de sua estrela do nosso ponto de vista, então os astrônomos não conseguem usar a técnica mais comum para estudar atmosferas distantes.
Quando um planeta transita diante da estrela, parte da luz atravessa sua camada de gases e deixa pistas químicas no espectro. Sem esse trânsito, a atmosfera, se existir, fica muito mais difícil de detectar com os instrumentos atuais.
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Como os cientistas descobriram esse planeta?
Teegarden b foi identificado pelo método de velocidade radial, que mede pequenos movimentos da estrela causados pela gravidade do planeta. É como perceber uma dança discreta da estrela, puxada por um corpo que não vemos diretamente.
Esse método revela a massa mínima do planeta, mas não entrega tudo. Como a inclinação da órbita não é conhecida, Teegarden b pode ser um pouco mais pesado do que parece, e seu tamanho real continua incerto.

O que pode decidir se ele é habitável?
A atmosfera é a peça decisiva. Sem ela, o planeta pode ser frio, seco e castigado pela radiação. Com ela, poderia reter calor, permitir ciclos climáticos e talvez manter condições mais estáveis na superfície.
Mas há uma complicação: planetas ao redor de anãs vermelhas podem sofrer com a juventude turbulenta dessas estrelas. Mesmo uma estrela relativamente tranquila hoje pode ter passado por fases capazes de desgastar a atmosfera de mundos próximos.
Por isso, os cientistas observam principalmente estes pontos antes de chamar o planeta de habitável:
- se existe atmosfera e qual seria sua composição;
- quanta radiação o planeta recebe da estrela;
- se a atmosfera resistiu à atividade inicial da anã vermelha;
- se há condições para água líquida permanecer na superfície;
- se futuros telescópios conseguirão captar sua luz diretamente.
Quando teremos uma resposta melhor?
A próxima virada depende dos telescópios de próxima geração. Como a técnica de trânsito não ajuda nesse caso, os pesquisadores esperam instrumentos capazes de estudar a luz refletida ou o calor emitido pelo próprio planeta.
Projetos como grandes telescópios terrestres e conceitos espaciais voltados ao infravermelho podem transformar Teegarden b em um alvo prioritário. Até lá, ele seguirá nesse lugar fascinante: perto o bastante para alimentar grandes esperanças sobre vida fora da Terra, mas ainda misterioso demais para entregar a resposta que realmente importa.
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