Um corpo encontrado no Ártico em 1859 ficou sem nome por 166 anos: DNA de descendentes vivos ajudou a resolver parte do mistério
Análises genéticas confirmaram a identidade de Harry Peglar, marinheiro do HMS Terror encontrado no Ártico canadense em 1859
Um esqueleto encontrado em uma ilha do Ártico canadense, em 1859, permaneceu envolvido em dúvidas durante mais de um século e meio. Documentos guardados junto aos restos humanos sugeriam que o morto era Harry Peglar, marinheiro da expedição Franklin, mas suas roupas apontavam para outra identidade. Agora, análises de DNA antigo e comparações com descendentes vivos confirmaram que os ossos pertenciam a Henry Peter “Harry” Peglar, tripulante do HMS Terror. O estudo, publicado em maio de 2026, solucionou uma controvérsia histórica e trouxe novas informações sobre a expedição britânica que desapareceu no Ártico em 1845.
Como os restos de Harry Peglar foram encontrados no Ártico em 1859?
Em 26 de maio de 1859, uma equipe de buscas comandada por Francis Leopold McClintock encontrou um esqueleto parcialmente exposto na costa sul da ilha King William, no atual território canadense de Nunavut. O corpo estava próximo ao estreito de Simpson, em uma região isolada e sujeita a condições climáticas extremas.
Entre seus pertences havia uma bolsa de couro com documentos, incluindo um certificado de marinheiro em nome de Harry Peglar. Entretanto, fragmentos de um colete e um lenço de seda preta sugeriam que o indivíduo trabalhava como criado ou comissário de bordo, função diferente daquela exercida por Peglar.
Por que a identidade de Harry Peglar permaneceu em dúvida durante tanto tempo?
Harry Peglar era capitão do mastro de vante do HMS Terror, responsável por supervisionar atividades relacionadas às velas e ao equipamento daquela parte do navio. As roupas encontradas junto ao esqueleto não correspondiam claramente à sua posição.
Durante décadas, pesquisadores sugeriram outras identidades, especialmente Thomas Armitage e William Gibson, dois funcionários do HMS Terror que haviam servido anteriormente com Peglar. A hipótese de que um deles carregasse documentos pertencentes ao amigo parecia plausível.
As principais evidências investigadas foram:
- Esqueleto descoberto em 26 de maio de 1859;
- Documentos pessoais com o nome de Peglar;
- Roupas associadas a funções diferentes da sua;
- Restos humanos recuperados em novas escavações;
- Amostras genéticas fornecidas por descendentes;
- Comparações de DNA mitocondrial e do cromossomo Y.

Por que os pesquisadores precisaram procurar novamente os ossos no Ártico?
O esqueleto encontrado em 1859 foi coberto com pedras e redescoberto em 1973. Parte dos restos humanos acabou recolhida para estudos, mas o material desapareceu posteriormente dos registros disponíveis do museu. Isso tornou a identificação genética especialmente difícil.
Entre 2019 e 2023, novas escavações recuperaram pequenos ossos e um dente nas proximidades da antiga sepultura. Os pesquisadores também examinaram fios de cabelo preservados em um lenço recolhido em 1859, mas não conseguiram extrair deles DNA utilizável.
Como o DNA confirmou que o marinheiro era Harry Peglar?
O estudo publicado na revista Polar Record, em 7 de maio de 2026, comparou o DNA dos ossos com amostras de descendentes de Peglar e de seis dos oito tripulantes que trabalhavam como criados ou comissários nos navios HMS Erebus e HMS Terror.
Nenhum dos seis candidatos alternativos apresentou correspondência genética. Já o DNA mitocondrial dos restos humanos coincidiu com o de uma pessoa ligada à linhagem materna de Peglar. A combinação entre genética e genealogia levou os autores a confirmar sua identidade. O teste da linhagem paterna, isoladamente, permaneceu inconclusivo.
Quais evidências ajudaram a resolver o mistério de 166 anos?
O resultado não dependeu apenas do DNA. Os pesquisadores reuniram documentos navais, informações genealógicas, descrições históricas das roupas e materiais arqueológicos recuperados em diferentes momentos.
A análise também mostrou que a identificação inicial, baseada nos documentos encontrados com o corpo, provavelmente estava correta. As roupas haviam alimentado interpretações alternativas durante décadas, mas não eram suficientes para estabelecer a identidade do morto.
| Evidência | Resultado da investigação |
|---|---|
| Documentos de 1859 | Indicavam o nome Harry Peglar. |
| Roupas encontradas | Sugeriam outra função a bordo. |
| DNA de seis candidatos | Nenhuma correspondência identificada. |
| DNA mitocondrial | Correspondência com a linhagem materna de Peglar. |
| Conclusão de 2026 | Identificação de Henry Peter Peglar. |
O que a descoberta revela sobre o desaparecimento da expedição Franklin?
A expedição partiu da Inglaterra em 1845 com 129 homens, comandados por Sir John Franklin, para explorar a Passagem do Noroeste. Os navios HMS Erebus e HMS Terror ficaram presos no gelo em setembro de 1846. Franklin morreu em junho de 1847, e os sobreviventes abandonaram as embarcações em abril de 1848.
Nenhum tripulante retornou. Embora a identificação de Harry Peglar não esclareça exatamente quando ou como ele morreu, ela devolve um nome a um dos homens encontrados ao longo da rota de retirada. A pesquisa demonstra como documentos históricos, arqueologia e genética podem recuperar identidades individuais mesmo depois de mais de um século e meio.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)