Um candidato recebeu apenas 275 votos e virou deputado federal: entenda como isso foi possível
O caso ocorreu em 2002, quando a votação acumulada pela legenda podia levar candidatos com poucos votos individuais a ocupar cadeiras na Câmara.
Nas eleições de 2002, um resultado chamou atenção em São Paulo: Vanderlei Assis, do Prona, tornou-se deputado federal depois de receber apenas 275 votos. A explicação não está em uma contagem individual extraordinária, mas no sistema proporcional e na votação de cerca de 1,57 milhão obtida por Enéas Carneiro.
Quem foi eleito deputado federal com apenas 275 votos?
O candidato era Vanderlei Assis de Souza, integrante do Prona. Na eleição paulista de 2002, ele recebeu 275 votos nominais e ficou entre os seis candidatos do partido que conquistaram cadeiras na Câmara dos Deputados.
O caso aparece em registros da própria Câmara e se tornou um exemplo histórico do funcionamento da representação proporcional naquele período. Enéas Carneiro, principal nome da legenda, havia alcançado uma votação muito maior do que a necessária apenas para garantir a própria cadeira.

Como os votos de Enéas ajudaram outros candidatos do Prona?
Enéas recebeu aproximadamente 1,57 milhão de votos para deputado federal por São Paulo. No sistema proporcional, esses votos também entravam na soma da legenda, ajudando a determinar quantas cadeiras o Prona teria direito a ocupar.
Depois de definido o número de vagas do partido, elas eram preenchidas pelos candidatos mais votados dentro da própria legenda. Naquele momento, não existia a exigência atual de votação nominal mínima para ocupar uma cadeira obtida pelo quociente partidário.
O caminho da votação até a cadeira pode ser resumido assim:
O que era o quociente eleitoral naquela eleição?
O quociente eleitoral é calculado dividindo os votos válidos pelo número de vagas em disputa. Em São Paulo, em 2002, ele ficou em aproximadamente 280 mil votos para deputado federal, servindo como referência para distribuir as cadeiras entre os partidos.
O Prona somou cerca de 1,63 milhão de votos, impulsionado principalmente por Enéas Carneiro. A legenda alcançou vagas pelo quociente partidário e pela distribuição prevista à época, chegando a seis deputados eleitos.
Como alguém com mais votos podia ficar sem mandato?
Porque a eleição para deputado não funciona como uma disputa em que simplesmente entram os candidatos mais votados de todo o estado. Primeiro, o sistema distribui cadeiras conforme a força eleitoral de partidos ou federações; depois, observa a votação dos candidatos dentro de cada grupo.
Assim, um candidato podia receber dezenas de milhares de votos e ficar fora se sua legenda não conquistasse vagas suficientes, enquanto outro com poucos votos podia entrar por um partido com votação total muito elevada. Esse mecanismo explica o contraste visto em 2002.
Um candidato com 275 votos poderia ser eleito da mesma forma hoje?
O caminho usado em 2002 mudou. Desde a reforma eleitoral de 2015, candidatos que ocupam as vagas obtidas pelo quociente partidário precisam alcançar votação individual mínima. A regra atual exige pelo menos 10% do quociente eleitoral nessa etapa.
As regras das sobras também foram modificadas. Para as eleições de 2026, há etapas específicas de distribuição, incluindo uma fase final para cadeiras ainda não preenchidas. Portanto, o sistema continua proporcional, mas a mecânica atual não reproduz simplesmente o cenário que levou Vanderlei Assis à Câmara.
Por que esse caso ajuda a entender o voto para deputado?
O episódio mostra que, para deputado federal, o voto tem efeito individual e partidário. O desempenho de cada candidato importa, mas a soma obtida pela legenda ou federação também participa da definição de quantas cadeiras estarão disponíveis para seus nomes.
A Câmara dos Deputados registra o caso dos 275 votos ao explicar as mudanças posteriores nas regras. O exemplo de 2002 continua útil justamente porque deixa visível uma característica pouco intuitiva das eleições proporcionais brasileiras.
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