Um asteroide de 160 metros atingiu o fundo do Mar do Norte e a simulação aponta uma parede d’água com mais de 100 metros
Minerais deformados e imagens sísmicas confirmam uma colisão ocorrida há milhões de anos, enquanto simulações revelam um tsunami gigantesco
Há aproximadamente 43 a 46 milhões de anos, um asteroide de 160 metros atingiu o fundo do Mar do Norte e provavelmente provocou um tsunami superior a 100 metros. Novas evidências da cratera Silverpit, próxima à costa britânica, indicam um impacto oblíquo que lançou rochas e água a uma altura estimada de 1,5 quilômetro.
Por que a origem da cratera Silverpit permaneceu controversa durante décadas?
Descoberta em 2002, a estrutura está enterrada aproximadamente 700 metros abaixo do fundo marinho, a cerca de 130 quilômetros da costa de Yorkshire, na Inglaterra. Sua depressão central mede aproximadamente 3,2 quilômetros de diâmetro e é cercada por uma região de falhas que se estende por cerca de 20 quilômetros.
Inicialmente, cientistas suspeitaram de uma colisão extraterrestre. Entretanto, outras explicações envolveram movimentação de sal subterrâneo e processos geológicos associados ao colapso do terreno. Em 2009, uma votação entre geólogos chegou a favorecer interpretações alternativas ao impacto.
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Como um asteroide relativamente pequeno conseguiu produzir tamanha destruição?
As simulações consideraram um objeto com 160 metros de diâmetro, viajando aproximadamente 15 quilômetros por segundo. Ao atingir o ambiente marinho, sua energia teria escavado uma cavidade temporária com cerca de três quilômetros de largura e um quilômetro de profundidade em aproximadamente 12 segundos.
A colisão também teria lançado uma cortina de rocha, sedimentos e água a aproximadamente 1,5 quilômetro de altura. O colapso posterior desse material provocaria ondas gigantescas, incluindo um tsunami cuja altura inicial poderia ultrapassar 100 metros nas proximidades do impacto.
Os resultados permitem reconstruir momentos distintos da catástrofe:
- O objeto atravessou a atmosfera antes de atingir o mar;
- A colisão escavou rapidamente os sedimentos do fundo;
- Rochas sofreram pressões suficientemente altas para alterar minerais;
- Material ejetado retornou à água após o impacto;
- O colapso da cavidade gerou ondas extremamente intensas.

Por que os cientistas acreditam que o asteroide chegou em ângulo baixo?
As imagens sísmicas revelaram diferenças entre os lados da cratera. Algumas falhas indicam movimentos de extensão, enquanto outras apresentam compressão, sugerindo que o material subterrâneo foi deslocado preferencialmente em determinada direção.
Essa assimetria favorece uma trajetória oblíqua vinda do oeste-noroeste. Entretanto, as simulações iniciais utilizaram um impacto vertical simplificado para estimar dimensões e energia. Modelos tridimensionais oblíquos serão necessários para reconstruir com maior precisão a colisão.
Quais evidências finalmente confirmaram a origem da cratera Silverpit?
O estudo publicado na Nature Communications, em setembro de 2025, foi liderado por Uisdean Nicholson, da Universidade Heriot-Watt. A equipe combinou imagens sísmicas tridimensionais, análises microscópicas de rochas, datação por microfósseis e simulações computacionais.
A evidência decisiva apareceu em amostras de um poço de exploração petrolífera. Dois grãos minerais apresentaram deformações produzidas por pressões estimadas entre 10 e 13 gigapascais, compatíveis com impactos de alta velocidade e difíceis de explicar pelos processos geológicos anteriormente propostos.
O que as dimensões da cratera Silverpit revelam sobre a colisão?
A estrutura preservada contém uma elevação central, depressões circulares e falhas concêntricas. Essas características registram tanto a escavação inicial quanto o retorno de materiais para o interior da cavidade, permitindo comparar as observações com os modelos numéricos.
A altura estimada do tsunami representa uma condição próxima à região atingida, não uma medição direta de ondas em costas distantes. Sua propagação dependeria da profundidade do oceano e da configuração geográfica existente naquele período.
| Característica | Estimativa científica |
|---|---|
| Asteroide | 160 metros de diâmetro |
| Velocidade simulada | 15 km/s |
| Cortina de material | Até 1,5 km de altura |
| Tsunami estimado | Mais de 100 metros |
Como essa descoberta pode melhorar as previsões de impactos nos oceanos?
Crateras submarinas preservadas são relativamente raras, porque sedimentos, erosão e processos tectônicos modificam seus vestígios. Silverpit oferece uma oportunidade de investigar como colisões de alta velocidade deformam diferentes camadas rochosas sob a água.
Essas informações poderão aperfeiçoar modelos de riscos associados a futuros impactos oceânicos. Ainda será necessário testar diferentes trajetórias, profundidades e composições dos asteroides. A confirmação geológica da colisão é sólida, mas as dimensões exatas das ondas continuam sendo estimativas dependentes das simulações.
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