Um animal de 240 milhões de anos apareceu na Tanzânia e mexeu no relógio dos primeiros dinossauros: fósseis famosos podem ser mais jovens do que pareciam
Nova espécie de dicinodonte conecta fósseis africanos e sul-americanos e sugere uma revisão na idade de possíveis dinossauros primitivos
Um animal herbívoro que viveu há aproximadamente 240 milhões de anos está ajudando a reescrever a cronologia dos primeiros dinossauros. A descoberta de Dinodontosaurus isiyavamanda, uma nova espécie identificada em fósseis da Tanzânia, revelou conexões inesperadas com animais que habitaram o Brasil e a Argentina. Publicado em setembro de 2026, o estudo sugere que algumas rochas africanas contendo possíveis dinossauros primitivos são milhões de anos mais jovens do que se acreditava.
Onde os fósseis de Dinodontosaurus isiyavamanda foram encontrados?
Os fósseis vieram dos depósitos de Manda, na Bacia de Ruhuhu, sudoeste da Tanzânia. Parte do material foi recolhida durante uma expedição britânica em 1963 e permaneceu por décadas no Museu de História Natural de Londres, aguardando uma investigação anatômica completa.
Os pesquisadores também examinaram fragmentos cranianos encontrados mais recentemente. A comparação revelou características que permitiram reconhecer uma espécie desconhecida. O nome Dinodontosaurus isiyavamanda homenageia a terra do povo Wamanda, que habita a região onde os fósseis foram descobertos.
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Como era o Dinodontosaurus isiyavamanda há 240 milhões de anos?
Apesar de sua importância para a história dos dinossauros, o animal não pertencia a esse grupo. Era um dicinodonte, integrante de uma linhagem de sinapsídeos relacionada evolutivamente aos mamíferos. Esses vertebrados herbívoros apresentavam corpos robustos e estruturas bucais especializadas para processar vegetação.
Entre as características reconhecidas estão:
- Crânio com adaptações próprias dos dicinodontes;
- Focinho com estrutura óssea característica;
- Região palatal com uma crista arredondada;
- Sulco longitudinal em parte do crânio;
- Semelhanças anatômicas com espécies sul-americanas.
O vídeo apresenta a descoberta de Dinodontosaurus isiyavamanda e suas implicações para a cronologia dos primeiros dinossauros.
Por que esse animal encontrado na África também é importante para o Brasil?
Antes da descoberta, o gênero Dinodontosaurus era conhecido somente em depósitos fósseis sul-americanos. Seus representantes foram identificados especialmente no Brasil e na Argentina, onde integram conjuntos importantes para compreender os ecossistemas terrestres do Triássico.
Encontrar um representante desse gênero na Tanzânia estabelece uma conexão paleontológica entre regiões atualmente separadas pelo Oceano Atlântico. Durante o Triássico, entretanto, África e América do Sul integravam o supercontinente Pangeia, permitindo a distribuição de animais terrestres por áreas hoje muito distantes.
Como a nova espécie pode alterar a idade dos primeiros dinossauros?
O estudo publicado no Journal of Vertebrate Paleontology, em 15 de setembro de 2026, foi liderado por Hady George, da Universidade de Bristol. A equipe comparou características anatômicas e utilizou análises filogenéticas para confirmar a identificação da espécie.
A presença de Dinodontosaurus sugere que a porção média-superior do Membro Lifua, na Tanzânia, possui idade semelhante à Zona de Associação de Dinodontosaurus, no Brasil, e à Formação Chañares, na Argentina. Essas correlações favorecem uma idade entre o Ladiniano tardio e o Carniano, mais recente que a classificação anisiana anteriormente proposta.

Quais fósseis de dinossauros podem ter sua idade revisada?
Entre os principais candidatos estão Nyasasaurus parringtoni e Asilisaurus kongwe, encontrados nos depósitos de Manda. O primeiro já foi proposto como um dos dinossauros mais antigos conhecidos, enquanto o segundo pertence aos silesaurídeos, grupo cuja posição evolutiva permanece debatida.
A descoberta não altera diretamente a idade desses fósseis por meio de uma nova datação radiométrica das próprias peças. A revisão resulta da correlação entre faunas de diferentes formações geológicas, utilizando espécies compartilhadas e idades determinadas em depósitos sul-americanos.
O que a descoberta revela sobre a origem dos dinossauros?
Durante muito tempo, os depósitos da Tanzânia foram considerados fundamentais para investigar uma possível origem dos dinossauros no início do Triássico Médio. A nova interpretação aproxima cronologicamente esses registros dos fósseis sul-americanos, enfraquecendo a ideia de que os candidatos africanos sejam necessariamente mais antigos.
Entretanto, a origem exata dos dinossauros permanece em discussão. A posição evolutiva de alguns fósseis é incerta, e a correlação entre formações não substitui datações diretas. Novas pesquisas poderão esclarecer quando os primeiros dinossauros surgiram e como se diversificaram pelos continentes de Pangeia.
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