Trincheiras de quilômetros cruzam uma planície australiana e agora o mapa indica que elas são cicatrizes de cavernas profundas desabando
Pesquisa revela que depressões de mais de 20 quilômetros na Austrália foram formadas pelo colapso progressivo de cavernas escondidas sob a superfície
Trincheiras gigantes na planície de Nullarbor, no sul da Austrália, podem ser cicatrizes de cavernas antigas que desabaram lentamente. Uma pesquisa publicada em setembro de 2026 identificou depressões com mais de 20 quilômetros de extensão e revelou que estruturas aparentemente semelhantes a antigos rios escondem uma história geológica subterrânea.
Por que as trincheiras da planície de Nullarbor intrigavam os geólogos?
A planície de Nullarbor ocupa mais de 200 mil quilômetros quadrados e constitui uma das maiores regiões calcárias contínuas do planeta. Sua paisagem quase plana e árida preserva estruturas geológicas muito antigas, incluindo cavernas, dolinas e depressões discretas que permanecem praticamente invisíveis para observadores no solo.
Entre essas formações, cinco trincheiras chamaram atenção por apresentarem comprimentos de vários quilômetros, mas profundidades extremamente pequenas. Algumas ultrapassam 20 quilômetros de extensão e alcançam 500 metros de largura, embora geralmente tenham menos de nove metros de profundidade. Durante muito tempo, sua aparência sugeriu possíveis antigos canais fluviais.
O que os pesquisadores descobriram sobre as trincheiras de Nullarbor?
A investigação demonstrou que as depressões são manifestações superficiais do colapso progressivo de cavernas profundas. Conforme os tetos das cavidades subterrâneas cediam, as camadas superiores de rocha afundavam lentamente, formando estruturas alongadas que posteriormente acumularam sedimentos transportados das áreas vizinhas.
Os cientistas encontraram evidências independentes dessa interpretação. As trincheiras acompanham alinhamentos de cavernas conhecidas, apresentam anomalias geofísicas profundas e não possuem características típicas de rios antigos. A combinação desses resultados indica que os afundamentos ocorreram de baixo para cima, acompanhando sistemas subterrâneos extensos.
- Foram investigadas cinco grandes trincheiras;
- Algumas ultrapassam 20 quilômetros de comprimento;
- As larguras variam aproximadamente entre 100 e 500 metros;
- A profundidade superficial geralmente permanece abaixo de nove metros;
- Os afundamentos estão associados a cavernas subterrâneas antigas.

Como cavernas profundas conseguem formar trincheiras na superfície?
O processo começa quando a água atravessa fraturas do calcário e dissolve lentamente parte da rocha. Ao longo de milhões de anos, essa dissolução pode criar grandes galerias subterrâneas. Com o enfraquecimento dos tetos, blocos rochosos caem, ampliando cavidades e desestabilizando progressivamente as camadas superiores.
Esse mecanismo produz uma propagação vertical do colapso. A superfície pode afundar sem formar imediatamente uma abertura profunda, resultando em depressões largas e pouco perceptíveis. Como Nullarbor apresenta pouca erosão superficial, essas marcas conseguem permanecer preservadas durante períodos geológicos prolongados, mesmo depois de as cavernas originais terem sido parcialmente preenchidas.
Como os cientistas mapearam cavernas escondidas sob a planície?
A pesquisa foi liderada por Matej Lipar, do Instituto Geográfico Anton Melik, na Eslovênia, em colaboração com pesquisadores australianos e internacionais, incluindo especialistas da Universidade Curtin. Publicado em 17 de setembro de 2026 na revista Communications Earth & Environment, o estudo científico original apresentou evidências geológicas e geofísicas dos colapsos.
Os pesquisadores combinaram modelos digitais de elevação, fotografias aéreas, registros de cavernas, análises sedimentares e tomografia de resistividade elétrica. Essa última técnica investiga diferenças na resposta elétrica do subsolo, permitindo identificar zonas de rocha fraturada e sedimentos. Perfis sísmicos e afloramentos em penhascos forneceram evidências adicionais.
Quais evidências diferenciam as trincheiras de antigos leitos de rios?
Rios geralmente deixam redes conectadas de drenagem, afluentes e sedimentos organizados pelo transporte contínuo da água. Nas trincheiras estudadas, esses elementos estão ausentes. As depressões começam e terminam abruptamente, enquanto seus sedimentos apresentam características compatíveis principalmente com o desgaste das rochas próximas.
Outro resultado importante veio da associação com cavernas conhecidas. A caverna Koonalda possui uma extensão subterrânea aproximadamente alinhada à trincheira superficial. Em Clay Dam Cave, os pesquisadores observaram camadas deformadas e sedimentos acumulados, reforçando a interpretação de que o terreno afundou sobre antigas cavidades.
| Característica | Resultado observado |
|---|---|
| Extensão das trincheiras | Vários quilômetros até mais de 20 km |
| Largura | 100 a 500 metros |
| Profundidade superficial | Geralmente inferior a 9 metros |
| Cavernas profundas regionais | 50 a 150 metros abaixo da superfície |
| Origem identificada | Afundamento sobre cavidades subterrâneas |
Por que a descoberta pode ajudar a encontrar cavernas em outros planetas?
As trincheiras demonstram que grandes cavidades podem deixar marcas discretas, sem entradas facilmente reconhecíveis. Esse conhecimento oferece novas possibilidades para localizar sistemas subterrâneos em regiões áridas, além de contribuir para estudos de estabilidade do terreno e planejamento de obras sobre formações calcárias.
Os resultados também oferecem um modelo para interpretar depressões em Marte e outros mundos rochosos. Algumas estruturas lineares extraterrestres podem estar relacionadas ao colapso de cavidades, embora imagens superficiais não sejam suficientes para comprovar essa origem. A pesquisa fornece critérios para selecionar regiões que merecem investigações geológicas mais detalhadas.
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