Talk shows desabaram em público e receita nos EUA nos últimos anos
Audiência desaba e programas de Kimmel e Colbert se tornam insustentáveis
A televisão americana enfrenta uma crise sem precedentes, atingindo sobretudo os talk shows progressistas e abertamente políticos.
O “Jimmy Kimmel Live!” registrou queda de 43% em 2025, passando de 1,95 milhão de telespectadores em janeiro para 1,1 milhão em agosto, segundo o instituto Nielsen.
Entre adultos de 18 a 49 anos, a retração foi de 39%, marcando o pior resultado do programa no ano.
O declínio não começou agora.
Em uma década, Kimmel perdeu 37% do público total. Entre adultos de 25 a 54 anos, faixa vital para anunciantes, a queda chegou a 72%
Ao mesmo tempo, Greg Gutfeld, da conservadora Fox News, consolidou-se como líder absoluto do horário, com 3,2 milhões de telespectadores. Kimmel soma 1,6 milhão. Na faixa 25 a 54 anos, Gutfeld tem 381 mil contra 261 mil.
Stephen Colbert, embora mantenha a dianteira nas redes tradicionais, vive situação insustentável.
O “Late Show” acumula prejuízo anual de 40 milhões de dólares. A CBS já confirmou que a atração sairá do ar em maio de 2026.
A audiência de Colbert caiu de 2,8 milhões em 2022 para 2,4 milhões em 2025, uma queda de 14%. Na faixa 18 a 49 anos, a diferença para Kimmel foi de apenas mil espectadores.
Executivos da Paramount estimam que 80% da audiência de Colbert migrou para o YouTube.
A migração digital é sintoma de um formato cada vez mais distante do público jovem, que prefere podcasts e vídeos curtos no TikTok.
O mercado publicitário confirma a crise.
A receita de talk shows noturnos caiu de 439 milhões de dólares em 2018 para 221 milhões em 2024.
O encolhimento de 50% reflete a perda de relevância dos programas, que se tornaram cada vez mais politizados e divisivos.
O analista britânico Douglas Murray tem apontado esse fenômeno como parte de uma degradação mais ampla.
Em abril de 2025, no podcast Joe Rogan Experience, ele alertou para o risco de comediantes se esconderem atrás do humor para difundir visões radicais.
Segundo Murray, muitos transformaram a piada em escudo para propaganda política. Ele acusou Trevor Noah, por exemplo, de inventar crimes de ódio inexistentes para manter viva uma narrativa racial e divisiva.
Para Murray, muitos comediantes que migraram do humor para a militância acabaram se tornando extremistas ideológicos.
Essa transição, disse, corrói o debate público porque combina enorme alcance com ausência de responsabilidade jornalística.
O alerta reforça a leitura de que programas como os de Kimmel e Colbert perderam credibilidade por trocarem a comédia pelo ativismo, movimento que acelerou a fuga do público.
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Comentários (1)
Annie
19.09.2025 11:13Fica admirada é quem ainda assiste televisão a.minha fica constantemente desligada.