Suspensa quase 500 metros acima do fundo de um cânion, uma ponte chinesa exigiu uma solução tão incomum para iniciar sua montagem que um foguete foi usado para levar o primeiro cabo de uma margem até a outra
Foguetes lançaram as primeiras linhas sobre o cânion antes que milhares de fios de aço formassem os cabos responsáveis pelo vão de 900 metros
Nas montanhas da província chinesa de Hubei, a Ponte do Rio Sidu atravessa um cânion tão profundo e íngreme que até instalar a primeira corda necessária à construção virou um problema de engenharia. Com vão principal de 900 metros e tabuleiro situado a cerca de 500 metros do fundo do desfiladeiro, a ponte exigiu que engenheiros recorressem a foguetes para lançar as linhas piloto que posteriormente permitiriam montar seus enormes cabos de suspensão.
Por que a Ponte do Rio Sidu era tão difícil de começar a construir?
Uma ponte pênsil precisa inicialmente de uma linha relativamente leve atravessando o vão. Ela funciona como ponto de partida para puxar cordas progressivamente mais resistentes e, posteriormente, instalar os componentes necessários à montagem dos cabos principais. No Sidu, colocar essa primeira ligação entre as margens era extraordinariamente complicado.
O cânion possui encostas muito íngremes, cobertas por vegetação e separadas por mais de um quilômetro no trajeto percorrido pela linha inicial. Barcos não podiam cumprir a função utilizada em travessias sobre grandes rios, e condições de vento e relevo tornavam operações com helicópteros pouco adequadas. Foi nesse cenário que surgiu a alternativa de transportar a corda pelo ar com um foguete.
Como um foguete conseguiu levar o primeiro cabo de uma margem à outra?
Em outubro de 2006, a equipe utilizou foguetes ligados a cordas piloto feitas de chinlon, um material sintético elástico. Duas linhas com aproximadamente 1.300 metros foram disparadas sobre o cânion, percorrendo cerca de 1.100 metros até a margem oposta. Um modelo de trajetória considerou fatores como vento e temperatura para aumentar a precisão.
A operação funcionou como o primeiro elo de uma sequência muito maior.
- Foguetes transportaram as cordas piloto leves.
- As primeiras cordas permitiram puxar linhas mais resistentes.
- Linhas de trabalho criaram uma ligação permanente entre as margens.
- Equipamentos passaram a movimentar materiais sobre o cânion.
- Os fios e cordões dos cabos principais puderam ser instalados.
- O tabuleiro começou posteriormente a ser suspenso pelos cabos.
O vídeo abaixo mostra a Ponte do Rio Sidu sobre o enorme cânion e ajuda a perceber a escala vertical que tornou a instalação inicial dos cabos tão incomum.
Como os cabos da Ponte do Rio Sidu conseguem sustentar um vão de 900 metros?
Cada cabo principal é formado por 127 cordões paralelos pré-fabricados. Cada um desses cordões, por sua vez, contém 127 fios galvanizados de aço de alta resistência, com aproximadamente 5,1 milímetros de diâmetro. Isso resulta em 16.129 fios em cada cabo principal.
Os cabos passam sobre as torres e transferem as cargas para grandes ancoragens nas extremidades. Deles descem suspensores que sustentam a treliça metálica do tabuleiro. A Baosteel informa que milhares de toneladas de fios galvanizados e cabos de aço foram fornecidas para a obra, mostrando como aquela pequena corda lançada inicialmente pelo foguete era apenas o começo do sistema definitivo.
Como o tabuleiro foi instalado sobre um abismo tão profundo?
A parte estrutural do tabuleiro utiliza uma treliça metálica do tipo Warren, com aproximadamente 6,5 metros de altura e 26 metros de largura. Ela foi dividida em 71 segmentos, e os maiores módulos chegaram a pesar cerca de 91,6 toneladas.
Em vez de construir toda a estrutura apoiada em escoramentos desde o fundo do cânion, algo impraticável naquela profundidade, os segmentos puderam ser elevados e ligados à estrutura suspensa. Assim, os próprios cabos instalados entre as montanhas passaram a fornecer o sistema necessário para sustentar progressivamente o tabuleiro.

Quais números mostram a escala da Ponte do Rio Sidu?
A ponte possui aproximadamente 1.059 metros de comprimento total e um vão principal de 900 metros. As fontes técnicas divergem ligeiramente sobre sua altura, com valores próximos de 472 a 500 metros dependendo do ponto adotado para a medição. A diferença não muda o aspecto essencial: o tabuleiro fica centenas de metros acima do fundo do vale.
O uso do foguete também entrou para os registros da engenharia. O Guinness World Records reconhece a obra como a primeira ponte pênsil cujo cabo inicial foi colocado com auxílio de um foguete. A travessia foi aberta ao tráfego em novembro de 2009.
| Característica | Valor aproximado | Função |
|---|---|---|
| Vão principal | 900 m | Cruza o cânion sem apoios intermediários |
| Comprimento total | 1.059 m | Extensão da travessia |
| Cordões por cabo | 127 | Formam o cabo principal |
| Fios por cabo principal | 16.129 | Transferem as grandes forças de tração |
Por que o foguete não era o cabo que realmente sustentaria a ponte?
O foguete não transportou através do cânion um dos gigantescos cabos principais já pronto. Ele levou uma corda piloto muito mais leve, cuja função era estabelecer a primeira conexão física entre as duas margens. A partir dela, o sistema de construção conseguiu puxar linhas progressivamente maiores.
Essa distinção torna a solução ainda mais interessante. O foguete resolveu um problema pequeno em tamanho, mas decisivo na sequência da obra: colocar a primeira linha sobre um vazio praticamente inacessível. Depois desse passo, milhares de fios de aço puderam formar os cabos que finalmente sustentariam o tabuleiro de 900 metros.
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