Sozinha depois que praticamente toda a expedição desapareceu ou morreu em uma ilha remota, ela precisou aprender habilidades que nunca havia dominado para enfrentar meses de isolamento e conseguir voltar para casa
Contratada como costureira, ela aprendeu a caçar, usar armas e manter o acampamento depois que os outros integrantes desapareceram ou morreram
Quando chegou à ilha Wrangel, no Ártico, em 1921, Ada Blackjack não era caçadora nem exploradora experiente. Contratada principalmente para costurar roupas e ajudar nas tarefas do acampamento, ela tinha medo de armas e de ursos-polares. Dois anos depois, seria a única integrante humana da expedição a deixar a ilha com vida.
Por que Ada Blackjack aceitou participar de uma expedição tão perigosa?
Ada vivia em situação financeira difícil no Alasca e precisava conseguir dinheiro para cuidar do filho Bennett, que sofria de tuberculose. Quando surgiu uma vaga na expedição organizada por Vilhjalmur Stefansson, ela aceitou trabalhar como costureira por um salário de 50 dólares mensais, valor significativo para ela naquele momento.
Ela havia aprendido a ler, escrever, cozinhar e costurar em uma escola missionária, mas não possuía a experiência de caça e sobrevivência no Ártico que muitos posteriormente imaginaram por sua origem Iñupiaq. Em setembro de 1921, chegou a Wrangel acompanhada por Allan Crawford, Fred Maurer, Milton Galle, Lorne Knight e a gata Vic.
O que aconteceu para ela acabar praticamente sozinha na ilha?
O plano dependia de caça e de novos suprimentos, mas o navio que deveria reabastecer o grupo não conseguiu atravessar o gelo no ano seguinte. Com a comida diminuindo e Knight gravemente doente, Crawford, Maurer e Galle deixaram o acampamento em janeiro de 1923 tentando atravessar o gelo em direção à Sibéria. Nunca mais foram vistos.
- Três integrantes desapareceram tentando buscar ajuda.
- Lorne Knight permaneceu no acampamento com escorbuto.
- Ada assumiu praticamente todas as tarefas de sobrevivência.
- Knight morreu em 23 de junho de 1923.
- Depois disso, restaram apenas Ada e a gata Vic.
O curta Ada Blackjack Rising é dedicado especificamente à sua história e ajuda a contextualizar a mulher que entrou na expedição como costureira e precisou se transformar em provedora para permanecer viva.
Como Ada Blackjack aprendeu habilidades que nunca havia dominado?
Quando Knight perdeu a capacidade de trabalhar, Ada precisou assumir atividades anteriormente executadas pelos homens. Ela aprendeu sozinha a disparar uma arma, chegou a praticar atirando em uma lata e passou a verificar armadilhas para conseguir alimento. Também enfrentava o risco constante representado pelos ursos-polares.
Ela caçou aves, capturou raposas, coletou ovos e tentou obter focas. Construiu ainda estruturas com madeira trazida pelo mar, reforçou seu abrigo, improvisou um fogão utilizando latas de querosene e montou uma plataforma para observar possíveis ursos e embarcações no horizonte.
Como ela conseguiu sobreviver completamente sozinha depois da morte de Knight?
Knight morreu em 23 de junho de 1923. Ada não conseguiu remover o corpo e construiu uma barreira de caixas ao redor dele para impedir a aproximação de animais. Depois mudou-se para outro abrigo com Vic e continuou mantendo armadilhas, buscando alimento e preparando equipamentos para a possibilidade de enfrentar outro inverno.
| Desafio | O que Ada aprendeu ou fez |
|---|---|
| Obter alimento | Caçar, verificar armadilhas e coletar ovos |
| Proteção | Aprender a usar armas e vigiar ursos |
| Abrigo | Reforçar a barraca e improvisar um fogão |
| Roupas | Costurar e reparar peças para o frio extremo |
A solidão humana completa durou menos de dois meses, entre a morte de Knight e o resgate, mas Ada estava isolada em Wrangel havia quase dois anos. Essa diferença é importante: ela não passou todo esse período sozinha, embora progressivamente tenha assumido quase toda a responsabilidade pelo acampamento.
Quando Ada Blackjack finalmente percebeu que seria resgatada?
Em 20 de agosto de 1923, Ada ouviu um ruído e avistou um navio surgindo através da neblina. Harold Noice chegou à praia esperando encontrar também os demais integrantes da expedição. Foi naquele momento que ambos compreenderam que Crawford, Maurer e Galle provavelmente nunca retornariam.
O National Park Service preserva um relato detalhado baseado inclusive nos diários da expedição. Quando Ada deixou Wrangel, não era mais apenas a costureira assustada que havia desembarcado em 1921: sabia caçar, manejar armas, construir equipamentos e manter sozinha um acampamento ártico.

Por que sua transformação pessoal tornou a história tão marcante?
A sobrevivência de Ada costuma ser resumida pela expressão “única sobrevivente”, mas isso esconde justamente a parte mais impressionante. Ela não chegou preparada para desempenhar o papel de exploradora autossuficiente; aprendeu essas habilidades porque as circunstâncias eliminaram progressivamente todas as alternativas.
Depois do retorno, jornais chegaram a chamá-la de uma espécie de “Robinson Crusoe feminina”, comparação que ela não buscou e que simplificava sua experiência. Sua história permanece especialmente poderosa porque registra uma transformação concreta: uma mulher contratada para costurar terminou realizando tarefas de vários integrantes da expedição para continuar viva e voltar para o filho.
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