Sensores encontraram oxigênio a 4 mil metros no Pacífico onde não há luz solar e cientistas ainda investigam de onde ele pode estar vindo
Medições em águas profundas levantaram a hipótese de produção de oxigênio sem luz solar, mas críticas científicas mantêm sua origem em discussão
A aproximadamente 4 mil metros de profundidade no Oceano Pacífico, sensores registraram um aumento inesperado de oxigênio dissolvido em experimentos realizados no fundo do mar. O fenômeno recebeu o nome de oxigênio escuro, porque ocorreu numa região onde a luz solar não chega. A descoberta, divulgada em 2024, levantou a hipótese de produção de oxigênio sem fotossíntese, mas estudos posteriores questionaram sua origem e até a possibilidade de o sinal representar um processo natural.
Como os pesquisadores encontraram oxigênio escuro no fundo do Oceano Pacífico?
As medições ocorreram na Zona de Clarion-Clipperton, uma extensa região abissal situada entre o México e o Havaí. Pesquisadores investigavam o consumo de oxigênio por organismos que vivem nos sedimentos, utilizando equipamentos posicionados diretamente sobre o fundo oceânico.
O resultado contrariou as expectativas. Em vez de diminuir, a concentração de oxigênio aumentou dentro de determinadas câmaras experimentais. O fenômeno chamou atenção do oceanógrafo Andrew Sweetman, da Associação Escocesa de Ciências Marinhas, que passou a investigar possíveis mecanismos capazes de explicar as leituras.
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Por que o oxigênio escuro surpreendeu os cientistas numa região sem luz?
Grande parte do oxigênio utilizado pelos organismos marinhos tem origem na fotossíntese realizada por plantas, algas e cianobactérias. Nas profundezas, onde não existe luz suficiente para esse processo, o oxigênio normalmente chega por meio da circulação das águas oceânicas.
A investigação considerou cinco elementos importantes:
- Sensores instalados em câmaras sobre os sedimentos;
- Medições realizadas em completa ausência de luz solar;
- Presença de nódulos metálicos espalhados pelo fundo;
- Experimentos com amostras transportadas para laboratório;
- Possibilidade de interferências produzidas pelo equipamento.
O vídeo Dark Oxygen: Re-writing Earth’s Evolution!, publicado pelo canal científico Just Have a Think em julho de 2024, apresenta as medições e a hipótese dos nódulos metálicos. O material antecede críticas científicas importantes publicadas posteriormente.
Como os nódulos metálicos poderiam produzir oxigênio sem fotossíntese?
Os nódulos polimetálicos são formações que contêm manganês, níquel, cobalto e outros metais. Desenvolvem-se lentamente no fundo oceânico e despertam interesse econômico por suas matérias-primas. Sweetman e seus colaboradores sugeriram que diferenças de potencial elétrico nessas estruturas poderiam favorecer reações capazes de liberar oxigênio da água.
O mecanismo proposto envolve eletrólise, processo que exige energia para separar moléculas de água. Entretanto, os pesquisadores não demonstraram uma fonte energética capaz de sustentar essa reação nas condições estudadas. Outros cientistas argumentam que as tensões registradas são insuficientes e que bolhas de ar ou problemas na preparação das câmaras poderiam explicar parte das leituras.
Qual estudo científico apresentou as primeiras evidências de oxigênio escuro?
O estudo original publicado na revista Nature Geoscience, em 22 de julho de 2024, foi liderado por Andrew Sweetman e colaboradores internacionais. Os autores relataram aumentos de oxigênio em câmaras instaladas sobre sedimentos ricos em nódulos polimetálicos, propondo uma possível origem eletroquímica.
Entretanto, em 8 de abril de 2026, a revista acrescentou uma nota editorial informando que aspectos do artigo estavam sendo questionados. Uma crítica publicada em dezembro de 2025 apontou problemas metodológicos, ausência de confirmação independente e possíveis artefatos experimentais. Até então, a hipótese de produção pelos nódulos não havia sido reproduzida de maneira conclusiva.

Quais números mostram a dimensão das medições de oxigênio escuro?
Nos experimentos originais, a concentração de oxigênio aumentou para mais de três vezes o nível de referência durante aproximadamente dois dias. Os pesquisadores também registraram potenciais elétricos de até 0,95 volt na superfície de determinados nódulos metálicos.
Uma revisão crítica estimou que as taxas relatadas corresponderiam a 1,7 a 18 milimols de oxigênio por metro quadrado diariamente. Esses valores representam resultados experimentais contestados, não uma quantidade comprovadamente produzida pelo fundo oceânico.
| Indicador científico | Resultado ou situação |
|---|---|
| Profundidade investigada | Cerca de 4.000 metros |
| Aumento de oxigênio relatado | Mais de 3 vezes o valor inicial de referência |
| Duração observada | Aproximadamente 48 horas |
| Potencial elétrico medido | Até 0,95 volt |
| Situação da hipótese | Contestada e sem confirmação independente conclusiva |
Por que descobrir a verdadeira origem do oxigênio escuro é importante?
Se uma fonte natural adicional de oxigênio for confirmada, será necessário investigar sua contribuição para a química dos sedimentos e para os organismos das grandes profundidades. A questão também interessa ao debate sobre mineração submarina, pois os nódulos metálicos integram habitats pouco conhecidos.
Entretanto, detectar um aumento de oxigênio dentro de um equipamento não prova que ele esteja sendo produzido naturalmente no oceano. Experimentos independentes, controles rigorosos e medições dos produtos químicos envolvidos serão indispensáveis. Independentemente do resultado, a controvérsia demonstra como descobertas surpreendentes precisam resistir à reprodução científica antes de modificar explicações consolidadas.
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