Salões subterrâneos chegam a 120 metros de largura antes de um rio sair da montanha e encontrar o mar nas Filipinas
Câmaras gigantes, água salobra e influência das marés formam um corredor subterrâneo que liga o interior de Palawan diretamente ao oceano
Na ilha de Palawan, nas Filipinas, o rio subterrâneo de Puerto-Princesa atravessa um maciço de calcário antes de desembocar diretamente no oceano. Dentro da montanha, o curso passa por grandes câmaras, algumas com até 120 metros de largura e 60 metros de altura. O sistema possui 8,2 quilômetros de extensão, enquanto sua metade inferior recebe influência direta das marés e apresenta água salobra.
Como o rio subterrâneo de Puerto-Princesa atravessa a montanha?
O rio percorre o maciço cárstico de Saint Paul, onde a água dissolveu lentamente o calcário e ampliou fraturas até formar condutos, galerias e grandes câmaras. A drenagem subterrânea passou a conectar áreas interiores diretamente à costa oeste de Palawan.
O sistema conhecido atualmente possui 8,2 quilômetros de rio subterrâneo. A UNESCO destaca justamente a combinação entre paisagem cárstica, grandes espaços internos e uma característica relativamente incomum: o curso d’água não reaparece em outro vale, mas segue até o próprio mar.
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Como surgiram salões com até 120 metros de largura?
A dissolução do calcário não ocorre uniformemente. Fraturas, juntas e diferentes camadas da rocha orientam a circulação da água, fazendo determinados setores crescerem muito mais que outros. Colapsos do teto também podem ampliar espaços originalmente menores.
Algumas câmaras alcançam cerca de 120 metros de largura e 60 metros de altura. Essas dimensões não se repetem ao longo de toda a caverna, mas mostram a escala que a dissolução e o desabamento conseguiram produzir dentro da montanha.
- Rio subterrâneo com 8,2 quilômetros;
- Câmaras com até 120 metros de largura;
- Tetos que chegam a cerca de 60 metros;
- Trecho inferior influenciado pelas marés;
- Desembocadura diretamente no oceano.
Por que o rio subterrâneo de Puerto-Princesa fica salobro?
A entrada costeira permite que a maré avance pelo curso subterrâneo. Por isso, a UNESCO descreve aproximadamente a metade inferior do rio como salobra, resultado da mistura entre água doce vinda do interior da ilha e água salgada proveniente do oceano.
Essa proporção não permanece absolutamente fixa. Chuvas fortes aumentam a vazão continental, enquanto ciclos de maré modificam níveis, correntes e salinidade. Assim, o interior da caverna funciona parcialmente como um estuário escondido sob a montanha.
Como os pesquisadores medem a influência do oceano dentro da caverna?
Pesquisadores instalaram instrumentos para medir condutividade elétrica, temperatura, nível da água e outros parâmetros ao longo do rio. Essas informações permitem identificar onde existe água doce superficial, onde a salmoura avança pelo fundo e como o sistema reage a eventos de chuva intensa.
Um estudo publicado na Acta Carsologica analisou a hidrodinâmica do sistema durante uma tempestade que despejou cerca de 80 milímetros de chuva em 12 horas. Os dados mostraram rápida substituição da água e forte interação entre descarga continental e intrusão marinha.

Até onde os visitantes conseguem entrar no rio subterrâneo de Puerto-Princesa?
Embora o rio possua 8,2 quilômetros, a UNESCO considera navegáveis aproximadamente 4,5 quilômetros a partir da entrada. O percurso turístico regular cobre apenas parte dessa distância, protegendo setores mais profundos e reduzindo impactos sobre o ambiente subterrâneo.
As embarcações passam por espeleotemas, salões e trechos estreitos enquanto o rio ocupa grande parte do piso da caverna. A acessibilidade incomum tornou Puerto-Princesa um dos poucos grandes sistemas subterrâneos onde visitantes conseguem experimentar diretamente uma transição entre montanha e oceano.
Por que esse corredor entre montanha e mar é tão protegido?
O Parque Nacional do Rio Subterrâneo de Puerto-Princesa entrou na Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO em 1999. A área protegida possui cerca de 22 mil hectares e conserva uma sequência praticamente contínua entre florestas montanhosas, ambientes cársticos e ecossistemas costeiros.
Essa continuidade é essencial porque alterações na floresta ou na bacia de drenagem podem chegar rapidamente ao rio subterrâneo. Preservar apenas a entrada da caverna não seria suficiente: o funcionamento do sistema depende de toda a paisagem situada acima e ao redor da montanha.
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