Rede de música fecha 102 lojas após entrar em colapso e 1.340 trabalhadores se despedem da empresa
Rede que era referência de CDs e DVDs fechou todas as lojas de uma vez e demitiu mais de mil trabalhadores. Entenda o que acabou com o modelo de negócio

O que você vai ver
- Qual rede de música fechou todas as lojas de uma vez.
- O que acabou com o modelo de negócio da rede.
- Quem comprou parte das lojas para tentar salvar empregos.
- Como ficou o mercado de mídia física depois do fechamento.
Uma rede que por décadas foi sinônimo de compra de CDs, DVDs e jogos anunciou o fechamento de todas as suas lojas de uma só vez, deixando mais de mil trabalhadores diante da demissão coletiva. O caso virou símbolo do fim de uma era para o varejo de mídia física.
Qual rede de música fechou todas as lojas de uma vez?
A rede é a HMV Canada, que em janeiro de 2017 entrou em processo de administração judicial e anunciou o fechamento das 102 lojas que ainda mantinha em operação no país, com a demissão de cerca de 1.340 trabalhadores.
A HMV havia chegado a operar mais de 130 lojas no Canadá em seus anos de auge, e sua queda repetiu, com alguns anos de atraso, o mesmo destino da divisão americana da marca, encerrada ainda antes.
"After thirty years in the game, HMV Canada will close all of its 102 retail stores by 30 April." via @TheVinylFactory pic.twitter.com/bMbbcEVOvB
— Discogs (@discogs) January 31, 2017
O que acabou com o modelo de negócio da rede?
A empresa citou a migração acelerada dos consumidores para streaming de música e vídeo, além da concorrência de grandes varejistas online, como as principais razões para a queda nas vendas de CDs, DVDs, Blu-rays e jogos físicos, categorias que sustentavam a maior parte do faturamento das lojas.
O modelo de loja física especializada em mídia, que havia sido extremamente lucrativo nas décadas de 1990 e 2000, perdeu relevância rapidamente conforme o consumo de entretenimento se tornou majoritariamente digital, um processo que já vinha derrubando outras redes do mesmo segmento havia anos.
Quem comprou parte das lojas para tentar salvar empregos?
A rede canadense de discos Sunrise Records, comandada pelo empresário Doug Putman, comprou os contratos de aluguel de cerca de 70 dos antigos pontos da HMV Canada, reabrindo boa parte deles sob a própria marca e preservando parte dos empregos que seriam perdidos com o fechamento total.
Putman já era conhecido por apostar em consolidar o que sobrava do varejo físico de música quando outras redes desistiam do setor, estratégia parecida com a que ele tentaria anos depois na tentativa fracassada de resgatar a rede britânica Wilko, que também acabou não vingando.
O fechamento repetiu o que já tinha acontecido nos Estados Unidos?
Sim. A divisão americana da marca, a HMV USA, havia encerrado suas operações ainda em 2003, quase 15 anos antes do colapso da unidade canadense, o que deixou a HMV Canada como a última grande operação da marca em atividade na América do Norte até o próprio fechamento em 2017.
A demora entre um encerramento e outro mostra como a rede canadense conseguiu sobreviver por mais tempo à migração para o digital, adaptando o mix de produtos com itens de cultura pop e colecionáveis, antes de finalmente sucumbir à mesma pressão que já havia derrubado a operação irmã nos Estados Unidos.

Como ficou o mercado de mídia física depois do fechamento?
O fim da HMV Canada como rede independente reforçou uma tendência já consolidada no varejo de entretenimento: lojas especializadas em CDs, DVDs e jogos físicos passaram a depender cada vez mais de nichos como vinil colecionável e itens de cultura pop para sobreviver, em vez do volume de mídia tradicional que sustentava o negócio décadas atrás.
- Anos 1990-2000: auge da rede, com mais de 130 lojas no Canadá.
- Anos seguintes: queda constante nas vendas de mídia física.
- Janeiro de 2017: entrada em administração judicial e fechamento das 102 lojas restantes.
- 1.340 trabalhadores demitidos no processo.
- Cerca de 70 lojas reabertas pela Sunrise Records sob nova marca.
Mais detalhes sobre o fechamento estão disponíveis na CBC.
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