Rede com 800 lojas e 19 mil funcionários quebra pela segunda vez em menos de um ano e decide fechar todas as unidades
Uma tentativa de reestruturação preservou as lojas inicialmente, mas problemas de estoque e caixa levaram a rede à liquidação total.
O fechamento de centenas de lojas transformou uma recuperação financeira em liquidação total em poucos meses. A Joann, tradicional rede americana de tecidos e artesanato, entrou novamente em Chapter 11 em janeiro de 2025, menos de um ano após sair do primeiro processo.
Por que a Joann entrou em recuperação novamente?
A companhia saiu de sua primeira recuperação em abril de 2024, após reduzir parte da dívida e permanecer com as lojas abertas. Nos meses seguintes, porém, problemas de estoque, entregas irregulares e pressão sobre o caixa dificultaram a retomada prevista.
Em 15 de janeiro de 2025, a rede recorreu outra vez ao Chapter 11 do Código de Falências dos Estados Unidos. Os documentos judiciais descrevem uma combinação de falta de liquidez, dificuldades com fornecedores e ambiente desfavorável para gastos discricionários.

Quanto a rede devia quando pediu proteção judicial?
Na segunda recuperação, a Joann declarou cerca de US$ 615,7 milhões em dívida financiada. Pela conversão de R$ 5,13 por dólar, o montante equivale a aproximadamente R$ 3,16 bilhões.
Além disso, havia aproximadamente US$ 133 milhões devidos a fornecedores de mercadorias, perto de R$ 682 milhões pela mesma cotação. O valor mostra que o problema não estava restrito aos empréstimos bancários e alcançava diretamente a cadeia de abastecimento.
Os números centrais do processo mostram a escala financeira:
Quantas lojas e funcionários a Joann ainda tinha?
O pedido judicial registrava aproximadamente 800 lojas em 49 estados e cerca de 19 mil empregados. Desse total, 3.400 trabalhavam em período integral e 15.600 em meio período.
A maior parte da força de trabalho estava diretamente nas unidades físicas: cerca de 17.500 pessoas. A dimensão da rede tornou a liquidação especialmente ampla, pois o encerramento atingiu lojas espalhadas por quase todo o território americano.
O que levou a rede da recuperação para a liquidação?
A Joann inicialmente buscava uma venda que permitisse preservar parte significativa da operação. Em fevereiro de 2025, chegou a planejar o fechamento de mais de 500 lojas enquanto procurava um comprador para os ativos restantes.
O processo terminou com uma oferta vencedora apresentada por um grupo que incluía a GA Group e credores da empresa. Em vez de manter a rede funcionando, o plano passou a prever a liquidação de todas as unidades e a venda dos ativos.
Três fatores ajudam a explicar essa virada:
Por que a primeira recuperação não resolveu o problema?
Na reestruturação de 2024, a empresa reduziu significativamente sua dívida e saiu do processo em abril. O plano dependia de uma melhora operacional que não ocorreu na velocidade esperada, especialmente na recomposição dos estoques.
O documento apresentado ao Tribunal de Falências de Delaware relata que os níveis de produtos disponíveis chegaram a cair mais de 10%, prejudicando vendas e a capacidade de pagar a dívida reestruturada.
O fechamento significou o fim das lojas físicas?
Sim. A decisão de 2025 levou ao encerramento de todas as unidades físicas da Joann, após mais de oito décadas de atuação no varejo americano. As vendas de liquidação começaram enquanto a empresa transformava estoques, imóveis arrendados e outros ativos em recursos para o processo.
O caso mostra como uma redução de dívida pode não ser suficiente quando os problemas operacionais continuam. Em menos de um ano, a Joann passou de uma saída de Chapter 11 com lojas preservadas para uma segunda recuperação seguida de liquidação total.
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