Rasputin, o “bruxo” russo que se recusou a morrer
Na Rússia do início do século 20, a figura de Grigori Rasputin cruzou os momentos finais do Império Romanov
Na Rússia do início do século 20, a figura de Grigori Rasputin cruzou os momentos finais do Império Romanov de maneira intensa e controversa.
Camponês siberiano, místico e curandeiro autoproclamado, ele ganhou espaço no círculo íntimo do czar Nicolau II e da czarina Alexandra, em meio à crise política, social e militar que atingia o país às vésperas da Revolução de 1917.
Como Rasputin se aproximou da família imperial russa?
A ascensão de Rasputin à corte ocorreu pela preocupação com a saúde do herdeiro Alexei, que sofria graves hemorragias, provavelmente ligadas à hemofilia.
Quando os tratamentos médicos falharam, surgiram relatos de que um camponês com “dons espirituais” conseguia aliviar as crises.
Ao ser chamado ao palácio e aparentar ajudar o jovem, Rasputin passou a ser visto como presença indispensável, o que provocou forte reação da nobreza e do Parlamento russo, que consideravam escandalosa a influência de um camponês no centro do poder.
Ele não tomava banho.
— Olivertalk (@oliver_talk) September 7, 2025
Cheirava a bicho.
A barba vivia suja de comida.
Mesmo assim… as mulheres mais bonitas da Rússia disputavam a cama dele.
Essa é a história insana de Grigori Rasputin,
o “monge louco” que virou lenda. 🧵 pic.twitter.com/zRUTXMRaYa
Como surgiu o mito do “monge maléfico” e sua influência política?
O nome “Rasputin” virou sinônimo de devassidão, manipulação e charlatanismo, imagem alimentada por setores da aristocracia e da imprensa hostis ao místico. Ele era retratado como libertino e frequentador de festas, em contraste com sua presença em momentos de oração ao lado da czarina.
Embora atuasse sobretudo como conselheiro espiritual, a opinião pública ampliou seu papel para o campo político, atribuindo-lhe influência em nomeações, demissões e decisões na Primeira Guerra, o que o transformou em alvo tanto de conservadores quanto de revolucionários.
Como ocorreu o assassinato de Rasputin e quem participou do complô?
Na madrugada de 16 para 17 de dezembro de 1916, um grupo de conspiradores se reuniu no palácio do príncipe Félix Yusupov, em São Petersburgo, para matar Rasputin.
O plano, narrado por Yusupov, previa atraí-lo com promessa de encontro privado e eliminá-lo discretamente para “salvar” a monarquia.
Segundo esse relato, tentaram primeiro envenená-lo com bolo e vinho com cianeto; como nada ocorreu, recorreram a armas de fogo, com participação do grão-duque Dimitri Pavlovich e do deputado Vladimir Purishkevich, entre outros opositores declarados.
A colorized photo of Grigori Rasputin with the last Empress of Russia and her five children in 1908…..
— Archaeo – Histories (@archeohistories) January 16, 2026
This rare, colorized image from 1908 captures Grigori Rasputin with Empress Alexandra Feodorovna and her children, the last royal family of Imperial Russia. Known as the… pic.twitter.com/cflbNeYQkg
Que dúvidas cercam o crime e qual pode ter sido o papel britânico?
Com acesso a documentos antes secretos e novas análises forenses, surgiram dúvidas sobre a versão única de Yusupov.
Especialistas apontaram que os três disparos encontrados no corpo teriam partido de armas diferentes, sendo um deles compatível com uma pistola Webley .455, comum entre oficiais britânicos.
Essa evidência reforçou a hipótese de envolvimento do serviço secreto britânico. Entre as suspeitas frequentemente citadas está a figura do agente Oswald Rayner, ligado a Yusupov por laços de estudo em Oxford.
- Disparos de armas diferentes sugerem múltiplos executores no crime.
- Um tiro fatal pode ter vindo de arma de uso típico de oficiais britânicos.
- Interesses aliados na manutenção da Rússia na guerra alimentam a tese de complô estrangeiro.
Quais foram as consequências políticas e o legado da figura de Rasputin?
Após o assassinato, Nicolau II limitou-se a banir Yusupov e Pavlovich, sem punições exemplares, o que reforçou a percepção de desorganização da monarquia.
O episódio não recuperou a imagem do regime, fornecendo aos revolucionários um símbolo de decadência moral e incapacidade política. Meses depois, o czar foi derrubado e, em outubro de 1917, os bolcheviques chegaram ao poder.
Rasputin passou a ser usado como emblema dos excessos do antigo regime, enquanto seu suposto poder de curar Alexei e a aura mística que o cercava alimentaram um mito que ainda inspira debates históricos e obras de ficção.
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