Quatorze vértebras apareceram na Espanha e quebraram uma regra de 148 anos ao revelar o primeiro Diplodocus confirmado fora da América do Norte
Fósseis de Teruel ampliam a distribuição do famoso saurópode e reforçam evidências de intercâmbio entre faunas jurássicas de dois continentes
Desde que Diplodocus foi nomeado em 1878, todos os fósseis confirmados do gênero vinham da América do Norte. Essa história mudou com 14 vértebras da cauda encontradas em Teruel, na Espanha. O primeiro registro de Diplodocus na Europa vem de rochas do Jurássico Superior, com cerca de 150 milhões de anos, e oferece novas evidências de intercâmbio de dinossauros entre os dois lados do proto-Atlântico.
Onde apareceu o primeiro Diplodocus confirmado fora da América do Norte?
Os fósseis vieram do sítio La Tejería, no município de El Castellar, província de Teruel. O local pertence à Formação Villar del Arzobispo, depositada durante o final do Kimmeridgiano e o Tithoniano, no Jurássico Superior. Os primeiros ossos foram localizados em 2008.
A equipe recuperou cinco vértebras naquele ano e outras nove durante escavações realizadas em 2014 e 2015. Além das 14 vértebras caudais, foram encontrados vários chevrones, ossos situados abaixo das vértebras da cauda. Parte da sequência permanecia articulada, fortalecendo a interpretação de que os elementos pertenciam ao mesmo animal.
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Como 14 vértebras permitiram reconhecer um Diplodocus na Europa?
As vértebras correspondem aproximadamente às posições 22 a 35 da cauda. Os pesquisadores compararam forma, proporções e estruturas anatômicas com outros diplodocídeos, observando centros vertebrais alongados, cavidades pneumáticas e características dos chevrones compatíveis com Diplodocus.
Duas análises filogenéticas independentes — máxima parcimônia e inferência bayesiana — posicionaram repetidamente o exemplar dentro do gênero. Como não há material suficiente para reconhecer uma espécie específica com segurança, os autores adotaram a classificação conservadora Diplodocus sp.
- 14 vértebras da região média e posterior da cauda;
- Vários chevrones associados;
- Parte dos ossos encontrada articulada;
- Comprimento corporal estimado em cerca de 25 metros;
- Identificação mantida em nível de gênero.
Este vídeo do Natural History Museum mostra diretamente a anatomia de um esqueleto de Diplodocus.
Por que esse Diplodocus ficou 148 anos sem equivalente confirmado em outro continente?
O gênero foi estabelecido por Othniel Charles Marsh em 1878 a partir de fósseis norte-americanos. Desde então, seus registros seguros permaneceram concentrados na Formação Morrison, unidade geológica amplamente exposta no oeste dos Estados Unidos e famosa por sua diversidade de dinossauros do Jurássico Superior.
A Europa já possuía fósseis de outros diplodocídeos e diplodocoides, mas nenhum material havia sido demonstrado convincentemente como pertencente a Diplodocus. O intervalo de 148 anos, portanto, corresponde ao tempo entre a criação formal do gênero e a publicação, em 2026, da primeira identificação intercontinental.
O que o estudo mostrou sobre a ligação entre Espanha e América do Norte?
O estudo publicado no Journal of Vertebrate Paleontology interpreta o exemplar de Teruel como uma das evidências mais fortes de episódios de dispersão entre faunas norte-americanas e europeias durante o final do Jurássico.
Naquela época, o Atlântico Norte ainda estava em formação. Oscilações do nível do mar e configurações paleogeográficas podem ter criado oportunidades temporárias de dispersão entre massas continentais. Outros gêneros encontrados nos dois lados, como Allosaurus, Ceratosaurus e Stegosaurus, já indicavam conexões faunísticas semelhantes.

A identificação do Diplodocus na Europa é considerada definitiva?
Os autores consideram suficientemente robusta a atribuição ao gênero, apoiados pela anatomia comparativa e pelas duas análises filogenéticas. Ainda assim, paleontologia trabalha frequentemente com esqueletos incompletos, e o próprio artigo evita atribuir o exemplar a qualquer espécie conhecida de Diplodocus.
Há também cautela externa. Alguns paleontólogos consideram que uma seção da cauda pode ser limitada demais para uma identificação tão precisa e defendem que novos fósseis seriam úteis para confirmar a classificação. Assim, o estudo apresenta uma identificação científica formal e sustentada por análises, mas passível de teste com futuras descobertas.
O que o Diplodocus na Europa muda na história dos dinossauros?
O achado amplia diretamente a distribuição geográfica conhecida do gênero. Um animal antes confirmado apenas na Formação Morrison agora também aparece em depósitos costeiros do leste da Península Ibérica, mostrando que sua história evolutiva não estava restrita à América do Norte.
Mais importante, o exemplar acrescenta uma peça concreta ao debate sobre dispersões intercontinentais no Jurássico Superior. Em vez de imaginar Europa e América do Norte como faunas completamente isoladas, os fósseis indicam episódios de conexão que permitiram a circulação de diferentes linhagens de grandes dinossauros.
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