Quase 3 mil estrelas explodidas entraram na maior análise já feita sobre energia escura, e o resultado voltou a pressionar um pilar da cosmologia
Compilação com quase 3 mil supernovas sugere que a energia escura pode variar com o tempo, contrariando o modelo cosmológico padrão

O que você vai ver
- Quantas supernovas entraram nessa análise e por que o tamanho da amostra importa.
- O que o modelo cosmológico padrão afirma sobre a energia escura.
- O que o novo resultado sugere sobre a energia escura mudar com o tempo.
- Que outro instrumento, de forma independente, apontou na mesma direção.
- O que vem a seguir para tentar confirmar essa possível mudança.
Uma equipe internacional liderada pela Universidade de Queensland reuniu a maior coleção já compilada de estrelas que explodiram em supernovas para testar a expansão do universo, e o resultado voltou a colocar pressão sobre a ideia de que a energia escura seria uma constante imutável do cosmos.
Quantas supernovas entraram na análise?
Ao todo, 2.884 supernovas do tipo Ia, explosões de anãs brancas usadas como “velas-padrão” para medir distâncias cósmicas, foram reunidas nesta que os autores descrevem como a maior coleção desse tipo de evento já compilada, combinando medições coletadas ao longo de cerca de três décadas de observações astronômicas, incluindo dados do Dark Energy Survey publicados em 2024.

O que o modelo padrão diz sobre a energia escura?
O modelo cosmológico padrão trata a energia escura, força responsável por acelerar a expansão do universo, como uma propriedade constante, que não muda de intensidade ao longo do tempo cósmico, pressuposto que sustenta boa parte dos cálculos usados hoje para descrever a evolução e o destino final do universo.
O que o novo resultado sugere?
A nova compilação, conduzida pelo doutorando Ryan Camilleri e pela astrofísica Tamara Davis, encontrou indícios de que a energia escura pode mudar de intensidade ao longo do tempo, em vez de permanecer constante como prevê o modelo padrão, ao cruzar os dados de supernovas com informações da luz remanescente do Big Bang e mapas da distribuição de galáxias no universo.
Que outro instrumento apontou na mesma direção?
De forma independente, o Dark Energy Spectroscopic Instrument (DESI), que estuda ondas sonoras remanescentes do universo primitivo, também encontrou indícios de que a energia escura varia com o tempo, e embora as duas medições não apontem exatamente para o mesmo grau de variação, a coincidência de duas abordagens observacionais diferentes chegando a conclusões parecidas reforça a suspeita entre os cosmólogos.
2019 #YearInReview: Achieved First Light for Dark Energy Experiment🏆! @doescience supported Dark Energy Spectroscopic Instrument (DESI) achieved first light on October. Read more accomplishments: ➡️ https://t.co/9dS7NsEdJJ https://t.co/hAqzXmzNIe
— U.S. Department of Energy (@ENERGY) December 14, 2019
O que vem a seguir?
O programa batizado de DEBASS deve incorporar centenas de supernovas localizadas mais perto da Terra do que as já estudadas pelo Dark Energy Survey, ampliação que a equipe espera que ajude a confirmar, com mais precisão estatística, se a energia escura realmente evolui ao longo da história do universo ou se o desvio observado até aqui ainda cabe dentro da margem de erro das medições atuais.
Resultados que colocam em xeque ideias tratadas como certas há décadas também aparecem na reportagem sobre a rede de artigos para festas que fechou todas as lojas após decretar a segunda falência em dois anos.
Mais detalhes sobre o estudo estão disponíveis na reportagem original do ScienceDaily.
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