Provérbio árabe do dia: “a pressa vem do diabo; a paciência, do Misericordioso”. Lições sobre decisões por impulso e por que esperar também é agir
O provérbio árabe "a pressa vem do diabo, a paciência do Misericordioso" tem raiz em ditos do profeta Maomé e ensina que esperar também é uma forma de agir
“A pressa vem do diabo; a paciência, do Misericordioso.” O provérbio árabe carrega uma lição prática: decisões tomadas no impulso costumam sair caras — e esperar também é uma forma de agir.
De onde vem o provérbio árabe sobre pressa e paciência?
O ditado tem raiz num dito atribuído ao profeta Maomé, registrado em coletâneas clássicas de hadiths — “al-‘ajala min ash-shaytan wa at-ta’anni min ar-Rahman”, algo como “a pressa vem de Satanás, e a ponderação, do Misericordioso”.
Coleções como o Sunan al-Tirmidhi registram variações próximas desse dito, e ele se popularizou como provérbio no mundo árabe, para além do contexto estritamente religioso.

Qual é o sentido por trás de “a pressa vem do diabo”?
O provérbio associa decisões apressadas a um impulso ruim, quase automático — e a ponderação a uma virtude, algo que exige esforço deliberado para ser exercida.
Não é acaso a escolha das palavras: pressa é tratada como tentação fácil de ceder; paciência, como algo que vem de uma fonte mais elevada, que precisa ser buscada conscientemente.
Por que “ter paciência” não é o mesmo que “não fazer nada” nesse provérbio?
Esperar, nesse contexto, não é sinônimo de inércia. É uma escolha ativa de não decidir sob o calor do momento — o que, na prática, também é um tipo de ação.
Isso separa paciência de passividade: quem espera está processando informação e controlando impulso, não simplesmente evitando agir.
O Código de Defesa do Consumidor formaliza, na prática, o mesmo princípio do provérbio.
O artigo 49 do CDC garante 7 dias corridos de “direito de arrependimento” para compras feitas fora de loja física.
Reconhece que a decisão tomada no calor da compra pode não refletir o julgamento com mais calma, dias depois.
Em quais situações do dia a dia esse ditado se aplica?
Para dar concretude ao provérbio, vale isolar três situações em que esperar 24 horas muda a decisão:
- Responder um e-mail ou mensagem no calor da raiva — o texto escrito no impulso raramente é o mesmo que se escreveria no dia seguinte.
- Fazer uma compra por impulso, sobretudo de valor alto, sem checar se ela cabe no orçamento planejado.
- Tomar uma decisão de carreira sob pressão — pedir demissão ou aceitar uma proposta no calor de uma discussão.

Como colocar essa paciência em prática, na prática?
A aplicação mais simples do provérbio é criar, de propósito, o intervalo que ele recomenda: esperar um dia inteiro antes de agir em qualquer uma dessas três situações, sempre que a decisão permitir esse adiamento sem prejuízo real.
Esse mesmo princípio de deixar a decisão amadurecer antes de agir já apareceu em outra tradição que exploramos por aqui, a sabedoria iorubá sobre adversidade e comunidade.

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