Projeto de 297 km vai levar água do Rio São Francisco para 1 milhão de pessoas usando a própria gravidade, sem precisar de bombeamento pelo caminho
O relevo será usado para fazer a água seguir pelo caminho sem depender de bombas
Fazer água atravessar centenas de quilômetros normalmente significa construir grandes estações de bombeamento e gastar energia continuamente. No interior da Bahia, um projeto segue outra lógica. O Canal do Sertão Baiano foi desenhado para distribuir água por 297 km aproveitando a diferença de altitude do terreno no seu trecho principal.
Como um canal de 297 km consegue funcionar sem bombas?
O Canal do Sertão Baiano foi projetado para ser totalmente gravitário após a captação. Segundo a Codevasf, a água percorre os 297 km do sistema principal sem precisar ser elevada por estações de bombeamento ao longo desse trecho.
Isso é possível porque o traçado acompanha uma sequência de cotas cuidadosamente calculadas. Em vez de empurrar a água continuamente com motores, os engenheiros usam a própria diferença de altitude para manter o fluxo em direção às áreas atendidas.

O que precisa ser construído para a gravidade levar água tão longe?
Um canal gravitário não significa simplesmente abrir uma vala e deixar a água correr. O sistema precisa controlar inclinação, nível, vazão e velocidade ao longo de todo o caminho para impedir perdas e manter a distribuição funcionando.
O projeto prevê canais, reservatórios de compensação e estruturas de controle. Documentos técnicos da Codevasf indicam vazão de projeto de até 20 m³ por segundo no eixo principal do CSB, equivalente a 20 mil litros de água por segundo.
De onde vem a água que entra no Canal do Sertão Baiano?
A água tem origem no Rio São Francisco e chega ao novo eixo por meio da infraestrutura do Projeto de Irrigação Salitre, em Juazeiro. É nessa ligação inicial que existe uma diferença importante entre o sistema completo e os 297 km do canal gravitário.
A integração com o Salitre possui trechos anteriores com bombeamento. Por isso, documentos que somam essa infraestrutura ao CSB chegam a aproximadamente 317 km. Depois dessa etapa de captação e elevação, os 297 km do Canal do Sertão Baiano foram concebidos para seguir por gravidade.
- Origem: água do Rio São Francisco.
- Entrada no sistema: infraestrutura do Projeto Salitre, em Juazeiro.
- Trecho completo com interligação: cerca de 317 km em documentos mais recentes.
- Canal do Sertão Baiano: 297 km projetados para funcionar por gravidade após a captação.
Quantas pessoas podem receber essa água?
A versão atual do projeto divulgada pela Codevasf fala em atendimento a mais de 1 milhão de pessoas. Outras atualizações do Governo Federal usam aproximadamente 1,2 milhão de moradores distribuídos por dezenas de municípios do interior baiano.
A água não será destinada somente ao consumo humano. O sistema também foi planejado para apoiar agricultura, criação de animais, piscicultura e atividades produtivas. A estimativa oficial é de potencial para gerar cerca de 45 mil empregos diretos e indiretos quando o empreendimento estiver implantado.
Em que estágio está o Canal do Sertão Baiano em 2026?
O empreendimento ainda está sendo implantado por etapas. Em fevereiro de 2025, o Governo Federal autorizou a execução dos primeiros 10,6 km da interligação com o Projeto Salitre, com investimento anunciado de R$ 118,8 milhões.
Uma nota técnica da Codevasf reproduzida pelo Ministério Público Federal informou que, em 27 de fevereiro de 2026, esse contrato permanecia na elaboração do projeto executivo e as obras físicas daquele trecho ainda não tinham começado.
O projeto completo continua previsto nos planos da Codevasf. Quando o eixo gravitário estiver implantado, a diferença de altura do próprio sertão fará o trabalho que, em outros sistemas, exigiria bombas funcionando continuamente por quase 300 km.
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