“Prefiro estar morto antes que a arte com IA tome conta”
Entrevista da jornalista americana Angela Watercutter revela críticas de Guillermo del Toro à IA nas artes e sua leitura de “Frankenstein”
Angela Watercutter, da revista WIRED, entrevista Guillermo del Toro no texto “Guillermo del Toro espera estar morto antes que a arte com IA tome conta”, publicado nesta sexta, 31.
O diretor comenta sua adaptação de “Frankenstein”, em cartaz em salas selecionadas e com estreia na Netflix em 7 de novembro.
Del Toro rejeita o uso de inteligência artificial na criação artística e separa ciência de arte.
Afirma que vê aplicações técnicas úteis, mas sustenta que “na arte, ninguém pediu por isso” e questiona a viabilidade econômica: “quem pagará 4,99 dólares por algo criado com IA?”.
Ele diz que o “divisor de águas” seria o consumo pago de produtos artificiais.
Declara que, se isso ocorrer, aceitará as consequências, mas deseja distância do cenário: “com um pouco de sorte, vou morrer antes”.
Ao tratar de “Frankenstein”, del Toro recusa clichês do “cientista louco” e da turba com tochas.
Explica que estruturou o filme como o romance, com vozes distintas, e resume sua contribuição autoral: “o que há de novo sou eu”.
O diretor afirma que o livro não é anticiência e o aproxima de “Paraíso Perdido”.
Diz que a criatura formula a pergunta central do romantismo: “por que estou aqui se não pedi para nascer?”, deslocando o foco da técnica para o sentido da existência.
Sobre Victor Frankenstein, del Toro destaca a falta de arrependimento e a retórica autoritária.
Relaciona o personagem ao presente e descreve “o tirano que se vê como vítima”, citando políticos, executivos do Vale do Silício, artistas e diretores.
Ele sustenta que a cultura contemporânea confunde tirania com certeza.
Valoriza criadores que convivem com dúvidas e alerta que a autovitimização costuma acompanhar certezas inabaláveis, com impacto nas decisões de poder.
Del Toro comenta o mercado audiovisual dominado por fusões e disputas de streaming, isto é, distribuição on-line.
Afirma que a arte permanece vibrante e imprevisível, lembrando que fenômenos inesperados alcançam milhões de lares e redefinem estratégias industriais.
O cineasta confirma o próximo longa em stop motion, “O gigante enterrado”, baseado em Kazuo Ishiguro.
Relata pesquisa de meses em mecânicas faciais e tecidos miniaturizados enquanto escreve o roteiro, buscando afastar a técnica da “mesa das crianças”.
Ele diz que pretende explorar o gênero policial sem repetir o noir clássico.
Revela estar escrevendo “Fury” para o ator Oscar Isaac, como tentativa de ampliar ferramentas criativas.
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