Por que demorou mais de 70 anos para achar os destroços do Titanic
Profundidade de 4 mil metros e correntes submarinas dificultaram buscas por décadas
A história do Titanic não termina na noite gelada de 1912. Por trás do naufrágio mais famoso do mundo, existe outra trama cheia de reviravoltas: a longa busca pelos destroços do transatlântico, encontrados mais de 70 anos depois graças a tecnologia militar e algumas ideias peculiares.
Como começou a tragédia que virou lenda?
Em 10 de abril de 1912, o Titanic deixou Southampton sob aplausos, parou rapidamente na França e na Irlanda e seguiu rumo a Nova York com mais de 2.200 pessoas a bordo. Na noite de 14 de abril, um iceberg vindo da Groenlândia cruzou o caminho do navio.
O choque foi devastador, e nas primeiras horas de 15 de abril o “inafundável” se partiu ao meio, deixando o fundo do Atlântico como túmulo para 1.514 pessoas. A região do acidente tem cerca de 4 mil metros de profundidade, e as coordenadas transmitidas estavam erradas, tornando a área de busca gigantesca.

Quais foram as ideias mais malucas para resgatar o navio?
Sem tecnologia adequada em 1912, surgiram propostas curiosas para encontrar e até levantar o navio. Muitas dessas ideias hoje parecem roteiro de ficção científica, mas mostram como a obsessão pelo Titanic incentivou a criatividade.
Entre as propostas mais inusitadas estavam:
- Ímãs gigantes em submarinos para “pescar” o casco metálico
- Balões presos ao casco para fazê-lo flutuar até a superfície
- Bolinhas de pingue-pongue para aumentar a flutuabilidade
- Nitrogênio líquido e vaselina para criar um “iceberg artificial”
- Dinamite no fundo do mar para trazer corpos à tona
Como Robert Ballard finalmente encontrou os destroços?
Nos anos 1980, o magnata Jack Grimm patrocinou expedições com tecnologia de sonar, mas ninguém conseguiu localizar o navio. Quem mudou a história foi o oceanógrafo Robert Ballard, que desenvolveu o submersível não tripulado ARGO, capaz de descer até 6 mil metros.
Ballard ganhou apoio militar em troca de filmar dois submarinos nucleares afundados, Thresher e Scorpion, durante a Guerra Fria. A busca pelo Titanic serviu de disfarce para a operação militar. Em 1º de setembro de 1985, de madrugada, a câmera registrou uma caldeira do navio, reconhecida na hora pela equipe.
Curioso sobre a descoberta? Assista ao vídeo com curiosidade sobre o Titanic:
O Titanic vai desaparecer debaixo d’água?
As imagens mostraram que o Titanic se dividiu em duas partes separadas por cerca de 600 metros, com a proa relativamente preservada e a popa destruída pela implosão interna. Entre os destroços, pares de sapatos indicam onde corpos estiveram, e uma cabeça de boneca lembra as 109 crianças a bordo.
O navio está sendo consumido por bactérias que se alimentam de ferro, incluindo a espécie Halomonas titanicae. Comparações feitas em menos de 15 anos já mostram partes inteiras da grade desaparecendo, enquanto turistas pagam caro por viagens em submersíveis e museus em Belfast e Liverpool preservam objetos resgatados.
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