Ponte construída em 1960 será demolida para receber uma estrutura de R$ 176,7 milhões na única ligação rodoviária direta de uma capital brasileira
A substituição da ponte vai mudar uma ligação essencial para quem entra e sai da capital
Uma antiga ponte de concreto na entrada de São Luís, no Maranhão, será demolida depois que inspeções identificaram danos em sua estrutura. Construída em 1960, a Ponte Estreito dos Mosquitos possui 459 metros no sentido de entrada da capital e será substituída por meio de uma contratação de R$ 176,7 milhões. A reconstrução foi programada para começar em setembro de 2026, enquanto a ponte paralela permanece responsável pela circulação de veículos.
Onde fica a ponte que será demolida na entrada de São Luís?
A Ponte Estreito dos Mosquitos fica na BR-135, principal ligação rodoviária entre a Ilha de São Luís e o continente. Ela integra a travessia utilizada por veículos que entram e saem da capital maranhense.
Segundo o comunicado do Ministério dos Transportes de setembro de 2026, o local possui duas estruturas paralelas, com funções diferentes.
A ponte mais antiga atende o sentido de entrada em São Luís. A segunda foi construída posteriormente, durante a ampliação do acesso à ilha, e normalmente atende o sentido de saída.
A localização também é relevante para o abastecimento da capital e para o acesso rodoviário ao complexo portuário de São Luís.

Quais problemas foram encontrados na ponte construída em 1960?
As inspeções identificaram danos no concreto, corrosão de elementos metálicos e perda de rigidez estrutural. Os problemas atingiram a infraestrutura da ponte original, levando à decisão de substituí-la.
O Ministério dos Transportes registrou deslocamento de um bloco de concreto, fissuração elevada e oxidação das armaduras, componentes de aço instalados dentro do concreto armado.
Essas falhas são importantes porque as armaduras ajudam a resistir às forças que atuam sobre a ponte. Quando sofrem corrosão, sua capacidade de colaborar com o concreto pode ser comprometida.
Os principais problemas apontados pelas inspeções foram:
Por que não basta reformar a Ponte Estreito dos Mosquitos?
O governo federal decidiu substituir a estrutura devido ao conjunto de problemas identificados e às limitações do projeto original. A ponte foi construída para atender condições de tráfego muito diferentes das atuais.
O projeto de 1960 considerava um veículo de referência de 24 toneladas. Já o padrão normativo adotado para pontes novas utiliza um veículo de referência de 45 toneladas.
Esses valores representam parâmetros utilizados nos cálculos estruturais, e não uma autorização direta para veículos com esses pesos circularem sem outras restrições.
A reconstrução permitirá adotar critérios atuais de dimensionamento. A contratação também incluirá estudos e projetos necessários à execução da nova estrutura.
Como será feita a demolição sem interromper o acesso à capital?
A demolição será controlada e executada gradualmente para preservar a ponte paralela que permanece em operação. A estrutura antiga não poderá ser retirada de maneira que provoque danos à travessia vizinha.
O DNIT anunciou a interdição preventiva da ponte de entrada depois do monitoramento técnico realizado pelas equipes responsáveis.
Com a restrição, o fluxo de veículos foi direcionado para a estrutura paralela. O objetivo é manter o acesso rodoviário enquanto o trecho comprometido permanece fora de serviço.
Esse tipo de intervenção exige planejamento diferente do utilizado em uma ponte construída do zero, como a ponte prevista sobre o Rio São Francisco para criar uma nova ligação entre estados. Em São Luís, a obra precisa conviver com o tráfego existente.
O que acontecerá com a ponte paralela durante a reconstrução?
A ponte paralela continuará sendo utilizada, com acompanhamento técnico do DNIT. Ela passou por serviços de manutenção, incluindo recuperação de juntas de dilatação.
As juntas permitem que partes da estrutura acomodem movimentos provocados por temperatura e pelo comportamento dos materiais. Sua manutenção ajuda a preservar as condições de circulação.
O Ministério dos Transportes informou que a ponte remanescente era monitorada permanentemente. Também indicou que não seria necessário adotar o sistema de Pare e Siga durante os trabalhos previstos.
O transporte de cargas exige atenção especial devido ao papel da BR-135 no abastecimento da capital. O governo anunciou estudos sobre restrições de horário para veículos de grandes dimensões, sujeitos à regulamentação específica.
Quando a nova ponte deverá ficar pronta e quem executará a obra?
A entrega foi prevista para 2027, conforme o cronograma apresentado pelo Ministério dos Transportes. O contrato emergencial envolve as etapas de estudos, projetos, demolição e construção da nova travessia.
A execução foi atribuída ao Consórcio Ponte Estreito Maranhão, formado pelas empresas Construtora A. Gaspar e Arteleste Construções.
O empreendimento utilizará contratação integrada, modelo que reúne diferentes etapas sob a responsabilidade do contratado. A ordem de serviço foi emitida em setembro de 2026.
A conclusão dependerá da retirada segura da estrutura comprometida, da execução da nova ponte e das verificações necessárias antes da abertura ao trânsito.
Até que a substituição seja finalizada, a travessia paralela continuará desempenhando o papel de acesso rodoviário à capital, sob acompanhamento das equipes responsáveis pela segurança da BR-135.
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