Polvo adormecido muda de cor enquanto sonha e surpreende a internet
Sono em polvos apresenta fases quieta e ativa com mudanças de cor que lembram o sono REM em mamíferos
O comportamento de polvos dormindo, mudando de cor mesmo com os olhos fechados, tem intrigado cientistas e despertado a curiosidade do público. As rápidas transições de tons na pele lembram o sono REM em mamíferos, fase ligada a sonhos vívidos e intensa atividade cerebral, oferecendo pistas sobre como o sono funciona em cérebros muito diferentes do humano.
O que é o sono em polvos e como ele é observado?
Pesquisadores definem o sono por postura relaxada, menor resposta a estímulos e repetição cíclica ao longo do tempo. Em polvos, o corpo fica solto, tentáculos repousam no fundo do tanque e os olhos permanecem fechados ou semicerrados, com reação mais lenta a toques leves.
Estudos com gravações de alta resolução mostram que esse estado não é simples imobilidade, mas um repouso profundo. A análise contínua do comportamento permitiu identificar padrões regulares de descanso, sugerindo a presença de fases distintas de sono, assim como em vertebrados.
Como funcionam o sono quieto e o sono ativo em polvos?
Pesquisas do Instituto de Ciência e Tecnologia de Okinawa (OIST), publicadas em 2023, descreveram dois estados principais: sono quieto e sono ativo. No sono quieto, o polvo fica pálido, quase imóvel, com pouquíssimas mudanças na pele e nos olhos.
No sono ativo, o animal permanece parado, mas exibe padrões intensos de cor, contrações rápidas da pele e breves movimentos oculares. Esses ciclos se alternam ao longo do descanso e lembram a alternância entre sono profundo e sono REM em mamíferos e aves.
Assista ao vídeo que demonstra essa reação:
Um polvo adormecido muda de cor enquanto sonha. Durante o sono, sua pele se ilumina com padrões que parecem refletir o que está acontecendo dentro de sua mente 🐙 pic.twitter.com/qtUk9VTOPW
— Astronomiaum (@astronomiaum) February 23, 2026
O que a mudança de cor pode revelar sobre sonhos em polvos?
Na fase de sono ativo, o polvo parece “reviver” repertórios de camuflagem usados quando acordado, como manchas, listras e mudanças de textura. Em mamíferos, processos semelhantes, durante o sono REM, estão associados ao processamento de memórias e consolidação de aprendizado.
A hipótese mais discutida é que esses padrões, acionados sem estímulos externos, refletem a ativação de circuitos neurais ligados à memória visual e motora. Embora não se possa afirmar que polvos sonham como humanos, o quadro aponta para um estado onírico análogo em um invertebrado.
Perguntas em aberto sobre o sono e a atividade cerebral de polvos?
Ainda há muitas lacunas sobre o que acontece no cérebro do polvo durante o sono. Pesquisadores buscam relacionar, com mais precisão, os padrões de cor observados em vídeo com processos internos ligados à memória e ao planejamento de comportamentos futuros.
Entre as principais questões que orientam novos experimentos, destacam-se:
Quais regiões do sistema nervoso ficam mais ativas?
Investiga quais áreas neurais aumentam a atividade durante o sono ativo e como isso se compara ao estado de vigília.
Há prejuízo mensurável em aprendizado?
Busca entender se a falta de sono gera impactos claros em memória, resolução de tarefas e consolidação de informações.
O ciclo sono quieto × ativo varia?
Analisa se idade, ambiente ou níveis de estresse alteram a duração e a frequência dos diferentes estágios do sono.
As mudanças de cor refletem experiências?
Explora se os padrões cromáticos observados durante o sono se conectam diretamente a eventos vividos em vigília.
Por que o estudo do sono de polvos é relevante para a neurociência?
O polvo é um exemplo de elevada complexidade cognitiva em invertebrados, com habilidades de aprendizado, resolução de problemas e camuflagem sofisticada. Seu sistema nervoso evoluiu de forma independente do dos vertebrados, mas também apresenta ciclos de sono com fases que lembram o sono REM.
Esse paralelismo é visto como evidência de evolução convergente, sugerindo que mecanismos fundamentais do sono podem ser bastante universais. Investigar o sono em polvos ajuda a entender como diferentes cérebros organizam experiências, economizam energia e mantêm o organismo adaptado ao ambiente.
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