Poço mais profundo da Terra foi perfurado por 20 anos e parou a 12 km quando a rocha começou a se comportar como plástico a mais de 180 ºC; veja o que os cientistas encontraram
O Poço Superprofundo de Kola, na Rússia, continua sendo o ponto artificial mais profundo já alcançado pela humanidade,
O Poço Superprofundo de Kola, na Rússia, continua sendo o ponto artificial mais profundo já alcançado pela humanidade, com impressionantes 12.262 metros abaixo da superfície. Iniciado pela União Soviética em 1970, o projeto pretendia investigar a crosta terrestre, mas encontrou um obstáculo inesperado: em grandes profundidades, temperaturas próximas de 180 °C fizeram as rochas se comportarem de maneira tão diferente que continuar perfurando se tornou tecnicamente inviável.
Como o Poço de Kola chegou a 12.262 metros?
A perfuração começou em 1970 na Península de Kola, no extremo norte da Rússia. Diferentemente de projetos voltados à exploração de petróleo, o objetivo era científico: descobrir como a crosta terrestre se comportava em profundidades nunca alcançadas.
O poço principal, conhecido como SG-3, atingiu seu recorde em 1989, depois de quase duas décadas de trabalho. A meta original era chegar a cerca de 15 quilômetros, mas as condições encontradas no subsolo mudaram completamente os planos.
O Poço Superprofundo de Kola, iniciado pela União Soviética na década de 1970, atingiu uma profundidade de 12,2 quilômetros, tornando-se o buraco feito pelo homem mais profundo da Terra, com o ambicioso objetivo de alcançar o manto terrestre. https://t.co/sZjC95P9XE
— Astronomiaum (@astronomiaum) November 1, 2025
Por que o calor impediu a perfuração?
Os pesquisadores esperavam encontrar temperaturas próximas de 100 °C entre 10 e 12 quilômetros de profundidade. Porém, as medições chegaram a aproximadamente 180 °C, tornando a operação muito mais difícil do que o previsto.
O problema não era apenas o calor. Sob temperaturas e pressões extremas, as rochas passaram a apresentar comportamento plástico, deformando-se e dificultando a manutenção do próprio túnel. Na prática, quanto mais fundo os soviéticos tentavam avançar, maior ficava o desafio.
Conheça mais detalhes sobre o Poço Superprofundo de Kola no vídeo abaixo do canal “Misterios da Terra“.
Quais problemas apareceram durante a perfuração?
As condições extremas transformaram a operação em uma disputa contra os limites da engenharia. Entre os principais obstáculos encontrados estavam:
A situação ficou ainda mais complicada com a dissolução da União Soviética. A perfuração acabou sendo interrompida em 1992, e a estrutura posteriormente foi selada.
O que os cientistas descobriram a 12 km de profundidade?
O projeto revelou que a realidade sob nossos pés era diferente de algumas previsões feitas antes da perfuração. Uma das descobertas mais importantes foi a ausência da esperada transição simples de granito para basalto em determinadas profundidades.
Os pesquisadores também encontraram água associada às rochas em grandes profundidades e identificaram fósseis microscópicos e matéria orgânica preservados em rochas com mais de 2 bilhões de anos. Esses resultados ajudaram a ampliar o conhecimento sobre a crosta terrestre.
Por que o Poço de Kola ainda impressiona?
Mesmo sem alcançar o manto terrestre, o projeto estabeleceu um recorde que permanece como referência e mostrou, de maneira prática, até onde a tecnologia consegue avançar no subsolo. O poço também forneceu dados importantes para a geologia e para a engenharia de perfuração profunda.
O mais surpreendente é que o limite não foi simplesmente a distância. O calor e o comportamento das próprias rochas transformaram os últimos quilômetros em um desafio quase impossível de vencer, tornando Kola um dos experimentos científicos mais extremos já realizados.
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