Plástico apareceu a quase 3.900 metros de profundidade no Pacífico, enquanto uma praia próxima acumulava novos resíduos semana após semana
Uma única rede de pesca descartada, achada em 2024, pesava sozinha cerca de 50 quilos

O que você vai ver
- Por que esse é o primeiro registro documentado de plástico nessa parte do Pacífico profundo.
- Que tipos de resíduo os pesquisadores encontraram tanto na praia quanto nas profundezas.
- Quanto lixo se acumulava semanalmente no ponto de monitoramento na praia.
- De onde vinha a maior parte do lixo encontrado na praia monitorada.
- Qual foi o item mais pesado recolhido ao longo de todo o levantamento.
Plástico apareceu a quase 3.900 metros de profundidade numa região do Oceano Pacífico onde nunca havia sido documentado antes, enquanto, na superfície, uma praia próxima na costa do Equador acumulava novos resíduos plásticos semana após semana, segundo um levantamento conduzido ao longo de seis anos.
Por que esse é o primeiro registro documentado de plástico nessa parte do Pacífico profundo?
Pesquisadores liderados por François Michaud, da Universidade Sorbonne, em Paris, conduziram entre 2019 e 2025 um levantamento que alcançou profundidades de até 3.900 metros no leste do Pacífico equatorial, próximo à costa do Equador, registrando ali a primeira evidência documentada de lixo plástico na zona abissal dessa região específica do oceano.
Essa marca de “primeiro registro” é relevante porque zonas abissais, regiões de água profunda de difícil acesso, raramente recebem o mesmo nível de monitoramento ambiental dedicado a praias e águas costeiras, o que significa que a ausência de registros anteriores de plástico nessas profundezas podia refletir tanto a falta de poluição quanto, simplesmente, a falta de expedições científicas capazes de investigar esses ambientes remotos.

Que tipos de resíduo os pesquisadores encontraram tanto na praia quanto nas profundezas?
Tanto no monitoramento da praia próxima a Salinas, no Equador, quanto nas imagens captadas nas profundezas abissais, a equipe documentou sacolas plásticas, embalagens de alimentos, garrafas e equipamentos de pesca descartados, incluindo redes e linhas, repertório de resíduos praticamente idêntico entre os dois ambientes, apesar da enorme diferença de profundidade e condições entre eles.
Essa semelhança entre os tipos de lixo encontrados na superfície e nas profundezas reforça a hipótese de que grande parte do material encontrado no fundo do mar tem origem direta na atividade costeira próxima, migrando gradualmente da praia e das águas rasas até alcançar, ao longo do tempo, regiões muito mais profundas e distantes do ponto original de descarte.
Quanto lixo se acumulava semanalmente no ponto de monitoramento na praia?
Num ponto de monitoramento de 100 metros quadrados próximo a Salinas, na costa equatoriana, a equipe registrou uma média de 566 gramas de resíduos novos acumulados por semana, volume que, somado ao longo de todo o período de seis anos do levantamento, ultrapassou 150 quilogramas de lixo plástico coletado apenas naquele único ponto específico de observação contínua.
Esse acúmulo constante e mensurável ao longo de tanto tempo demonstra que o problema não se limita a episódios isolados de contaminação, mas representa um fluxo praticamente contínuo de novo material plástico chegando àquele trecho de praia, padrão de acúmulo regular que ajuda a explicar como o mesmo tipo de resíduo eventualmente também aparece nas profundezas abissais próximas.
De onde vinha a maior parte do lixo encontrado na praia monitorada?
Mais de 50% dos itens encontrados na praia monitorada tinham origem identificada em atividades de pesca, enquanto mais de 45% estavam associados a turismo e recreação, incluindo embalagens de alimentos e descartáveis de uso único, com resíduos médicos e microplásticos também documentados em menor proporção dentro do mesmo levantamento.
Essa predominância de resíduos ligados à pesca e ao turismo, somadas, respondendo por praticamente a totalidade do lixo identificado, aponta diretamente para as duas atividades econômicas mais associadas àquele trecho específico de litoral equatoriano como as principais fontes responsáveis pelo fluxo constante de novo material plástico que a equipe documentou semana após semana durante os seis anos de monitoramento.

Qual foi o item mais pesado recolhido ao longo de todo o levantamento?
O item isolado mais pesado recolhido durante todo o período do estudo foi uma rede de pesca descartada, encontrada em 2024, que sozinha pesava aproximadamente 50 quilogramas, praticamente um terço de todo o peso de resíduos acumulados no ponto de monitoramento da praia ao longo dos seis anos inteiros de pesquisa.
Esse único achado isolado ilustra como equipamentos de pesca descartados, mesmo sendo numericamente menos frequentes do que itens menores como sacolas e embalagens, podem representar uma fração desproporcional do peso total de resíduos plásticos encontrados tanto na praia quanto, presumivelmente, nas profundezas abissais onde redes semelhantes também foram documentadas pela mesma equipe de pesquisa.
Levantamentos de longa duração que revelam a extensão real de um problema ambiental antes subestimado também aparecem no relato sobre o feixe artificial de múons que atravessou uma parede de concreto e desenhou a sombra de tijolos de chumbo.
Mais detalhes sobre a pesquisa estão disponíveis na reportagem do Phys.org.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)