Pesquisadores exploravam fósseis a partir de um barco num lago artificial e encontraram um dinossauro de 4,5 metros que viveu no Zimbábue há 210 milhões de anos

21.10.2026

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Pesquisadores exploravam fósseis a partir de um barco num lago artificial e encontraram um dinossauro de 4,5 metros que viveu no Zimbábue há 210 milhões de anos
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5 minutos de leitura 05.09.2026 07:53 comentários
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Pesquisadores exploravam fósseis a partir de um barco num lago artificial e encontraram um dinossauro de 4,5 metros que viveu no Zimbábue há 210 milhões de anos

Esqueleto parcial encontrado às margens do lago Kariba revelou uma nova espécie de sauropodomorfo do Triássico Superior

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Pesquisadores exploravam fósseis a partir de um barco num lago artificial e encontraram um dinossauro de 4,5 metros que viveu no Zimbábue há 210 milhões de anos
Musango matusadonaensis era um sauropodomorfo bípede de cerca de 4,5 metros que viveu em ambientes úmidos do atual Zimbábue no Triássico Superior

Expedições realizadas em 2017 e 2018 percorreram de barco as margens do lago Kariba, no Zimbábue, procurando preencher uma grande lacuna no registro paleontológico do sul da África. Em uma dessas buscas, ossos aparecendo nas rochas revelaram o Musango matusadonaensis, um sauropodomorfo bípede com cerca de 4,5 metros de comprimento que viveu há aproximadamente 210 milhões de anos e só foi formalmente descrito em 2026.

Como o Musango matusadonaensis foi encontrado às margens do lago Kariba?

Os paleontólogos não estavam procurando fósseis de um barco. O barco era o meio usado para explorar uma região de acesso difícil, onde as formações rochosas fossilíferas aparecem ao longo das margens do lago Kariba. As campanhas de 2017 e 2018 permitiram alcançar diferentes pontos rapidamente e também reduzir a exposição da equipe a hipopótamos, crocodilos e elefantes.

Em 2018, ossos foram vistos projetando-se de rochas poucos metros acima da água. A equipe voltou ao local e escavou um esqueleto parcial que, depois de preparado e analisado, mostrou características suficientes para reconhecer uma espécie até então desconhecida. O estudo foi publicado no Journal of Systematic Palaeontology em julho de 2026.

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O que os fósseis do Musango matusadonaensis revelaram sobre o animal?

O material preservado inclui vértebras, costelas, elementos das cinturas escapular e pélvica e partes dos membros anteriores e posteriores. O crânio não foi encontrado, limitando algumas interpretações sobre alimentação e aparência. Mesmo assim, o conjunto é relativamente informativo para um dinossauro desse período no Zimbábue.

As estimativas indicam aproximadamente 4,5 metros de comprimento e cerca de 220 a 222 quilos. A análise microscópica dos ossos mostrou que o indivíduo tinha pelo menos oito anos e provavelmente era um subadulto tardio ou adulto cujo crescimento já estava desacelerando.

  • Comprimento estimado de cerca de 4,5 metros.
  • Massa aproximada de 220 a 222 quilos.
  • Idade mínima próxima de oito anos.
  • Locomoção predominantemente bípede.
  • Esqueleto parcial sem crânio preservado.

Este vídeo apresenta diretamente o Musango matusadonaensis e explica sua descoberta no lago Kariba.

Que tipo de dinossauro era o Musango matusadonaensis?

Musango pertence aos sauropodomorfos, linhagem que mais tarde incluiria os enormes saurópodes de pescoço comprido. Ele, porém, não tinha as dimensões gigantescas nem a locomoção quadrúpede típica de formas posteriores como Diplodocus. Era um representante muito mais antigo e relativamente leve desse ramo evolutivo.

A análise filogenética colocou Musango dentro de Unaysauridae e sugeriu uma relação próxima com Musankwa sanyatiensis, outro sauropodomorfo encontrado na mesma formação geológica. Os autores alertam, entretanto, que o suporte estatístico dessa posição específica na árvore evolutiva ainda é fraco.

Como era o Zimbábue onde esse dinossauro viveu?

As rochas da Pebbly Arkose Formation indicam um ambiente do Triássico Superior associado a planícies de inundação, canais e áreas periodicamente influenciadas por água. Fósseis de peixes pulmonados, fitossauros e outros animais aquáticos também sugerem que corpos d’água permanentes faziam parte desse ecossistema.

Isso ajuda a explicar por que os pesquisadores estão revendo antigas ideias sobre a uniformidade da fauna do sul da África. O Natural History Museum detalha a descoberta e o contexto paleontológico do lago Kariba, destacando que diferentes partes do antigo Gondwana podem ter sustentado comunidades próprias de dinossauros.

Os fósseis de Musango matusadonaensis foram encontrados projetando-se das rochas junto ao lago Kariba e revelaram um esqueleto parcial sem crânio preservado
Os fósseis de Musango matusadonaensis foram encontrados projetando-se das rochas junto ao lago Kariba e revelaram um esqueleto parcial sem crânio preservado

Por que a descoberta é tão importante para o registro de dinossauros do Zimbábue?

Quando foi descrito, Musango tornou-se apenas a quinta espécie de dinossauro formalmente nomeada a partir de fósseis encontrados no Zimbábue. Esse número baixo não significa necessariamente que poucos dinossauros viveram no país, mas reflete em parte quanto determinadas formações ainda foram pouco exploradas sistematicamente.

Os principais números ajudam a dimensionar tanto o animal quanto a raridade do registro disponível.

CaracterísticaDado
Idade geológicaCerca de 210 milhões de anos
ComprimentoAproximadamente 4,5 metros
Massa estimadaCerca de 220–222 kg
Posição no paísQuinta espécie de dinossauro nomeada

O que essa descoberta pode revelar sobre os primeiros dinossauros africanos?

O registro de Musango reforça a ideia de que os ecossistemas do sul da África durante o Triássico não eram simplesmente versões repetidas uns dos outros. Curiosamente, os pesquisadores destacam que atualmente nenhuma espécie de dinossauro é compartilhada entre essas unidades triássicas do Zimbábue e as formações equivalentes estudadas na principal Bacia do Karoo, apesar da relativa proximidade geográfica.

Esse contraste pode mudar à medida que novas áreas forem exploradas, mas já mostra por que o lago Kariba ganhou importância paleontológica. Encontrar Musango em uma região historicamente pouco amostrada acrescenta uma peça à expansão dos dinossauros pelo Gondwana justamente numa época em que eles começavam a se diversificar e ocupar diferentes ecossistemas terrestres.

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