Pesquisador de segurança desenvolve padrão de camiseta que engana câmeras de vigilância e usa reconhecimento facial com IA
O conceito é simples e, ao mesmo tempo, surpreendente: usar padrões visuais em roupas ou veículos para confundir os algoritmos responsáveis por identificar pessoas e objetos.
Uma tecnologia criada por um pesquisador de segurança dos Estados Unidos está chamando atenção por tentar explorar uma fragilidade das câmeras de vigilância equipadas com inteligência artificial.
O conceito é simples e, ao mesmo tempo, surpreendente: usar padrões visuais em roupas ou veículos para confundir os algoritmos responsáveis por identificar pessoas e objetos.
Como o padrão consegue confundir a inteligência artificial das câmeras de vigilância ?
O projeto, chamado noRecognition, foi desenvolvido pelo pesquisador Bill Swearingen. Segundo ele, foram realizados cerca de 31 milhões de testes para encontrar padrões capazes de interferir no funcionamento de diferentes sistemas automatizados de reconhecimento.
O objetivo não é tornar uma pessoa invisível para a câmera. A imagem continua sendo registrada, mas o software pode deixar de identificar corretamente que existe uma pessoa ou determinado objeto naquele quadro.
Quais sistemas de reconhecimento nas câmeras de vigilância foram testados?
Swearingen afirma que os padrões desenvolvidos conseguiram enganar os 11 sistemas de reconhecimento avaliados durante seus testes. Entre eles estão tecnologias utilizadas para reconhecimento facial, câmeras corporais e leitura automática de placas.
O processo funciona de maneira experimental: o sistema cria um padrão, verifica se o algoritmo consegue reconhecer o objeto e altera o desenho caso a identificação continue funcionando.
A ideia se aproxima de um treinamento em que o modelo aprende quais padrões são mais eficazes para provocar erros.
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In a significant privacy advancement, cybersecurity expert Bill Swearingen has developed 'noRecognition,' a pattern that disrupts surveillance cameras' detection capabilities. Applied to clothing or objects, it prevents systems from identifying covered individuals or vehicles,… pic.twitter.com/0y6JPdpJ36
— The Daily Tech Feed (@dailytechonx) August 9, 2026
O que aconteceu no teste com um carro?
A tecnologia também foi demonstrada em condições reais durante a conferência DEF CON, em Las Vegas. Um Toyota Yaris 2009 recebeu um dos padrões e passou diante de uma câmera usada pelo sistema Flock de reconhecimento de placas.
O pesquisador afirmou que o teste mostrou eficácia, embora ainda existissem problemas relacionados às rodas do veículo. O resultado, portanto, representa uma demonstração inicial e não uma garantia de que qualquer câmera possa ser enganada.

As roupas podem chegar ao uso cotidiano?
A proposta já está sendo transformada em produtos. Uma campanha de financiamento coletivo oferece peças com os padrões, incluindo camisetas e moletons, enquanto a aplicação da tecnologia em películas para veículos também está prevista.
Entre as possibilidades discutidas estão:
Por que os óculos inteligentes tornam essa tecnologia ainda mais importante?
A discussão ganha outra dimensão com a popularização dos óculos inteligentes, capazes de registrar continuamente o ambiente por meio de câmeras. O padrão poderia, em tese, ser relevante nesse cenário, mas os testes realizados até agora não comprovam proteção contra todas essas tecnologias.
Esse é o ponto mais importante: o método foi avaliado contra sistemas específicos de reconhecimento de imagens. Portanto, não significa que uma camiseta com determinado desenho seja capaz de bloquear universalmente reconhecimento facial, câmeras ou recursos de inteligência artificial.
A tecnologia expõe, porém, uma disputa cada vez mais evidente entre sistemas de vigilância automatizada e técnicas desenvolvidas para explorar suas limitações.
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