Idoso de 80 anos não sai da cadeira nem quando o redemoinho de areia arranca o telhado ao lado, no Piauí
O vídeo de José Borges, o Zezé, gravado pelo sobrinho em 11 de outubro, passou de 1,3 milhão de visualizações, segundo o portal ND+.
O pedreiro aposentado José Borges, de 80 anos, conhecido como Zezé, não saiu da cadeira nem quando um redemoinho de areia passou por cima dele no Piauí. O vento foi forte o bastante para destelhar uma casa próxima, e a cena virou vídeo nas redes sociais.
O caso aconteceu em 11 de outubro, um domingo, depois do almoço. Segundo reportagem do portal ND+, que contou a história de Zezé, o vídeo gravado pelo sobrinho, Diobson Gonçalves, passou de 1,3 milhão de visualizações.
Um descanso depois do almoço que durou dois minutos
Zezé tinha saído de casa para se refrescar. De acordo com a enteada, Isabel, o calor estava forte e ele quis aproveitar a brisa do lado de fora.

“Estava muito quente, porque a gente mora no Piauí, e ele resolveu, depois do almoço, ir lá para fora tomar um ventinho. Mas o ventinho não foi bem o que ele esperava”, contou Isabel ao ND+.
Pelo relato da família, o descanso durou um ou dois minutos. Logo depois, o redemoinho chegou levantando areia e terra ao redor da cadeira. A reportagem não informa o município onde a família mora.
Por que o idoso ficou sentado durante o redemoinho de areia
A calma que chamou a atenção de quem assistiu ao vídeo tinha uma explicação prática. Questionado pela família, Zezé disse que teve medo de ser carregado pelo vento caso tentasse se levantar.
Ele resumiu a experiência com bom humor: “Não tinha o que fazer, só tampei os olhos e deixei o pau quebrar”. Quando a ventania passou, a primeira coisa que fez foi tomar banho para tirar a areia do corpo.
Para a família, a reação não foi surpresa. Isabel descreve o padrasto como alguém calmo, que dificilmente perde a tranquilidade.
Quem é o pedreiro de 80 anos que viralizou
José Borges completa 81 anos em novembro, segundo o ND+. Passou a maior parte da vida na construção civil, como pedreiro, e também trabalhou como carpinteiro e fazendo instalações em residências.
Mesmo aposentado, ainda aceita alguns serviços. De acordo com a enteada, ele “entende de tudo um pouco” e, de vez em quando, pega bicos de mecânico.
Isabel contou que redemoinhos são comuns na região onde a família vive, mas raramente chegam àquela intensidade. Naquele domingo, o vento danificou o telhado de uma residência vizinha.
Como se forma um redemoinho de poeira
O fenômeno que pegou Zezé de surpresa é conhecido em inglês como dust devil. Segundo o guia do Serviço Nacional de Meteorologia dos Estados Unidos sobre redemoinhos de poeira, ele nasce do aquecimento forte do solo, em dias de céu limpo e vento fraco.
Um bolsão de ar muito quente sobe rápido e puxa o ar ao redor pela base. Essa coluna começa a girar e acelera à medida que se estica para cima, como uma patinadora que fecha os braços.
O órgão americano informa que a maioria dura poucos minutos e que eles aparecem com mais frequência entre 11h e 14h, quando o sol está mais intenso. É justamente o horário depois do almoço em que Zezé saiu de casa.
Força suficiente para derrubar estruturas pequenas
Os redemoinhos de poeira costumam ser menores e mais fracos do que um tornado, segundo o Serviço Nacional de Meteorologia dos EUA. Ainda assim, os maiores podem passar de 60 milhas por hora, cerca de 97 km/h, e danificar ou destruir estruturas pequenas no caminho.
O mesmo órgão registra diâmetros que vão de cerca de 3 a 90 metros. Em 2000, um redemoinho num parque de exposições no Arizona derrubou tendas e uma bilheteria e deixou feridos.
Ventos carregados de areia e poeira também já foram notícia em outros estados, como a tempestade de areia que causou estragos em Mato Grosso do Sul e a nuvem de poeira que atingiu mais uma cidade do interior paulista. São fenômenos diferentes: a tempestade de areia cobre uma região inteira, enquanto o redemoinho é uma coluna giratória isolada que se desfaz em minutos.
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