Pais albatrozes podem deixar o filhote esperando por mais de duas semanas enquanto percorrem milhares de quilômetros em busca de comida e depois retornam à mesma colônia
Adultos alternam grandes viagens oceânicas e levam ao ninho refeições concentradas que ajudam o jovem a enfrentar longos intervalos
Criar um filhote no meio de uma ilha oceânica exige uma estratégia incomum. Em várias espécies de albatrozes, os pais alternam períodos de cuidado com viagens que podem levá-los a milhares de quilômetros do ninho. Quando o filhote cresce o suficiente para ficar sozinho, as ausências podem ultrapassar duas semanas. No albatroz-de-laysan (Phoebastria immutabilis), por exemplo, adultos alimentando filhotes podem permanecer no mar por até 17 dias e alcançar áreas a cerca de 2.600 quilômetros do ninho em linha reta.
Como os albatrozes conseguem deixar o filhote sozinho por tantos dias?
Nas primeiras semanas após a eclosão, a situação é diferente. Um dos adultos geralmente permanece próximo ao filhote enquanto o parceiro procura alimento. No albatroz-de-laysan, esse período de guarda dura aproximadamente três a quatro semanas. Depois, quando o jovem consegue regular melhor sua temperatura e está maior, ambos os pais podem sair para forragear.
A duração dessas viagens depende da espécie, da fase reprodutiva e das condições do oceano. Albatrozes-de-laysan podem ficar ausentes até 17 dias, enquanto estudos com albatrozes-errantes (Diomedea exulans) registram, durante a criação do filhote, uma combinação de deslocamentos curtos e viagens longas que podem chegar a 27 dias. Portanto, “duas ou três semanas” é possível, mas não representa todas as viagens de todos os albatrozes.
O que os pais trazem depois de uma longa viagem pelo oceano?
Albatrozes procuram principalmente recursos marinhos, com dieta variando conforme a espécie. O albatroz-de-laysan consome sobretudo lulas, além de ovos de peixes, crustáceos e outros alimentos encontrados no oceano. Parte desse material pode ser transportada no sistema digestivo e posteriormente regurgitada para o filhote.
Nos primeiros estágios, refeições altamente concentradas ajudam o jovem a acumular reservas capazes de sustentá-lo durante intervalos crescentes entre visitas. Entre os elementos envolvidos nessa estratégia estão:
- Viagens de alimentação realizadas alternadamente pelos adultos.
- Peixes, lulas e outros organismos marinhos capturados no oceano.
- Produção de óleo estomacal rico em lipídios.
- Regurgitação de alimento concentrado para o filhote.
- Acúmulo de reservas corporais durante o crescimento.
O Cornell Lab registrou em 2026 um albatroz-real-do-norte alimentando seu filhote após retornar do mar.
Como os albatrozes produzem um óleo tão energético para o filhote?
Albatrozes pertencem aos Procellariiformes, grupo no qual diversas espécies conseguem acumular no proventrículo uma substância conhecida como óleo estomacal. Ela se origina do processamento das presas ingeridas e concentra componentes ricos em gordura, produzindo uma refeição particularmente energética para os jovens.
Não se trata simplesmente de “óleo produzido do nada” pelo organismo. O material deriva do alimento capturado no mar e parcialmente processado no trato digestivo. O Cornell Lab descreve esse óleo como uma maneira eficiente de transportar energia do oceano até um filhote que pode passar vários dias sem receber outra refeição.
Como os adultos encontram novamente a colônia depois de viajar tão longe?
Albatrozes apresentam forte fidelidade aos locais de reprodução. Estudos com o albatroz-errante mostram taxas muito elevadas de permanência na mesma colônia entre adultos, embora existam indivíduos que mudem de local. Jovens também apresentam forte filopatria, isto é, tendência a retornar para reprodução à região onde nasceram ou foram criados.
Por isso, dizer que retornam “exatamente” à mesma colônia precisa de pequena nuance: a fidelidade é extremamente alta, mas não absoluta. Experimentos de conservação inclusive exploram essa característica ao transferir ovos antes da eclosão para novas áreas, esperando que as aves criadas ali retornem futuramente ao local. O Agreement on the Conservation of Albatrosses and Petrels descreve esse tipo de translocação.

O que torna a criação dos filhotes de albatrozes tão diferente?
Depois do período inicial de guarda, o jovem passa grande parte do tempo sozinho, enquanto os adultos transformam o ninho em um ponto central ao qual retornam repetidamente após procurar alimento em enormes áreas oceânicas. Essa estratégia permite explorar recursos muito distantes sem abandonar definitivamente o local de reprodução.
Os números variam bastante entre espécies e fases do ciclo reprodutivo, mas mostram a escala desse sistema parental.
| Característica | Observação documentada |
|---|---|
| Albatroz-de-laysan | Viagens com filhote podem durar até 17 dias. |
| Distância | Até cerca de 2.600 km do ninho em linha reta no albatroz-de-laysan. |
| Albatroz-errante | Viagens longas durante a criação podem chegar a 27 dias. |
| Alimento | Refeições regurgitadas podem incluir alimento marinho e óleo estomacal energético. |
Por que essa estratégia parental funciona apesar das longas ausências?
O sistema funciona porque filhotes de muitas espécies estão adaptados a receber refeições volumosas e armazenar reservas corporais entre visitas. Ao mesmo tempo, os adultos alternam deslocamentos mais curtos, voltados principalmente ao abastecimento do jovem, com viagens maiores que também permitem recuperar sua própria condição corporal.
Essa alternância mostra por que uma longa ausência não significa abandono. Quando as condições são normais, o ninho continua sendo o destino ao qual os adultos retornam para alimentar a cria. O intervalo pode parecer enorme para padrões humanos, mas faz parte de uma estratégia moldada para aves capazes de explorar áreas oceânicas extraordinariamente extensas.
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