Oscar 2025 evita politização e aposta no entretenimento
A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas buscou evitar polêmicas e garantir um evento mais acessível ao grande público
A cerimônia do Oscar 2025, realizada em Los Angeles, adotou um tom mais contido em relação a edições anteriores, priorizando a celebração do cinema e do entretenimento em vez de discursos políticos e woke.
A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas buscou evitar polêmicas e garantir um evento mais acessível ao grande público, contrastando com premiações anteriores que haviam sido marcadas por declarações políticas e confrontos ideológicos.
Desde o anúncio de Conan O’Brien como apresentador, ficou claro que a cerimônia teria um tom mais leve. O CEO da Academia, Bill Kramer, explicou que a escolha de O’Brien foi feita para garantir um evento “divertido e sem polarizações”.
O apresentador, conhecido por seu humor ácido, fez apenas uma piada sutil envolvendo o filme Anora e a Rússia, mas sem tocar diretamente em temas políticos ou figuras públicas.
Discursos políticos foram notavelmente reduzidos ao longo da noite. Enquanto em anos anteriores vencedores utilizaram o palco para protestos e manifestações, em 2025 as falas foram mais discretas.
A atriz Daryl Hannah mencionou a Ucrânia ao dizer “Slava Ukraini” antes de apresentar uma categoria, e Zoe Saldaña fez referência à imigração ao lembrar que seus pais são imigrantes, mas sem transformar o discurso em um manifesto.
Um dos momentos mais comentados foi a vitória do documentário No Other Land, que gerou controvérsia por sua narrativa sobre a questão palestina e recebeu críticas, especialmente na Alemanha, por promover um viés contra Israel.
O portal oficial da cidade de Berlim chegou a classificar o filme como tendo “tendências antissemitas”, mas removeu a declaração posteriormente.
Políticos alemães também condenaram discursos de seus diretores, acusando-os de alimentar retórica hostil. Yuval Abraham, codiretor do documentário, negou as acusações e afirmou que qualquer crítica ao governo israelense não deveria ser interpretada como antissemitismo.
A polêmica envolvendo No Other Land ocorre em um momento delicado para Israel, que ainda se recupera dos ataques brutais sofridos em 7 de outubro, quando civis foram assassinados e sequestrados por terroristas do Hamas.
O país, que é a única democracia consolidada do Oriente Médio e um dos mais inovadores centros de tecnologia e cultura, tem enfrentado desafios políticos e de segurança complexos. As críticas internacionais ao governo israelense, muitas vezes promovidas por setores radicais, são injustas e desproporcionais, ignorando o direito do país à autodefesa diante de ameaças terroristas.
A postura da Academia neste ano contrasta com edições passadas. Durante o primeiro mandato de Donald Trump, o Oscar frequentemente se tornou palco de discursos inflamados contra sua administração e de protestos sobre pautas progressistas.
Em 2020, Joaquin Phoenix usou seu discurso para criticar a agropecuária e a exploração animal, enquanto Frances McDormand, em 2018, cobrou maior presença feminina na indústria do cinema.
Neste ano, porém, o foco esteve voltado para a recuperação da indústria cinematográfica. Após anos de incerteza devido à pandemia, greves de roteiristas e atores e dificuldades econômicas, a Academia optou por uma cerimônia mais tradicional, voltada ao espetáculo e ao prestígio do cinema.
Homenagens a ícones da indústria e performances de artistas como Queen Latifah, Doja Cat e Lisa do Blackpink garantiram o tom de celebração da noite.
A escolha por evitar discursos políticos pode ser interpretada como uma tentativa de reconquistar audiência e atrair um público mais amplo. Nos últimos anos, o Oscar sofreu críticas por sua politização excessiva, sendo acusado de transformar a premiação em um evento ideológico.
Essa mudança de postura pode refletir uma estratégia da Academia para recuperar relevância e prestígio diante do público global.
Ainda assim, a questão política não esteve completamente ausente. A própria seleção de filmes indicados já carrega um significado político, e o debate woke continua relevante, especialmente após as novas regras da Academia para a categoria de Melhor Filme, que exigem critérios de inclusão e participação de minorias nas produções.
O que fica claro é que, ao optar por um tom mais equilibrado, a Academia tentou resgatar a essência do Oscar como a maior celebração do cinema mundial.
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