Onça-pintada é resgatada dentro de canal de uma usina elétrica em Juscimeira, MT
A operação que retirou uma onça-pintada de um canal em Mato Grosso expõe riscos reais para grandes felinos em áreas com hidrelétricas
O resgate de uma onça-pintada em um canal de usina hidrelétrica em Juscimeira, no interior de Mato Grosso, em 19 de março de 2026, chamou atenção ao expor os riscos da expansão de empreendimentos sobre o habitat de grandes felinos.
Imagens mostram o animal acuado em uma estrutura de concreto e depois subindo sozinho em uma plataforma usada como elevador improvisado, antes de ser levado a um centro de reabilitação para tratamento de um ferimento na pata.
Como foi o resgate da onça-pintada na usina hidrelétrica de Juscimeira?
A operação durou cerca de oito horas e envolveu bombeiros, Polícia Ambiental e equipes da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema). Com o fluxo de água controlado, as equipes montaram uma plataforma que permitiu à onça deixar o canal sem necessidade imediata de sedação, reduzindo riscos para o animal e para os profissionais.
Mesmo debilitada, a onça conseguiu subir sozinha, apoiando principalmente as patas dianteiras, o que demonstra sua força e capacidade de reação sob estresse. Após sair do canal, foi contida em uma jaula de transporte e encaminhada a um centro especializado para avaliação veterinária, tratamento e possível futura soltura.
Qual é a importância da onça-pintada para o Pantanal e outros biomas?
A onça-pintada, maior felino das Américas, está no topo da cadeia alimentar em biomas como Pantanal, Amazônia e Cerrado. Como predador de topo, controla populações de presas, como capivaras, jacarés e veados, contribuindo diretamente para o equilíbrio ecológico e a saúde dos ecossistemas.
A presença da espécie também indica qualidade ambiental, pois depende de água, presas abundantes e vegetação conservada. Em áreas com desmatamento, fragmentação de habitat e maior conflito com atividades humanas, aumentam os registros de onças feridas, abatidas ou em situações de risco, como a de Juscimeira.
Confira o vídeo que se tornou viral na última semana:
Uma onça-pintada foi resgatada na quinta-feira (19) após ser encontrada dentro de um canal de uma usina elétrica em Juscimeira, no Mato Grosso. Ela toda fofinha subindo sozinha no 'elevador' pra sair. pic.twitter.com/bRpJzM1YOQ
— Sérgio Santos (@ZAMENZA) March 21, 2026
Quais desafios a onça-pintada enfrenta em áreas com hidrelétricas?
Em regiões com usinas hidrelétricas, canais de desvio, reservatórios e estradas internas podem funcionar como armadilhas para grandes felinos. A ausência de rotas de fuga, cercas mal planejadas e estruturas sem passagens adequadas para fauna ampliam o risco de quedas, afogamentos, atropelamentos e conflitos diretos com trabalhadores.
Especialistas apontam que, diante desse cenário, empreendimentos são orientados a adotar medidas de mitigação e adaptação, como passagens de fauna e planos de emergência para animais silvestres. Essas ações ajudam a reduzir o número de incidentes e a gravidade dos casos de resgate.
Quais são os principais riscos e conflitos para a onça-pintada?
A expansão agropecuária, obras de infraestrutura e mudanças no uso do solo intensificam os conflitos entre felinos silvestres e atividades humanas. Para entender melhor essas ameaças, é possível agrupar os principais riscos enfrentados pela espécie em diferentes frentes de impacto.
Desmatamento, queimadas e avanço agropecuário
A perda de hábitat causada por desmatamento, queimadas e expansão agropecuária reduz áreas essenciais para abrigo, caça e deslocamento das onças.
Rodovias, barragens e linhas de transmissão
A fragmentação das áreas naturais por grandes estruturas corta rotas de circulação, isola populações e dificulta a manutenção do equilíbrio ecológico.
Perseguição após ataques a criações
Os conflitos com rebanhos bovinos muitas vezes levam à perseguição e ao abate de onças, agravando a pressão humana sobre a espécie.
Atropelamentos e acidentes em canais e valas
Além da perda de território, as onças também ficam expostas a atropelamentos e acidentes em canais, valas e outras estruturas criadas pela ocupação humana.
Como funcionam os protocolos de resgate e reabilitação de grandes felinos?
Operações de salvamento de onças-pintadas seguem protocolos interinstitucionais que priorizam segurança e bem-estar. As equipes realizam avaliação inicial da área, isolamento do local, definição da estratégia de resgate e, quando necessário, uso de gaiolas, plataformas ou dardos tranquilizantes.
Após o resgate, o animal é transportado em caixas apropriadas para centros de reabilitação, onde passa por exames, tratamento de ferimentos e observação comportamental. A soltura só ocorre quando há plena recuperação, ausência de risco de transmissão de doenças e identificação de área adequada, com baixa probabilidade de novos conflitos.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)