Obra brasileira de 13,1 km reúne seis pontes e um viaduto para integrar o Centro-Oeste a uma rota que segue até os portos do Pacífico
A nova ligação promete encurtar caminhos e abrir outra saída para cargas brasileiras
Uma nova rodovia está tomando forma nos arredores de Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul, para levar o tráfego da BR-267 diretamente até a fronteira com o Paraguai. O acesso à Ponte Bioceânica terá 13,1 km, seis pontes e um viaduto. É uma peça curta em distância, mas necessária para conectar o Centro-Oeste ao corredor rodoviário que atravessa quatro países e alcança o Pacífico.
Onde começam e terminam os 13,1 km da obra?
O acesso começa no km 678,1 da BR-267/MS e termina próximo à Ponte Internacional Bioceânica sobre o rio Paraguai. A travessia liga Porto Murtinho à cidade de Carmelo Peralta, no Paraguai.
O DNIT confirma que o empreendimento inclui os 13,1 km de rodovia, seis pontes e um viaduto. A obra integra o Novo PAC e funciona como a ligação física entre a rodovia federal e a nova travessia internacional.
O projeto também reorganiza o tráfego pesado para evitar que os caminhões dependam das ruas de Porto Murtinho para chegar à fronteira.

Por que um trecho de apenas 13,1 km precisa de tantas estruturas?
O terreno exige obras elevadas para cruzar áreas baixas, cursos d’água e pontos sujeitos a alagamento. Por isso, o projeto não se resume a pavimentar uma faixa de terra entre a BR-267 e o rio Paraguai.
A licença de instalação divulgada pela Semadesc prevê pista com duas faixas de 3,60 metros, acostamentos de 3 metros e as estruturas de drenagem necessárias ao percurso.
Os principais números mostram como a obra cresceu além dos 13,1 km de pista:
Como esse acesso coloca o Centro-Oeste no caminho do Pacífico?
A rodovia entrega o tráfego brasileiro diretamente à ponte e, do outro lado, ao corredor que atravessa o Paraguai, o norte da Argentina e o Chile. O destino inclui terminais portuários no litoral do Pacífico.
O Ministério do Planejamento e Orçamento cita Iquique, Antofagasta e Mejillones entre os portos chilenos alcançados pela Rota Bioceânica de Capricórnio.
Na prática, o caminho forma uma sequência internacional:
- Brasil: a BR-267 leva o tráfego até Porto Murtinho.
- Paraguai: a ponte cruza o rio e conecta o corredor ao Chaco.
- Argentina: a rota segue pelo noroeste antes de alcançar a Cordilheira dos Andes.
- Chile: o trajeto termina em portos do Pacífico usados no comércio internacional.
Em que estágio estão o acesso, a ponte e o trecho paraguaio?
As três partes avançaram em ritmos diferentes durante 2026. No lado brasileiro, o último balanço detalhado do DNIT informou 8,14 km de terraplenagem concluídos, cerca de 895 mil m³ de aterro compactado e 40,17% de evolução desse serviço.
O DNIT atualizou o investimento para R$ 496 milhões em janeiro de 2026. Em setembro, a Prefeitura de Porto Murtinho ainda listava o acesso entre as obras em execução.
No Paraguai, o Ministério de Obras Públicas e Comunicações informou em agosto de 2026 que a ponte estava entrando nas etapas finais de construção.
O que muda quando toda a ligação estiver pronta?
A principal mudança será permitir que caminhões atravessem diretamente de Mato Grosso do Sul para o Paraguai e continuem por um corredor rodoviário planejado até o Chile. Hoje, cada obra incompleta quebra essa continuidade.
O acesso brasileiro resolve justamente um desses pontos. Sem ele, a ponte internacional pode existir fisicamente, mas não terá uma conexão rodoviária definitiva e preparada para o fluxo de cargas da BR-267.
São apenas 13,1 km no mapa, mas eles fecham uma ligação que continua por milhares de quilômetros até o outro lado do continente.
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