O túnel que abriga mais de 100 famílias nas Filipinas
A comunidade Ilalim Ngtulay mostra como famílias adaptam túneis de drenagem em lares, equilibrando sobrevivência, criatividade e vida urbana
Debaixo de uma das rodovias mais movimentadas de Manila, nas Filipinas, mais de 100 famílias vivem em túneis de drenagem transformados em casas, formando uma comunidade subterrânea onde o cotidiano mistura improviso, risco e adaptação diante da falta de moradia formal.
Como é a estrutura da comunidade Ilalim Ngtulay em Manila
A Ilalim Ngtulay, que significa “debaixo da ponte”, ocupa túneis projetados para controlar enchentes, mas que viraram alternativa para famílias sem condições de pagar aluguel na cidade. Estima-se que entre 250 e 300 pessoas vivam ali, somando os dois lados do rio poluído que corta a estrutura.
O ambiente é apertado, quente e escuro, com trechos em que só é possível se locomover quase deitado, devido ao teto baixo, a cerca de 60 centímetros da cabeça. Mesmo assim, os moradores organizam o espaço com colchões, divisórias, cozinhas improvisadas, imagens religiosas, roupas penduradas e pequenos ventiladores para aliviar o calor.

Quais são os principais riscos e desafios de morar em túneis inundáveis
Durante a temporada de chuvas fortes e tufões, como Ondoy e Yolanda, a água pode subir em minutos e alcançar o teto, forçando evacuações imediatas. Nessas enchentes, móveis, eletrodomésticos e pertences são destruídos, obrigando famílias a recomeçar diversas vezes ao longo dos anos.
A segurança física também é uma preocupação constante, com fios elétricos improvisados em áreas molhadas, poças pelo chão e casos de choques fatais. Mordidas de cães e outros animais, somadas ao acesso limitado a atendimento médico, aumentam o risco de infecções, doenças e agravos à saúde dos moradores.
Se você gosta de conhecer lugares e histórias únicas pelo mundo, este vídeo do canal Drew Binsky, com 6,7 milhões de inscritos, foi escolhido para você. Nele, você acompanha a visita a um túnel onde vivem 100 famílias, descobrindo detalhes surpreendentes sobre a vida e o cotidiano nesse espaço extraordinário.
Como as famílias organizam a vida em espaços tão pequenos
Cada “casa” corresponde a um trecho do túnel isolado por tábuas e divisórias, às vezes dividido em mais de um cômodo para gerar aluguel extra. Em muitos lares, cinco pessoas ou mais compartilham poucos metros, com casais, filhos e avós distribuídos em áreas elevadas ou adaptadas ao entorno.
Alguns moradores transformam partes do espaço em cozinhas ou pequenas lojinhas, com ventiladores, TVs, lâmpadas, colchões e máquinas de lavar espalhados sob o concreto. O aluguel costuma ser relativamente baixo, entre 500 e 1.000 pesos por mês, com água muitas vezes gratuita e eletricidade paga de forma coletiva para reduzir custos.
Quais detalhes curiosos ajudam a entender essa forma de moradia
Para além das dificuldades, a vida debaixo da rodovia revela adaptações criativas, como o uso de tecnologia, o aproveitamento do espaço externo e a convivência intensa entre dezenas de lares lado a lado. Esses aspectos mostram como a infraestrutura urbana é reapropriada por quem vive nas margens.

Como é a rotina diária na comunidade debaixo da rodovia
O cotidiano mistura trabalho informal, tarefas domésticas e circulação entre túnel e rua, com homens atuando como catadores, lavadores de carros ou em bicos temporários. Muitas mulheres cuidam das crianças, preparam comida na área externa e organizam o espaço limitado, subindo para a rua em caso de queda de energia.
Banheiros compartilhados, áreas comuns usadas para jogos de cartas ou bingo e vizinhos muito próximos criam um convívio intenso, com fofocas, brigas e apoio mútuo. Essa realidade, quase invisível a quem passa pela rodovia, ilustra como cidades ao redor do mundo escondem formas extremas de moradia, que revelam tanto criatividade quanto desigualdade urbana.
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